Parque das Caldas de Monção
Monção
O comboio para Monção acabou em 1990 e a vila ficou melhor por isso: os carris viraram ecopista ao longo do Minho. Termas no centro, muralhas com a Galiza em frente, lampreia na época e Alvarinho sempre. Tudo a pé, sem pensar em estacionamento.
Há mais de cem anos que Monção se organiza em volta de uma água termal que sai do chão a 49ºC, no centro da vila. Junte caldas, caminhadas pela Ecovia do Minho, kayak até Melgaço e Alvarinho à porta da quinta, e tem o roteiro mais subestimado do Minho.
Os Açores levam a fama em Junho, mas Monção tem a Coca, um dragão de papel-machê que combate São Jorge no Corpo de Deus, as adegas de Alvarinho abertas para provas e o Rio Minho à temperatura certa para descer de kayak. Um guia honesto para quem prefere fronteira a oceano.
Visitar Monção e ficar pelo centro é um erro. As quintas que tornam o Alvarinho num dos brancos mais sérios do mundo estão nas freguesias em redor e em Melgaço, onde o granito e a fronteira espanhola fazem o trabalho. Um guia opinativo, sem rodeios, sobre o que provar, onde dormir e quando ir.
Monção fica onde o rio Minho se alarga e quase se pode conversar com a Galiza do outro lado. É uma vila de fronteira que, durante séculos, viveu entre o comércio e o conflito, e que hoje vive sobretudo bem, entre vinho e água termal.
As muralhas do século XIV, mandadas erguer por D. Dinis, ainda definem o centro de Monção. Foi aqui que Deu-la-Deu Martins, durante um cerco castelhano, subiu às muralhas e atirou pães ao inimigo para simular fartura e forçar a retirada. A história pode ter doses de lenda, mas a estátua na praça e o brasão da vila não deixam esquecê-la. Caminhar pelo interior das muralhas leva-nos à Igreja Matriz, de origem românica, e à Praça da República, onde a vida local se desenrola com a calma própria do Alto Minho.
Monção e Melgaço são a sub-região do Alvarinho, a casta mais respeitada do Vinho Verde. Não é uma coincidência turística, o microclima do vale do Minho, protegido pelas serras, cria as condições exactas para esta uva. O Palácio da Brejoeira, a poucos quilómetros do centro, é o produtor mais icónico e pode ser visitado. A Feira do Alvarinho, que acontece em julho no Parque das Caldas junto ao rio, é provavelmente a maior festa do vinho no norte do país, e a melhor desculpa para uma visita no verão.
De fevereiro a abril, Monção transforma-se na capital da lampreia. Os restaurantes ao longo do rio servem arroz de lampreia do Minho, um prato de sangue, vinho e rio que não é para todos, mas que define esta terra. Fora da época da lampreia, há cabrito assado e as roscas de Monção, um doce regional que faz parte das 7 Maravilhas da Doçaria Portuguesa.
As Termas de Monção, no Parque das Caldas, acrescentam outro motivo para ficar mais do que uma tarde. E a Festa do Corpo de Deus, com a Coca, o dragão vencido por São Jorge, é uma das celebrações mais singulares do Minho.
Monção pede pelo menos dois dias: um para o centro histórico e o vinho, outro para o rio e a mesa. Quem vem só de passagem perde o essencial, o ritmo lento de uma vila que sabe exactamente o que tem.