Monção fica onde o rio Minho se alarga e quase se pode conversar com a Galiza do outro lado. É uma vila de fronteira que, durante séculos, viveu entre o comércio e o conflito, e que hoje vive sobretudo bem, entre vinho e água termal.
Uma vila com história nas muralhas
As muralhas do século XIV, mandadas erguer por D. Dinis, ainda definem o centro de Monção. Foi aqui que Deu-la-Deu Martins, durante um cerco castelhano, subiu às muralhas e atirou pães ao inimigo para simular fartura e forçar a retirada. A história pode ter doses de lenda, mas a estátua na praça e o brasão da vila não deixam esquecê-la. Caminhar pelo interior das muralhas leva-nos à Igreja Matriz, de origem românica, e à Praça da República, onde a vida local se desenrola com a calma própria do Alto Minho.
O Alvarinho nasce aqui
Monção e Melgaço são a sub-região do Alvarinho, a casta mais respeitada do Vinho Verde. Não é uma coincidência turística, o microclima do vale do Minho, protegido pelas serras, cria as condições exactas para esta uva. O Palácio da Brejoeira, a poucos quilómetros do centro, é o produtor mais icónico e pode ser visitado. A Feira do Alvarinho, que acontece em julho no Parque das Caldas junto ao rio, é provavelmente a maior festa do vinho no norte do país, e a melhor desculpa para uma visita no verão.
Lampreia, termas e o ritmo certo
De fevereiro a abril, Monção transforma-se na capital da lampreia. Os restaurantes ao longo do rio servem arroz de lampreia do Minho, um prato de sangue, vinho e rio que não é para todos, mas que define esta terra. Fora da época da lampreia, há cabrito assado e as roscas de Monção, um doce regional que faz parte das 7 Maravilhas da Doçaria Portuguesa.
As Termas de Monção, no Parque das Caldas, acrescentam outro motivo para ficar mais do que uma tarde. E a Festa do Corpo de Deus, com a Coca, o dragão vencido por São Jorge, é uma das celebrações mais singulares do Minho.
Monção pede pelo menos dois dias: um para o centro histórico e o vinho, outro para o rio e a mesa. Quem vem só de passagem perde o essencial, o ritmo lento de uma vila que sabe exactamente o que tem.