Rota do Alvarinho em Monção: Quintas e Provas
Experiência

Rota do Alvarinho em Monção: Quintas e Provas

Monção · 4h · easy

A Rota do Alvarinho em Monção passa por quintas e adegas onde se prova o vinho onde ele nasce. Do Palácio da Brejoeira (visita a €9,50, prova a €3) à Adega Cooperativa (provas de €5 a €25), três produtores que abrem portas a quem reserva com antecedência.

Há uma estrada estreita que sai de Monção em direcção a Pinheiros, ladeada de vinhas baixas e bem arranjadas, com o rio Minho a adivinhar-se entre as árvores. É aqui que o Alvarinho existe há séculos, antes de ser moda, antes de aparecer em cartas de vinho de Lisboa ou do Porto. E é aqui que vale a pena vir provar, não num bar, mas onde as uvas crescem.

A Rota do Alvarinho em Monção não é uma experiência empacotada com guia e autocarro. É um roteiro que se faz ao próprio ritmo, entre quintas e adegas que abrem portas a quem reserva com antecedência. O concelho de Monção tem vindo a promover estas visitas, e hoje há pelo menos meia dúzia de produtores com programas de enoturismo activos. Três deles merecem, na minha opinião, uma manhã ou tarde inteira.

Palácio da Brejoeira: o ponto de partida obrigatório

O Palácio da Brejoeira, em Pinheiros, é o ex-líbris da sub-região. Uma mansão neoclássica do início do século XIX rodeada por 18 hectares de vinha Alvarinho e jardins à inglesa com espécies raras. Não é apenas uma adega: é um monumento nacional que funciona como propriedade vinícola.

A visita mais completa é o Programa Património (€9,50), que inclui o interior do palácio, os jardins, a adega antiga e a capela. Dura cerca de 45 minutos, com entradas a cada meia hora, e a última entrada é às 17h00. Depois, a prova de Alvarinho custa apenas €3,00, o que é francamente barato para a qualidade do vinho. Se quiser experimentar a aguardente bagaceira (€3,50) ou a aguardente vínica velha (€5,50), recomendo a vínica velha, que é surpreendentemente elegante.

O melhor momento da visita? A adega antiga. Há um contraste brutal entre a grandiosidade do palácio lá em cima e a simplicidade funcional da adega cá em baixo. Percebe-se que esta propriedade existe para fazer vinho, não apenas para impressionar.

Contacto: +351 251 666 129. Reservas em palaciodabrejoeira.pt.

Adega de Monção: a cooperativa que vale a pena

A Adega Cooperativa e Regional de Monção fica na Avenida da Adega Cooperativa, nº 485, em Mazedo e Cortes. É uma cooperativa, o que em Portugal pode significar qualquer coisa, mas esta é das boas. Fundada há décadas, reúne a produção de dezenas de viticultores da zona e tem um museu próprio.

As visitas duram cerca de 30 minutos e incluem o museu, a adega e a loja. Precisam de um mínimo de 5 pessoas e um máximo de 15, portanto convém ir em grupo ou combinar com outros visitantes. A reserva é obrigatória por email: [email protected].

As provas têm sete níveis de preço, de €5 a €25 por pessoa. A minha recomendação: a prova "Alvarinho" a €10, que é focada na casta e permite comparar diferentes expressões. Se quiser ir mais longe, a prova "Monção e Melgaço" a €25 é a selecção premium e vale cada cêntimo. A prova "Vinhas" a €18 é dedicada ao espumante de Alvarinho, que muita gente desconhece e que é uma surpresa excelente.

Horário: segunda a sexta, 8h30-12h30 e 14h00-18h00. Sábados, 8h30-12h30. Domingos e feriados fechado. Contacto: +351 251 656 120.

Quinta de Santiago: o Alvarinho descomplicado

A Quinta de Santiago tem uma filosofia que me agrada: "descomplicar o vinho". A visita (€7,50) inclui um passeio pelas vinhas, sala de provas moderna, adega, capela, espigueiro e museu. O destaque é a prova especial do Alvarinho de solos aluviais, que tem um perfil mineral diferente do que se encontra noutras quintas.

O terraço panorâmico é o sítio certo para acabar a visita. Com vista sobre as vinhas e o vale, é o tipo de lugar onde se bebe um copo sem pressa e se percebe porque é que o Alvarinho daqui não sabe igual ao de mais lado nenhum. Contacto: +351 917 557 883.

Como organizar o dia

A ordem que sugiro: começar de manhã no Palácio da Brejoeira (menos gente, luz bonita nos jardins), almoçar em Monção, e à tarde visitar a Adega de Monção ou a Quinta de Santiago. Fazer as três no mesmo dia é possível mas cansativo. Duas é o número certo.

Se ficar em Monção, tem tudo a menos de 15 minutos de carro. Quem vem do Porto, a viagem demora cerca de hora e meia pela A3 e A28. Também há operadores que fazem o dia completo desde o Porto, como a Walkborder (tours.com.pt), com tour privado de 8 horas a partir de €67 por pessoa para grupos de 8.

O que vestir e levar

  • Sapatos confortáveis para caminhar em vinhas e terrenos irregulares
  • Protector solar e chapéu no Verão: as visitas incluem exterior
  • No Inverno, camadas são essenciais porque as adegas são frias
  • Não usar perfume forte: interfere com a prova

Melhor altura para ir

Maio e Junho, sem dúvida. As vinhas estão verdes, o tempo é agradável e a Feira do Alvarinho de Monção costuma ser nessa altura, o que significa mais eventos e quintas abertas. Setembro também é bom, especialmente se quiser participar na vindima (algumas quintas oferecem experiências de colheita).

Dica final

Não saia de Monção sem comer. A lampreia, quando é época (Janeiro a Abril), é imperdível. Fora da época, o cabrito e o sarrabulho são as referências. E claro, tudo acompanhado de Alvarinho. Depois da prova, já sabe qual escolher.

Para quem gosta de caminhar devagar dentro das muralhas de Monção, a combinação perfeita é uma manhã de enoturismo e uma tarde de passeio pelo centro histórico. Duas faces da mesma terra.

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