Machico foi a primeira capital da Madeira, e essa frase, por si só, já deveria mudar a forma como se olha para esta cidade. Foi aqui que Zarco e Tristão Vaz Teixeira desembarcaram em Julho de 1419. Foi aqui que se celebrou a primeira missa no arquipélago. E foi daqui que, durante mais de meio século, se governou toda a ilha. O Funchal só tomou o protagonismo em 1508. Machico já tinha quase cem anos de história.
A baía e as suas duas praias
O que define Machico à primeira vista é a baía, larga, aberta, protegida por montanhas de ambos os lados. Na margem poente, a praia de São Roque mantém o calhau tradicional madeirense. Na margem nascente, a praia da Banda d'Além tem areia amarela importada de Marrocos, uma das poucas praias de areia da Madeira. Nos dias de verão, é aqui que os locais se juntam. Não espere infraestrutura de resort, espere famílias, miúdos na água, e quiosques com poncha.
O que merece atenção
A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, construída em 1499, tem um portal manuelino doado por D. Manuel I, é uma das peças de arquitectura religiosa mais notáveis em qualquer ilha atlântica. A poucos minutos a pé, a Capela de São Roque (1489, reconstruída em 1739) guarda azulejos azuis e brancos do século XVIII. O Forte de São João Baptista, do século XVIII, serve hoje como espaço cultural, e o Solar do Ribeirinho permite espreitar o interior de uma casa senhorial madeirense tradicional.
Caminhos e miradouros
Machico é porta de entrada para algumas das melhores caminhadas da ilha. A Levada dos Maroços, cerca de 6,5 km, relativamente plana, atravessa o chamado Vale das Mimosas, entre terraços agrícolas e vistas sobre a baía e o Atlântico. Mais exigente, a subida ao Pico do Facho recompensa com um panorama completo sobre a costa leste. E a Ponta de São Lourenço, a península seca e ventosa no extremo da ilha, com falésias de 180 metros sobre o mar, começa a poucos quilómetros daqui.
Quando ir e quanto tempo ficar
Um dia inteiro chega para explorar o centro histórico e uma das caminhadas. Dois dias permitem combinar praia, levada e uma ida à Ponta de São Lourenço sem pressas. Em Outubro, a Festa do Senhor dos Milagres (8 e 9 de Outubro) enche a cidade de procissões à luz de velas carregadas por pescadores, é uma das celebrações mais antigas e sentidas da Madeira, com raízes no século XVI e uma história ligada à cheia devastadora de 1803.