Pestana Churchill Bay
Dormir

Pestana Churchill Bay

O primeiro hotel do centro histórico de Câmara de Lobos ocupa a antiga Câmara Municipal e a velha lota do peixe, à beira da baía que Churchill pintou em 1950. Peça quarto virado ao mar e use-o como base, não como casulo.

O hotel que nasceu da Câmara Municipal e da lota do peixe

Há uma ironia bonita no Pestana Churchill Bay: o primeiro hotel a abrir no centro histórico de Câmara de Lobos ocupa dois edifícios que antes pertenciam à vila inteira. Um era a antiga Câmara Municipal, o outro a lota onde o peixe se vendia por grosso. Hoje, onde os pescadores descarregavam o espadarte negro de madrugada, dormem hóspedes com vista para a baía. Não é um hotel construído do zero num terreno qualquer à beira da estrada: é uma reconversão no coração da vila, na Rua da Nossa Senhora da Conceição, 17, a poucos metros do mar.

O nome não é capricho de marketing. Winston Churchill esteve aqui em janeiro de 1950, instalou o cavalete na marginal e pintou a baía e os barcos de pesca coloridos. A pintura existe, a história é verdadeira, e Câmara de Lobos nunca mais largou o senhor inglês. Se quiser perceber porque é que este recanto seduziu um primeiro-ministro a meio de uma manhã de inverno, leia o nosso guia sobre o porto de pesca que seduziu Churchill antes de chegar.

Onde fica e como chegar

Câmara de Lobos está a cerca de dez minutos de carro a oeste do Funchal, descendo pela costa. De táxi do centro do Funchal não passa de uma corrida curta; de autocarro, as carreiras da Rodoeste param na vila. Se vier de carro alugado, atenção: o centro histórico é apertado, de ruas estreitas e calçada antiga, e estacionar mesmo à porta do hotel é uma missão. Há parques nas redondezas, mas confirme diretamente com a recepção qual a melhor opção no dia. O hotel fica encostado ao porto, por isso a chegada faz-se quase sempre a pé nos últimos metros, mala às solavancos pela calçada. Faz parte.

A localização é o trunfo. Sai-se à rua e está-se dentro da vila a sério, não numa bolha turística. À porta tem o cais dos barcos de pesca, as tascas onde se bebe poncha de pé ao balcão e o cheiro a maresia que não se encena. Para um primeiro contacto com o ritmo do sítio, vale a pena seguir o roteiro de 24 horas em Câmara de Lobos, que arruma poncha, peixe e porto na ordem certa.

O que esperar lá dentro

É um hotel de gama alta, na casa dos €€€, e a graça está precisamente no contraste entre os edifícios históricos e o conforto contemporâneo. A vista de baía é o argumento principal: peça um quarto virado ao mar, porque a diferença entre olhar para a água e olhar para a traseira da vila é enorme e justifica o euro a mais. A piscina e o terraço com a baía à frente são o sítio onde se percebe o que Churchill viu. Para os horários do restaurante, spa e check-in, confirme diretamente com o hotel, porque variam com a época.

Reserve com antecedência. Câmara de Lobos é pequena, a oferta de alojamento de qualidade no centro histórico é curta, e este hotel enche em época alta e nas festas. Não há código de vestuário rígido, é Madeira, anda-se à vontade, mas o restaurante de jantar pede algo mais arrumado do que chinelos e fato de banho. Reservas, tarifas e disponibilidade tratam-se pelo site oficial em pestana.com ou pelo telefone +351 291 146 440.

O conselho do local: use o hotel como base, não como casulo

O erro de muita gente é instalar-se num bom hotel e não voltar a sair. Aqui seria um desperdício. A escassos minutos a pé tem a melhor poncha da ilha servida com sotaque, e o sítio para a beber é o Bar Number Two, uma instituição local onde a mistura se faz à frente do cliente com o mexelote de madeira. Vá ao fim da tarde, peça a de maracujá se gostar de ácido, e não conte os copos.

Para uma escapadela mais longa, apanhe um barco ou o teleférico até à Fajã dos Padres, uma faixa de terra encravada entre a falésia e o mar onde se cultivam frutas tropicais e se almoça com os pés quase dentro de água. É das experiências mais bonitas da costa sul e dá um dia inteiro bem passado.

Se procura alternativa de alojamento com outro registo, mais campestre e afastado do cais, a Quinta da Saraiva joga noutro campeonato: jardim, quietude e vista de longe sobre a vila. Mas se o que quer é acordar com o porto à janela e sair direto para a vida da vila, o Pestana Churchill Bay ganha por localização.

Quando ir

A vila vive os seus melhores dias em junho, com as Festas de São Pedro, o santo padroeiro dos pescadores, com arraial, música e a marginal cheia. É um espetáculo, mas é também quando os quartos voam e os preços sobem, por isso reserve com meses de antecedência. Quem prefere a vila em modo mais jovem e animado deve atentar à Semana da Juventude. Para quem vem pelo mar e pelas ondas, o nosso guia sobre surf e onde ver as ondas explica os melhores pontos da costa.

No fim de contas, o que torna este hotel diferente não é o luxo, que se encontra em muitos sítios da Madeira. É estar literalmente dentro da história da vila, no edifício onde a câmara deliberava e o peixe se leiloava, à beira da água que um homem com charuto achou digna de pintar. Vale a pena dormir aqui só por isso.