Bar Number Two - É Prá Poncha
No Largo do Poço, em plena vila piscatória de Câmara de Lobos, o Bar Number Two serve poncha como ela deve ser: forte, barata e sem cerimónias. O tipo de sítio onde dois copos resolvem a tarde e três resolvem a noite.
O Bar que Não Precisa de Nome Bonito
O Bar Number Two fica no Largo do Poço nº 2, mesmo no centro da vila piscatória de Câmara de Lobos, e se precisar de mais indicações do que isso, provavelmente não está no sítio certo. A porta é estreita, o espaço é pequeno, e o cheiro a poncha fresca mistura-se com a maresia que sobe do porto. Não há menu plastificado com fotografias. Não há playlist curada. Há poncha, há conversa, e há um balcão onde gerações de madeirenses já se encostaram.
O nome oficial inclui "É Prá Poncha", e é exactamente isso que deve fazer quando entrar. A poncha tradicional madeirense, feita com aguardente de cana-de-açúcar, mel de abelha e sumo de limão, batida com o caralhinho (o pau de madeira que é tão importante quanto os ingredientes), é a razão de ser deste sítio. Peça a regional, que é a original, antes de se aventurar nas variações com maracujá, tangerina ou frutos silvestres. Se vier com sede e sem preconceitos, vai perceber porque é que a poncha é a bebida não-oficial da Madeira.
O Sítio e a Atmosfera
Câmara de Lobos é a vila que seduziu Churchill a ponto de ele a pintar, e continua a ser um porto de pesca a sério, com barcos coloridos encalhados na baía e pescadores a remendar redes de manhã cedo. O Bar Number Two está plantado nesse cenário, a poucos passos do cais. O Largo do Poço é uma praceta pequena, fácil de encontrar se caminhar em direcção ao porto desde a estrada principal.
Por dentro, não espere design de interiores. Espere paredes com história, garrafas alinhadas atrás do balcão, e uma informalidade que desarma. É o tipo de sítio onde um turista alemão pode acabar a brindar com um pescador reformado sem que nenhum dos dois ache estranho. A categoria de preço é €, o que na prática significa que uma poncha custa pouco mais do que um café em Lisboa. Para quem quer comparar as melhores tascas de poncha da zona, este é um dos endereços obrigatórios.
O Que Pedir (e o Que Saber)
A poncha regional é o ponto de partida. É forte, não se deixe enganar pelo sabor adocicado. Duas bastam para sentir os efeitos, três e vai querer contar histórias a estranhos. As variações com fruta são populares e legítimas, mas comece pela clássica para perceber a base antes de experimentar as outras.
Se tiver fome, não venha para cá à espera de uma refeição completa. Isto é um bar de poncha, não um restaurante. Câmara de Lobos tem óptimos sítios para comer peixe-espada preto e lapas, trate das coisas por ordem.
Dicas Práticas
- Reservas? Não. Chega-se, entra-se, pede-se.
- Dinheiro: leve cash por precaução, embora muitos bares da zona já aceitem cartão. Confirme directamente ligando para o +351 291 942 554.
- Horário: não há horário publicado online. A regra geral nos bares de poncha de Câmara de Lobos é que abrem ao final da manhã e fecham quando a noite manda. Confirme antes de ir, especialmente fora da época alta.
- Código de vestuário: venha como está. Chinelos, calções, roupa de trilho, ninguém vai olhar duas vezes.
- Como chegar: autocarros urbanos do Funchal (linha 1, 2 ou 4 da Horários do Funchal) deixam-no em Câmara de Lobos em 15-20 minutos. De carro, há parques nas imediações, mas no verão prepare-se para dar voltas.
O Veredicto
O Bar Number Two não tenta ser outra coisa. Não tem conta de Instagram profissional, não tem cocktails com espuma, não tem DJ aos fins-de-semana. Tem poncha bem feita, preços honestos e o tipo de autenticidade que não se compra, porque ninguém aqui está a pensar em vendê-la. Se está na Madeira e quer beber poncha onde ela faz sentido, no meio de uma vila piscatória com séculos de história, é aqui que deve vir. Pode consultar a página de Facebook para eventuais actualizações.