Câmara de Lobos

Porto de pesca real onde se bebe a melhor poncha da Madeira e se come peixe-espada preto pescado horas antes. Churchill ficou duas semanas a pintar a baía, meio dia chega para perceber porquê.

Câmara de Lobos é, antes de mais, um porto de pesca a funcionar. As traineiras de cores garridas encostadas ao cais não estão ali para decoração, saem ao mar pela madrugada atrás de peixe-espada preto, e ao fim da tarde os pescadores ainda estendem redes junto à baía. É esta rotina, visível e real, que distingue Câmara de Lobos de qualquer miradouro bonito da Madeira.

O que fazer em Câmara de Lobos

O centro concentra-se à volta do pequeno porto. A partir daí, sobem ruelas estreitas com casas de fachadas coloridas até à Igreja de São Sebastião, do século XV. O percurso é curto, em meia hora a pé percorre-se o essencial, mas é o tipo de sítio onde compensa sentar e ficar. Churchill percebeu isso em 1950, quando montou o cavalete exactamente junto à baía para pintar a vista que hoje tem uma placa comemorativa.

A poucos quilómetros, o Cabo Girão oferece uma das vistas mais verticais da Europa: um skywalk de vidro a 580 metros sobre o mar. Vale a deslocação, mas o melhor de Câmara de Lobos está em baixo, não em cima.

O que comer e beber

Câmara de Lobos é a capital da poncha na Madeira, a bebida feita com aguardente de cana, mel de abelha e limão que os pescadores sempre beberam antes e depois do mar. Há quem diga que a melhor se bebe nos bares pequenos junto ao porto, sem placa nem menu turístico. A espetada madeirense, carne de vaca em espeto de pau de louro, grelhada sobre brasas, é o outro pilar gastronómico, servida em praticamente todos os restaurantes da zona.

O peixe-espada preto frito com banana, prato que define a cozinha madeirense, aparece aqui com a frescura de quem o pescou horas antes. É uma diferença que se nota.

Quando ir e quanto tempo ficar

Meio dia chega para conhecer o centro e almoçar bem. Quem quiser combinar com o Cabo Girão e um passeio pela levada do Norte, pode facilmente preencher um dia inteiro. Ao fim da tarde, quando os barcos regressam e a luz baixa sobre a baía, Câmara de Lobos mostra porque é que Churchill largou ali os pincéis durante duas semanas. Não é preciso pintar, basta uma poncha e uma mesa com vista para o porto.