Praia dos Galapinhos
Setúbal
Setúbal é a porta de entrada para as praias da Arrábida e a capital do choco frito, mas o Mercado do Livramento e o estuário do Sado fazem da cidade mais do que uma paragem a caminho da praia. Dois dias é o mínimo para lhe fazer justiça.
Setúbal não é apenas a irmã operária de Lisboa; é um destino gastronómico e cultural vibrante que exige ser explorado a pé, do Mercado do Livramento às tabernas do Troino.
Setúbal não pede desculpa pela sua crueza. Entre o aroma a sardinha assada na Baixa e o caos fascinante do Mercado do Livramento, descobrimos uma cidade que é o antídoto perfeito para a Lisboa turística. Prepare o estômago para o melhor choco frito do mundo e o olhar para a imensidão azul da Arrábida.
Setúbal não se penteia para as visitas, e é aí que reside o seu valor. Descubra como comer o melhor choco frito no Bairro do Troino e aceder às águas cristalinas da Arrábida sem gastar uma fortuna em estacionamento ou tours de luxo.
Em Setúbal, o café não é um acessório de lifestyle, é um rito de passagem. Descubra onde encontrar o melhor 'Esse de Setúbal', as queijadas que fazem sombra às de Sintra e o balcão onde o peixe e a cafeína se cruzam no Mercado do Livramento.
Setúbal é uma cidade que vive entre o rio e a serra, e não pede desculpa por nenhum dos dois. O Sado abre-se largo à frente, a Arrábida fecha-se nas costas como uma muralha verde, e no meio fica uma cidade de trabalho, de pescadores, de mercados, de gente que come choco frito ao almoço sem precisar de justificação gastronómica.
A maioria dos visitantes passa por Setúbal a caminho das praias da Arrábida, e isso é um erro. A cidade em si tem uma personalidade que se sente logo na Avenida Luísa Todi, no Mercado do Livramento, considerado um dos melhores mercados de peixe da Europa, e nos cafés da Praça de Bocage, onde o ritmo é deliberadamente lento. Setúbal não está a tentar ser Lisboa. Está a tentar ser Setúbal, e consegue.
Choco frito. Sempre choco frito. Setúbal é a capital portuguesa do choco e qualquer restaurante decente na zona do centro o serve bem, panado fino, interior tenro, com batatas fritas e salada. Depois, as conservas de peixe e o moscatel de Setúbal, o vinho doce da região que acompanha bem uma tarde sem pressa. No Mercado do Livramento, vale ir de manhã cedo para ver a bancada do peixe fresco e comer qualquer coisa no bar do mercado.
As praias da Arrábida, Figueirinha, Galapinhos, Creiro, são das melhores do país, com água transparente que não parece possível a meia hora de Lisboa. No verão, o acesso de carro é restrito e convém ir cedo ou usar os shuttles. Fora de época, entre setembro e outubro, a água ainda está boa e a serra fica quase só para quem lá vai a pé. O Parque Natural da Arrábida tem trilhos bem marcados com vistas que justificam o esforço.
Dois dias é o mínimo honesto: um para a cidade, o mercado e a comida; outro para a serra e as praias. Quem tiver mais tempo pode atravessar o Sado de ferry até Tróia, onde a península de areia branca e as ruínas romanas de Cetóbriga acrescentam outra camada à visita. A partir de Setúbal também saem barcos para observação de golfinhos no estuário do Sado, uma das poucas populações residentes de roazes na Europa.
A melhor altura para visitar é entre maio e outubro, mas setembro é o ponto ideal: menos gente, luz dourada, água ainda quente. Setúbal funciona como base para explorar toda a costa da Arrábida sem o caos de preços e multidões de Lisboa.