Setúbal

Setúbal é a porta de entrada para as praias da Arrábida e a capital do choco frito, mas o Mercado do Livramento e o estuário do Sado fazem da cidade mais do que uma paragem a caminho da praia. Dois dias é o mínimo para lhe fazer justiça.

Setúbal é uma cidade que vive entre o rio e a serra, e não pede desculpa por nenhum dos dois. O Sado abre-se largo à frente, a Arrábida fecha-se nas costas como uma muralha verde, e no meio fica uma cidade de trabalho, de pescadores, de mercados, de gente que come choco frito ao almoço sem precisar de justificação gastronómica.

O que torna Setúbal diferente

A maioria dos visitantes passa por Setúbal a caminho das praias da Arrábida, e isso é um erro. A cidade em si tem uma personalidade que se sente logo na Avenida Luísa Todi, no Mercado do Livramento, considerado um dos melhores mercados de peixe da Europa, e nos cafés da Praça de Bocage, onde o ritmo é deliberadamente lento. Setúbal não está a tentar ser Lisboa. Está a tentar ser Setúbal, e consegue.

O que comer primeiro

Choco frito. Sempre choco frito. Setúbal é a capital portuguesa do choco e qualquer restaurante decente na zona do centro o serve bem, panado fino, interior tenro, com batatas fritas e salada. Depois, as conservas de peixe e o moscatel de Setúbal, o vinho doce da região que acompanha bem uma tarde sem pressa. No Mercado do Livramento, vale ir de manhã cedo para ver a bancada do peixe fresco e comer qualquer coisa no bar do mercado.

A serra e as praias

As praias da Arrábida, Figueirinha, Galapinhos, Creiro, são das melhores do país, com água transparente que não parece possível a meia hora de Lisboa. No verão, o acesso de carro é restrito e convém ir cedo ou usar os shuttles. Fora de época, entre setembro e outubro, a água ainda está boa e a serra fica quase só para quem lá vai a pé. O Parque Natural da Arrábida tem trilhos bem marcados com vistas que justificam o esforço.

Quanto tempo ficar

Dois dias é o mínimo honesto: um para a cidade, o mercado e a comida; outro para a serra e as praias. Quem tiver mais tempo pode atravessar o Sado de ferry até Tróia, onde a península de areia branca e as ruínas romanas de Cetóbriga acrescentam outra camada à visita. A partir de Setúbal também saem barcos para observação de golfinhos no estuário do Sado, uma das poucas populações residentes de roazes na Europa.

A melhor altura para visitar é entre maio e outubro, mas setembro é o ponto ideal: menos gente, luz dourada, água ainda quente. Setúbal funciona como base para explorar toda a costa da Arrábida sem o caos de preços e multidões de Lisboa.