Santarém em Três Cafés: O Que Pedir
Três pastelarias, um roteiro a pé pelo centro histórico, e a descoberta de que Santarém tem doçaria conventual própria que a maioria de Portugal nunca provou. Comece pela fatia, acabe no prato do dia.
Santarém domina o Tejo do alto de um planalto, com igrejas góticas suficientes para justificar o título de Capital do Gótico e uma tradição gastronómica onde a sopa da pedra e os pastéis locais mandam. A menos de uma hora de Lisboa, merece dois dias sem pressa, não apenas uma paragem no miradouro.
Três pastelarias, um roteiro a pé pelo centro histórico, e a descoberta de que Santarém tem doçaria conventual própria que a maioria de Portugal nunca provou. Comece pela fatia, acabe no prato do dia.
Santarém não tem clubes até de manhã, mas tem uma feira em junho que enche o recinto todas as noites e um miradouro sobre o Tejo onde a vida noturna se mede em horas de conversa. Este guia diz onde ir e, sem rodeios, onde não vale a pena esperar mais.
Enquanto todos seguem para Fátima ou Óbidos, Santarém fica ali ao lado com a maior concentração de igrejas góticas do país e uma varanda sobre o Tejo que quase ninguém visita. Um fim de semana inteiro na cidade, entre pastelarias rivais, uma caminhada de meditação numa quinta e um almoço sem nenhum turista à mesa ao lado.
Santarém reclama o título de capital da gastronomia portuguesa, e a sopa da pedra, a morcela de arroz e os pastéis de feijão são argumentos difíceis de contestar. Um guia prático sobre o que comer, quando ir e quanto esperar pagar.
Santarém senta-se num planalto acima do Tejo com uma autoridade que poucas cidades portuguesas conseguem igualar. A vista do Miradouro de São Bento sobre a lezíria é das mais bonitas do país, mas se ficar só ali, perde o essencial. A cidade que se autoproclama Capital do Gótico tem igrejas suficientes para justificar o título, uma tradição gastronómica séria e uma relação com o campo que se sente em cada esquina.
A Igreja de Santa Clara, a Igreja da Graça com o túmulo de Pedro Álvares Cabral, o Convento de São Francisco, Santarém concentra numa área walkable um espólio gótico que rivaliza com cidades muito mais turísticas. A Igreja do Seminário, barroca, quebra o padrão e vale a entrada. O Portas do Sol, jardim instalado na antiga alcáçova árabe, é o sítio certo para começar o dia antes de descer pelas ruas do centro histórico.
Santarém não brinca com comida. A cidade é terra de sopa da pedra, almeijoada à ribatejana e morcela de arroz. Os restaurantes junto à Praça Sá da Bandeira e na Rua Capelo e Ivens servem doses generosas a preços que Lisboa já esqueceu. Não saia sem provar os pastéis de Santarém, uma massa folhada recheada com ovos que encontra nas pastelarias do centro.
Dois dias chegam para ver as igrejas, comer bem e perder-se pelas ruas sem pressa. Em Junho, a Feira Nacional de Agricultura, conhecida como Feira do Ribatejo, transforma a cidade durante dez dias com touradas, gastronomia e concertos. Se não é fã de multidões, evite essa semana. A Primavera e o início do Outono são ideais: temperaturas suaves e a lezíria no seu melhor. Santarém fica a menos de uma hora de Lisboa por comboio ou carro, o que a torna numa escapadinha fácil, mas merece mais do que uma passagem rápida.
O centro histórico tem vindo a recuperar aos poucos, com novos cafés e espaços culturais a ocupar edifícios que estiveram fechados durante anos. Não é uma cidade que se vista para turista, e é exactamente por isso que funciona.