Santarém

Santarém domina o Tejo do alto de um planalto, com igrejas góticas suficientes para justificar o título de Capital do Gótico e uma tradição gastronómica onde a sopa da pedra e os pastéis locais mandam. A menos de uma hora de Lisboa, merece dois dias sem pressa, não apenas uma paragem no miradouro.

Santarém senta-se num planalto acima do Tejo com uma autoridade que poucas cidades portuguesas conseguem igualar. A vista do Miradouro de São Bento sobre a lezíria é das mais bonitas do país, mas se ficar só ali, perde o essencial. A cidade que se autoproclama Capital do Gótico tem igrejas suficientes para justificar o título, uma tradição gastronómica séria e uma relação com o campo que se sente em cada esquina.

O Gótico que importa

A Igreja de Santa Clara, a Igreja da Graça com o túmulo de Pedro Álvares Cabral, o Convento de São Francisco, Santarém concentra numa área walkable um espólio gótico que rivaliza com cidades muito mais turísticas. A Igreja do Seminário, barroca, quebra o padrão e vale a entrada. O Portas do Sol, jardim instalado na antiga alcáçova árabe, é o sítio certo para começar o dia antes de descer pelas ruas do centro histórico.

Comer a sério

Santarém não brinca com comida. A cidade é terra de sopa da pedra, almeijoada à ribatejana e morcela de arroz. Os restaurantes junto à Praça Sá da Bandeira e na Rua Capelo e Ivens servem doses generosas a preços que Lisboa já esqueceu. Não saia sem provar os pastéis de Santarém, uma massa folhada recheada com ovos que encontra nas pastelarias do centro.

Quando ir e quanto tempo ficar

Dois dias chegam para ver as igrejas, comer bem e perder-se pelas ruas sem pressa. Em Junho, a Feira Nacional de Agricultura, conhecida como Feira do Ribatejo, transforma a cidade durante dez dias com touradas, gastronomia e concertos. Se não é fã de multidões, evite essa semana. A Primavera e o início do Outono são ideais: temperaturas suaves e a lezíria no seu melhor. Santarém fica a menos de uma hora de Lisboa por comboio ou carro, o que a torna numa escapadinha fácil, mas merece mais do que uma passagem rápida.

O centro histórico tem vindo a recuperar aos poucos, com novos cafés e espaços culturais a ocupar edifícios que estiveram fechados durante anos. Não é uma cidade que se vista para turista, e é exactamente por isso que funciona.