Surf a Partir de Santarém: Ondas para Iniciantes em Junho
Experiência

Surf a Partir de Santarém: Ondas para Iniciantes em Junho

Santarém · 2h · easy

Santarém não tem ondas, mas Ericeira está a 90 minutos pela A8. Em Junho, com aulas de grupo a 40 euros na Surf Riders & Co, Foz do Lizandro é a escolha óbvia para iniciantes. A sessão das nove da manhã faz a diferença.

Vamos ser claros logo no início: Santarém não tem ondas. A cidade fica a uns bons cinquenta quilómetros da costa, encavalitada num miradouro sobre o Tejo, e o rio que passa lá em baixo presta-se mais a contemplação do que a stand-up paddle. Mas isso não significa que não se possa partir de Santarém para uma manhã de surf decente. Significa apenas que é preciso saber para onde ir, e em Junho o destino é evidente.

Ericeira fica a uma hora e quinze minutos de carro pela A1 e A8. É a única Reserva Mundial de Surf da Europa, classificação UNESCO desde 2011, e durante o mês de Junho oferece o que qualquer iniciante quer encontrar: ondas pequenas, água a aquecer sem ainda estar morna, e multidões que ainda não chegaram ao pico de Agosto. Foram estas condições que me levaram a fazer este percurso no Verão passado, partindo de Santarém às sete da manhã com a roupa de banho debaixo da camisola e os pés ainda meio acordados.

Onde marcar: Surf Riders & Co Ericeira

Depois de testar vários nomes da vila, ficámos com a Surf Riders & Co, na Rua do Carmo, 33A, mesmo no centro de Ericeira. A escolha foi pragmática: aulas de grupo a 40 euros, pacote de cinco aulas a 175 euros, instrutores credenciados pela Federação Portuguesa de Surf, e uma estrutura logística que não obriga a calcular onde estacionar à beira-mar. Marca-se a aula com antecedência por telefone (+351 914 949 686) ou por email ([email protected]), aparece-se na loja, e o resto trata-se a partir dali.

O que distingue a escola não é o discurso sobre Ericeira, é o facto de levarem o grupo ao spot certo para o nível do dia. Em Junho costuma ser Foz do Lizandro ou São Lourenço, ambas praias com fundo de areia e ondas que não assustam quem nunca pôs os pés numa prancha. Se o swell vier maior, mudam para a Praia do Sul. É uma flexibilidade que escolas mais pequenas não conseguem oferecer.

O que esperar da aula

A aula tipo dura cerca de duas horas, divididas em três partes claras. Primeiro vinte minutos em terra a explicar segurança, a corrente de retorno, como ler o oceano, e a posicionar o corpo na prancha de espuma. Depois passa-se à prática a seco na areia, com simulações de pop-up. Só então é que se entra na água, e quem nunca o fez vai descobrir que a parte exigente não é apanhar a onda, é remar contra ela.

O melhor momento, na minha opinião, não é o primeiro stand-up, é o terceiro ou quarto. O primeiro acontece quase por acidente, com o instrutor a empurrar a prancha no momento certo. O terceiro já é nosso, e há um instante de silêncio em que se percebe que o oceano nos está a dar boleia. Vale a viagem desde Santarém só por isso.

Quando ir em Junho

A primeira quinzena de Junho é a janela ideal. A água anda à volta dos 17 graus, o que com um fato 3/2mm é confortável, e o mar costuma ter ondas de 0,5 a 1 metro, exactamente o que se quer para aprender. Evite os fins-de-semana, mesmo em Junho a costa enche, e prefira a sessão das nove da manhã. A luz nessa hora é diferente, há menos gente e o vento ainda não levantou.

Como chegar a partir de Santarém

De carro, é o caminho óbvio: A1 até Aveiras, A8 até à saída de Mafra, depois Ericeira pela EN247. Cerca de 90 minutos com tráfego normal. De transportes públicos é mais complicado: comboio CP de Santarém até Lisboa Santa Apolónia, depois autocarro Mafrense de Campo Grande até Ericeira. Dá um dia inteiro de viagem para duas horas de aula, por isso só compensa com alojamento na vila.

Para quem queira fazer o tiro de manhã e dormir em Santarém na véspera, o Santarem Hostel resolve o problema com check-out flexível. Pequeno-almoço antes da estrada na Pastelaria Bijou ou na Pastelaria de Santa Clara: bola de Berlim e café simples bem feito, sem cerimónia. Para quem precisar de algo mais substancial, o Central Café Restaurante abre cedo.

O que levar

  • Fato e prancha estão incluídos no preço da aula, não precisa de trazer.
  • Calções de banho ou fato de banho por baixo do fato isotérmico, não cuecas de algodão.
  • Toalha grossa para depois, a água sai do corpo mas não do cabelo.
  • Protector solar mineral e à prova de água. O reflexo na areia queima mesmo em dias nublados.
  • Uma muda completa de roupa, incluindo meias secas, para a viagem de regresso.
  • Garrafa de água, hidratar antes e depois faz diferença na recuperação.
  • Snack salgado para o intervalo, banana ou frutos secos resolvem.

O dia em Santarém depois do surf

Voltar a Santarém ao início da tarde, depois de duas horas no mar, dá uma fome que não se mata com bolachas. Vale a pena planear o resto do dia. Se ainda houver vontade para fazer alguma coisa, o guia sobre Santarém além do miradouro oferece um percurso a pé que se faz em meia tarde. Para quem prefira sentar-se e comer com calma, o nosso guia gastronómico da cidade separa os sítios autênticos dos que vivem de turistas distraídos.

Confirmar antes de ir

Os preços referidos foram os praticados na época da nossa visita. Confirme directamente com o operador antes de marcar, em particular o horário das sessões em dias com swell maior, que podem ser deslocadas para outra praia. A reserva por email costuma ser respondida em poucas horas durante a semana, ao fim-de-semana é melhor telefonar.

É uma manhã que justifica o despertador. Para quem está em Santarém em Junho e quer experimentar o oceano sem o caos de Agosto, esta é a versão honesta do exercício.

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