Museu Nacional de Arte Antiga
Lisboa
Em setembro a água ainda está fria, mas as praias de Lisboa esvaziam-se e o sol aguenta até meio da tarde. Da Caparica ao Guincho, passando pela Praia Grande em Sintra, eis onde nadar sem multidão, e o que fazer na cidade nos dias em que o mar não convida.
Em agosto, Lisboa cozinha e as filas dão a volta ao quarteirão. Em setembro, as máximas descem para uns confortáveis 26-27°C, os lisboetas voltam à escola e ao trabalho, e de repente há mesa livre na A Brasileira sem esperar. Este roteiro de três dias mostra como aproveitar essa janela, do Museu Nacional de Arte Antiga ao fado a sério do O Faia.
Aos 38 graus na Baixa, os lisboetas desaparecem: sabem onde há sombra, brisa e ar condicionado. Do jardim mais fresco da cidade às bifanas de balcão, este é o roteiro para sobreviver a agosto sem derreter.
Em Março a sardinha está magra e não vale o dinheiro que lhe pedem. A boa aparece entre Junho e Setembro, e há regras claras: brasa aberta, sal grosso, pão por baixo, imperial ao lado. Um guia sobre onde comer sardinha em Lisboa e porque a noite de 12 de Junho é a pior de todas.
Lisboa é uma cidade que se entende a andar. Não há atalhos, são sete colinas e nenhuma delas é opcional. O elétrico 28 está sempre cheio, mas a subida a pé pela Calçada do Combro até ao Bairro Alto recompensa com miradouros onde ninguém cobra entrada e onde o Tejo aparece sempre maior do que esperávamos.
Se tiver apenas dois dias, concentre-se entre a Baixa e Alfama. A Rua Augusta é inevitável, mas saia dela rapidamente, vire para a Rua dos Fanqueiros e suba em direção ao Castelo de São Jorge. Pelo caminho, pare num dos quiosques do Largo da Graça. O café é barato, a vista é gratuita, e não há fila.
Para comer, esqueça as tascas com menus plastificados junto à Sé. A zona do Cais do Sodré transformou-se nos últimos anos: o Mercado da Ribeira (Time Out Market) é o ponto óbvio, mas a Rua das Flores e as travessas em redor têm restaurantes onde ainda se come bacalhau à Brás feito com convicção. No bairro da Mouraria, a diversidade da oferta, das tascas tradicionais à comida moçambicana, conta a história real da cidade melhor do que qualquer museu.
O fado é incontornável, e casas como O Faia na Rua da Barroca fazem-no com seriedade. Mas Lisboa depois das 22h tem muito mais: a Pensão Amor no Cais do Sodré, os bares da Rua Nova do Carvalho (a famosa Rua Cor-de-Rosa), e no verão os terraços que abrem por toda a cidade. A noite lisboeta começa tarde e acaba ainda mais tarde.
Evite julho e agosto se puder, o calor passa dos 35°C e os preços sobem em proporção. Março a maio e setembro a outubro são os meses ideais: luz bonita, temperaturas entre 18 e 25 graus, e menos multidões nos museus. O Museu Nacional de Arte Antiga, em Santos, e a Fundação Calouste Gulbenkian, no Parque Eduardo VII, justificam uma manhã inteira cada um.
Três dias é o mínimo para não correr. Quatro ou cinco permitem incluir Belém com calma, a Torre, o Mosteiro dos Jerónimos e, sim, os pastéis de Belém na fábrica original da Rua de Belém. A fila anda depressa. Vale a pena.