A Ericeira é, antes de mais, uma vila de pescadores que acontece ter algumas das melhores ondas da Europa. Essa ordem importa. Antes dos surfistas australianos e dos nómadas digitais com portáteis nos cafés da Rua Dr. Eduardo Burnay, já havia redes estendidas no porto, já havia lota, já havia ouriços comidos com pão à beira-mar.
A vila que existe para lá do surf
Sim, a Ericeira é Reserva Mundial de Surf, uma de apenas onze no planeta. Ribeira d'Ilhas, Coxos, São Lourenço: os nomes circulam em revistas e podcasts de surf no mundo inteiro. Mas reduzir a Ericeira às ondas é como reduzir o Porto ao vinho. É verdade, mas é pouco.
O centro histórico, comprimido entre a falésia e as ruelas que descem até à Praia dos Pescadores, mantém uma escala humana que a linha de Cascais perdeu há décadas. Paredes brancas com barras azuis, roupa a secar nas varandas, o cheiro a peixe grelhado a partir das duas da tarde. Não é cenário, é que as pessoas ainda vivem aqui, e nota-se.
O que comer primeiro
Peixe grelhado, obviamente. Mas seja mais específico: peça o peixe do dia no porto, pergunte pelos ouriços quando for época (inverno e início da primavera), e não ignore o pão com chouriço das padarias locais. A Ericeira tem uma cena gastronómica que cresceu com a comunidade internacional, o Mar das Latas, por exemplo, mistura vinhos naturais com petiscos que funcionam, mas o essencial continua a ser a cozinha de mar, simples e directa.
Quando ir e quanto tempo ficar
Dois a três dias é o tempo certo. Um dia para a vila e as praias, outro para explorar a costa a pé ou de bicicleta até São Lourenço, e um terceiro se quiser surfar ou simplesmente não fazer nada com convicção. Setembro e outubro são os meses ideais: o mar ainda está acessível, os preços de verão já baixaram, e a vila respira sem a pressão de agosto.
Ao fim de semana no verão, a Ericeira enche com lisboetas, o que é compreensível, fica a menos de 40 minutos de carro. Se puder, vá durante a semana. A diferença é enorme.