As 15 Melhores Praias do Algarve para Visitar em Julho
Em julho, a diferença entre uma semana boa e uma semana frustrada no Algarve é meia hora de manhã. Este guia, escrito por quem conduz a A22 há quinze verões, atravessa quinze praias entre a Costa Vicentina e Tavira, com horas certas para chegar, preços reais e os truques que evitam os autocarros.
Vamos ser honestos: em julho, o Algarve enche. Os autocarros descarregam excursões na Marinha às 11h, o parque de estacionamento da Falésia fecha antes do almoço, e qualquer um que tente estender uma toalha no Camilo depois das 10h30 vai precisar de pedir desculpa a meia dúzia de estranhos. Escrever sobre as melhores praias do Algarve em julho é, portanto, escrever sobre estratégia. Não basta saber onde ir. É preciso saber a que horas ir, onde estacionar quando o estacionamento óbvio já não existe, e em que momento do dia uma praia famosa volta a ser respirável.
Este guia foi escrito por alguém que conduz a A22 há quinze verões e que aprendeu, à força, que a luz das 7h30 numa praia algarvia vale qualquer despertador. Em julho, a água do mar anda nos 19 ou 20 graus na costa ocidental e nos 21 a 23 na costa sul, o vento norte aperta a partir das três da tarde em Sagres, e o sol cai às 21h. Use estas variáveis a seu favor. E se procura um contraponto fora do calor, a Rota Vicentina em Ericeira oferece uma alternativa mais fresca que merece um capítulo à parte.
A regra das três faixas: barlavento, sotavento e costa vicentina
Algarve não é um sítio só. É três. Tem a Costa Vicentina a oeste, com falésias xistosas, ondas frias e ventos fortes. Tem o Barlavento, de Sagres até Albufeira, onde estão as falésias cor de mel que enchem os calendários. E tem o Sotavento, de Faro a Vila Real de Santo António, com praias de areia branca, lagunas e ilhas-barreira. Para quem vai em julho, a costa vicentina é o sítio do vento e da água gelada, o barlavento é onde se gasta uma manhã e se foge ao meio-dia, e o sotavento é onde se passa o dia inteiro sem stress.
1. Praia do Amado, Aljezur
Comece pela Costa Vicentina, pela única razão sensata em julho: o calor. Enquanto Tavira ferve a 38 graus, o Amado anda nos 24 com nortada constante. É praia de surfistas, com escola de surf, parque amplo e dois quiosques onde uma sandes de atum custa qualquer coisa entre 7 e 9 euros. Cheguem antes das 11h ou depois das 16h, evitem o vento alísio do início da tarde. Não é praia para banhos longos: a água está nos 17 a 18 graus, faz doer os tornozelos em três segundos.
2. Praia da Bordeira, Carrapateira
A poucos quilómetros do Amado, mais selvagem, com um areal enorme atravessado por uma ribeira que forma uma lagoa salgada na maré baixa. As crianças deitam-se nessa lagoa morna como em piscina natural enquanto os pais conseguem ler um livro. O acesso é por caminho de madeira sobre dunas, e o parque é de terra batida. Não há restaurante na praia, leve fruta e água. A meio caminho de regresso à aldeia, há um café com tostas decentes e cerveja gelada por menos de 5 euros.
3. Praia do Castelejo, Vila do Bispo
Areia escura, água braba, e o melhor restaurante de praia que conheço a oeste de Lagos, com peixe grelhado na hora a preços de tabela honesta. Em julho, telefonem antes para reservar. A descida de carro é por uma estrada estreita com vista para o atlântico. Ao fundo, as falésias negras contrastam com a espuma branca como num filme em preto e branco mal revelado. Banho rápido, almoço longo.
4. Praia do Beliche, Sagres
Entre Sagres e o Cabo de São Vicente, descida por escadas de madeira, falésias altas que protegem do vento norte mesmo em julho. É o sítio onde os surfistas de Sagres vêm quando o vento estraga tudo no resto da Costa Vicentina. Água fria, mas o abrigo do cabo torna a tarde suportável. Levem chapéu, levem água, não há nada no areal.
5. Praia do Tonel, Sagres
A vizinha do Beliche, mais exposta, mas com uma vantagem rara: pôr-do-sol a oeste sem cortinas. Em julho, ficam pessoas até depois das 21h só para ver o sol cair atrás do cabo. Tragam vinho, tragam casaco, tragam paciência para a subida final, são uns 80 degraus.
6. Praia da Marinha, Lagoa
Sim, a famosa. A da fotografia aérea com os arcos de calcário. Em julho é um problema, mas há um truque: estejam lá às 7h30. O parque ainda tem lugares, a luz é cor-de-laranja contra o calcário, e durante uma hora têm o areal quase só para vocês. Às 9h, comecem a subir. Saem ao mesmo tempo que os autocarros começam a chegar. Não fica para banho prolongado, fica para imagem. Para banho, prefiram a vizinha Praia de Benagil cedo, ou melhor ainda, a Praia da Cova Redonda em Porches, igualmente bonita mas menos invadida.
7. Praia do Carvalho, Lagoa
A 800 metros da Marinha, acesso por um túnel escavado na falésia, e isso por si só faz a maioria dos turistas de cruzeiro desistir. Areal pequeno, falésias enquadram o pôr-do-sol perfeitamente, e a água é mais calma porque está abrigada. Em julho, cheguem até às 10h. Não há serviço, é praia de toalha e termo. Saiam antes da maré encher.
8. Praia de Benagil
Esqueçam a gruta. Vão a Benagil pelo areal e por um pequeno-almoço no Restaurante O Beach, com vista direta para o mar. A gruta tornou-se um circo de SUPs e barcos, com filas que matam qualquer romance. Se quiserem mesmo entrar, vão de caiaque às 8h da manhã saindo da praia de Benagil, é a única forma civilizada. Aluguer ronda os 20 a 30 euros por caiaque para duas horas. Confirme localmente, os preços variam consoante a empresa.
9. Praia do Camilo, Lagos
200 degraus, conte-os à descida e prometa a si mesmo não pensar na subida até ter de a fazer. O areal divide-se em dois por um túnel curto entre falésias. Em julho, é praticamente impossível a partir das 10h. Mas se chegarem às 8h, terão quarenta minutos de luz dourada e areia ainda fresca antes do enxame. Aproveitem para um café num dos cafés da Avenida dos Descobrimentos depois, na vila de Lagos, e voltem para a praia ao final da tarde quando os autocarros já se foram.
10. Praia da Dona Ana, Lagos
Maior do que o Camilo, mais acessível, com acesso por estrada de carro e parque (que enche, claro, mas existe). É a praia onde levo família com crianças pequenas em julho porque a água é razoavelmente calma, há salva-vidas, e o restaurante na falésia serve carapaus alimados e cervejas geladas a preços decentes. Aluguer de chapéu e duas espreguiçadeiras anda nos 15 a 20 euros por dia. Em agosto pode chegar aos 25.
11. Praia da Falésia, Albufeira
Seis quilómetros de areal contínuo entre falésias vermelhas, e essa extensão é o segredo. Mesmo em julho, basta andar dez minutos a partir de qualquer dos acessos para encontrar areia vazia. O acesso Açoteias é mais calmo, o acesso Olhos de Água é mais turístico. Eu prefiro o primeiro. Há concessões com refeições rápidas, mas o melhor é levar piquenique e ficar até ao fim da tarde, quando as falésias ficam vermelhas como uma fotografia ao entardecer.
12. Praia de Vale do Lobo
Já estamos no sotavento. Areal largo, água morna, ambiente de resort, preços de resort. Se andam pelo Algarve em modo gastronómico, almocem num dos restaurantes do passeio sobre a falésia e fiquem para a tarde. Não é a praia mais original do Algarve, mas é a mais relaxada para uma família que não quer estacionamento difícil.
13. Praia da Ilha de Tavira
Aqui muda tudo. Ilha-barreira, acesso por ferry desde Tavira ou Santa Luzia. O ferry de Tavira sai do cais junto ao mercado e custa cerca de 2 a 3 euros ida-e-volta. A travessia faz parte da experiência. Na ilha, há um pequeno restaurante com peixe grelhado, há salva-vidas, e há quilómetros de areia branca para quem quiser caminhar. A água do sotavento é quente, em julho passa dos 22 graus, e o vento é menor. Levem chapéu próprio, há aluguer mas é limitado.
14. Praia do Barril, Tavira
Acesso pelo Pedras d'el Rei, com um pequeno comboio turístico que atravessa a ria. O bilhete ronda os 2 euros. À chegada, o famoso cemitério das âncoras, dezenas de âncoras antigas espetadas nas dunas, memorial à pesca do atum que aqui existiu. Restaurante decente, areal enorme, água quente. Em julho ainda dá para encontrar espaço se caminharem cinco minutos para leste a partir da concessão.
15. Praia da Ilha Deserta, Faro
O extremo do Algarve em todos os sentidos. Acesso só por barco a partir do cais de Faro, viagem de cerca de 45 minutos, custo a confirmar localmente porque varia consoante a empresa. Não há vila, não há ruído. Há um único restaurante, sustentável, com mariscos da ria Formosa, e uma duna que se estende quilómetros sem alma viva. Reservem o regresso, não há barcos a toda a hora. Levem protetor solar, uma camisa fina para ombros, e tempo. Esta praia não se faz em duas horas.
Onde dormir, onde comer entre praias
O Algarve é vasto e dormir longe das praias significa horas de carro por dia. A regra que sigo: três noites no barlavento (Lagos ou Carvoeiro como base), três no sotavento (Tavira ou Olhão). Para quem prefere um ritmo completamente diferente, com ondas frias e gastronomia de mar e terra, considere subir para a costa de Lisboa e provar a cozinha do Mar das Latas Wine & Food em Ericeira, um dos restaurantes mais interessantes do litoral oeste para quem aprecia conservas de qualidade e vinhos pouco óbvios.
Quando o calor aperta: fugas para o interior e norte
Se julho no Algarve estiver acima dos 38 graus, e em alguns dias estará, vale a pena pensar em duas ou três noites fora. Sintra é uma hora e meia de comboio desde Lisboa, fresca pela altitude e pelo arvoredo, e funciona como reset térmico. O nosso guia de bairros de Sintra ajuda a planear sem cair nas armadilhas turísticas. Para quem quiser ficar perto do litoral mas longe do Algarve, a Ericeira oferece uma alternativa óbvia, com o seu Pelourinho no centro histórico, a Igreja de São Pedro com a sua fachada característica e o Forte de Nossa Senhora da Natividade a guardar a baía. E para quem viaja em família, os doces de Mafra são uma paragem técnica obrigatória de regresso a Lisboa.
Conselhos práticos para julho
- Reserve alojamento com pelo menos dois meses de antecedência. Em julho o Algarve está cheio e o que sobra à última hora é caro e mau.
- Considere alugar carro. As praias mais bonitas não têm transporte público viável.
- Compre protetor solar 50+ em supermercado, não em loja de praia. Diferença de preço de 10 euros por embalagem.
- Almoce tarde, às 14h30, quando os menus de meio-dia já se esgotaram e os turistas de pacote já estão de regresso ao hotel.
- Beba água. Beba mais água. Em julho desidrata-se em silêncio.
- Se quiser conhecer outro lado de Portugal além do litoral, veja a nossa leitura sobre cultura local em Lisboa, útil para o regresso de avião.
A última nota
O Algarve em julho não é o Algarve de maio nem o de outubro. É uma região no seu pico turístico, com tudo o que isso implica de bom (energia, vida, restaurantes abertos até tarde) e de mau (filas, calor, preços). A diferença entre uma semana memorável e uma semana de irritação é meia hora de manhã. Acordem cedo. Almocem tarde. Façam sesta. E não tentem ver as quinze praias deste guia em sete dias. Escolham quatro ou cinco e vivam-nas com calma. O Algarve recompensa quem desacelera.