Praia do Portinho da Arrábida
Arrábida
Serra calcária a pique sobre praias de água transparente, a menos de uma hora de Lisboa. Venha fora do verão, pare em Azeitão pelo queijo e pelas tortas, e traga máscara de snorkeling.
A Arrábida não se faz num dia de praia apressado. Com dois dias, a estratégia certa e disposição para acordar cedo, conseguem ter serra, praias sem multidões e o melhor choco frito de Setúbal sem filas.
Na Arrábida, o choco frito é religião, o Queijo de Azeitão come-se à colher e o Moscatel de Setúbal merece muito mais do que um copinho ao domingo. Um roteiro pelos pratos que definem a região, de Setúbal a Sesimbra.
A Serra da Arrábida tem estradas quase sem carros, subidas até 500 metros com 13% de inclinação, e praias turquesa como recompensa. De Setúbal à Figueirinha para iniciantes, ou o grande circuito de 90 km por Palmela e Sesimbra para veteranos, há rotas para cada par de pernas.
Entre o choco fresco do Mercado do Livramento e o Queijo de Azeitão que escorre na feira mensal, a região da Arrábida oferece um dos melhores dias gastronómicos perto de Lisboa. Um roteiro com opinião sobre o que vale a pena comprar, provar e deixar na banca.
A Serra da Arrábida cai a pique sobre o Atlântico e cria algo raro na costa portuguesa: praias de água transparente protegidas por falésias calcárias cobertas de mato mediterrânico. Não é o Algarve, não é tropical, é uma costa bruta onde a serra encontra o mar sem cerimónias, e onde a cor da água muda com a luz de hora a hora.
Entre junho e setembro, a estrada que desce ao Portinho da Arrábida fecha ao trânsito particular. O acesso faz-se por shuttle ou a pé, e as praias enchem cedo. Se puder, venha em maio ou na primeira quinzena de outubro, a água já está (ou ainda está) suportável, e a serra fica só sua. Um dia inteiro é suficiente para as praias; dois dias permitem subir ao Convento da Arrábida e explorar Azeitão com calma.
A Figueirinha é a praia mais acessível, estacionamento razoável, bar de apoio, entrada suave na água. O Creiro, logo ao lado, tem menos gente e mais rocha. Já o Portinho da Arrábida é o cenário que aparece nos postais: uma baía recolhida com água que parece impossível para esta latitude. Traga máscara de snorkeling, a visibilidade junto às rochas é das melhores do país, graças à protecção do Parque Marinho Professor Luiz Saldanha.
Acima das praias, a estrada panorâmica pela serra oferece miradouros que dispensam filtros do Instagram. O Convento da Arrábida, fundado em 1542, encolhe-se na encosta como se quisesse desaparecer entre as árvores, um lugar de silêncio real, onde os frades franciscanos viviam em celas escavadas na rocha.
Não faz sentido vir à Arrábida sem parar em Azeitão, a poucos minutos serra acima. As tortas de Azeitão, rolos finos de massa folhada com creme de ovo, são o doce obrigatório, e a diferença entre uma torta boa e uma excelente nota-se. Prove o Queijo de Azeitão, cremoso e intenso, com pão e um copo de Moscatel de Setúbal. A casa José Maria da Fonseca, uma das adegas mais antigas de Portugal em actividade, oferece visitas e provas que ajudam a perceber porque é que o Moscatel desta região tem fama própria.
A Arrábida não precisa de dias a fio para se conhecer. Precisa é de ser visitada na altura certa, sem pressa, com fome e com vontade de mergulhar em água fria.