Hotel Rubi
Viseu
No Rossio de Viseu não há uma única esfera armilar à vista, e é aí que a maioria dos turistas erra o caminho. O verdadeiro manuelino, cordas de pedra e tudo, espera dez minutos colina acima, embutido nas janelas de casas particulares da Rua Direita.
A maior cidade portuguesa sem comboio é também uma das mais baratas para um fim de semana: com autocarro, uma noite de guesthouse, viriatos na Confeitaria Amaral e jantar com vinho do Dão, a conta fecha abaixo dos 100€. Fizemos as contas, paragem a paragem.
Viseu não tem comboio, e isso diz-te tudo: a Rota do Dão faz-se de carro e com calma. Um guia honesto para iniciantes, do Encruzado ao queijo da serra, com os melhores cafés e mesas da cidade pelo meio.
A cidade velha de Viseu não se faz a correr. Um guia a pé pela Rua Direita e pela Casa do Adro, com paragens obrigatórias na Confeitaria Amaral, no Café Hermínio e no Armazém do Caffè, e duas oficinas que mudam o tom do dia.
Viseu é a cidade que Lisboa esquece quando fala do interior. E talvez seja por isso que funciona tão bem. A capital da Beira Alta tem uma escala rara em Portugal, grande o suficiente para ter vida própria, pequena o suficiente para se percorrer a pé numa tarde sem pressa.
A Sé de Viseu domina o ponto mais alto da cidade velha, com o Museu Grão Vasco mesmo ao lado, um dos acervos de pintura renascentista mais importantes do país, instalado no antigo Paço dos Três Escalões. A Praça da República, que toda a gente chama Rossio, é o ponto de encontro natural. Ali desembocam ruas estreitas, esplanadas e o jardim onde os viseenses param a meio da tarde. A Rua Direita, que liga o Rossio à Sé, é o eixo que organiza tudo: comércio local, pastelarias, fachadas de granito com varandas de ferro.
Viseu está no coração da região do Dão, o que significa que o vinho tinto aqui não é acompanhamento, é protagonista. Mas a mesa vai além do copo. A vitela à lafões, o rancho à moda de Viseu e o arroz de carqueja são pratos que aparecem nos restaurantes do centro sem precisarem de tradução turística. Nas pastelarias, e Viseu leva isto a sério, o pastel de Vouzela e os viriatos são referências obrigatórias. O Armazém do Caffè, a Confeitaria Amaral e o Café Hermínio já estão no boa.pt, e há razões para isso: são sítios com história e consistência, não modas de Instagram.
Dois dias chegam para conhecer o essencial. Três se quiser incluir uma visita a quintas do Dão nos arredores ou explorar a Cava de Viriato, a estrutura octogonal misteriosa nos limites da cidade que ninguém consegue explicar com certeza, acampamento romano, fortificação medieval, as teorias variam. A Feira de São Mateus, entre Agosto e Setembro, é uma das feiras mais antigas da Península Ibérica e transforma a cidade durante semanas. Fora dessa época, Viseu tem uma calma produtiva: há gente nas ruas, cafés abertos, mas sem multidões.
A Ecopista do Dão, uma ciclovia de 49 km construída sobre a antiga linha ferroviária, começa em Viseu e segue até Santa Comba Dão. É uma das melhores infraestruturas ciclistas do país e funciona igualmente bem para caminhadas.