Viseu é a cidade que Lisboa esquece quando fala do interior. E talvez seja por isso que funciona tão bem. A capital da Beira Alta tem uma escala rara em Portugal, grande o suficiente para ter vida própria, pequena o suficiente para se percorrer a pé numa tarde sem pressa.
O centro histórico sem filtros
A Sé de Viseu domina o ponto mais alto da cidade velha, com o Museu Grão Vasco mesmo ao lado, um dos acervos de pintura renascentista mais importantes do país, instalado no antigo Paço dos Três Escalões. A Praça da República, que toda a gente chama Rossio, é o ponto de encontro natural. Ali desembocam ruas estreitas, esplanadas e o jardim onde os viseenses param a meio da tarde. A Rua Direita, que liga o Rossio à Sé, é o eixo que organiza tudo: comércio local, pastelarias, fachadas de granito com varandas de ferro.
O que se come (a sério)
Viseu está no coração da região do Dão, o que significa que o vinho tinto aqui não é acompanhamento, é protagonista. Mas a mesa vai além do copo. A vitela à lafões, o rancho à moda de Viseu e o arroz de carqueja são pratos que aparecem nos restaurantes do centro sem precisarem de tradução turística. Nas pastelarias, e Viseu leva isto a sério, o pastel de Vouzela e os viriatos são referências obrigatórias. O Armazém do Caffè, a Confeitaria Amaral e o Café Hermínio já estão no boa.pt, e há razões para isso: são sítios com história e consistência, não modas de Instagram.
Quando ir e quanto tempo ficar
Dois dias chegam para conhecer o essencial. Três se quiser incluir uma visita a quintas do Dão nos arredores ou explorar a Cava de Viriato, a estrutura octogonal misteriosa nos limites da cidade que ninguém consegue explicar com certeza, acampamento romano, fortificação medieval, as teorias variam. A Feira de São Mateus, entre Agosto e Setembro, é uma das feiras mais antigas da Península Ibérica e transforma a cidade durante semanas. Fora dessa época, Viseu tem uma calma produtiva: há gente nas ruas, cafés abertos, mas sem multidões.
A Ecopista do Dão, uma ciclovia de 49 km construída sobre a antiga linha ferroviária, começa em Viseu e segue até Santa Comba Dão. É uma das melhores infraestruturas ciclistas do país e funciona igualmente bem para caminhadas.