Viseu Por Menos de 100€: Roteiro de Fim de Semana
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Viseu Por Menos de 100€: Roteiro de Fim de Semana

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A maior cidade portuguesa sem comboio é também uma das mais baratas para um fim de semana: com autocarro, uma noite de guesthouse, viriatos na Confeitaria Amaral e jantar com vinho do Dão, a conta fecha abaixo dos 100€. Fizemos as contas, paragem a paragem.

Viseu é a maior cidade portuguesa sem comboio. Isto costuma aparecer nos artigos como queixa. Eu prefiro vê-lo como filtro: quem chega a Viseu chegou de propósito, e isso mantém os preços num registo que Lisboa e Porto já esqueceram. Um café ao balcão custa o que um café deve custar. Um almoço completo não exige negociação com o banco. E o centro histórico, todo ele granito a sério, escadinhas e ruas medievais, é gratuito de ponta a ponta.

Fiz as contas: com uma noite de alojamento, viagens de autocarro a partir do Porto ou de Coimbra, todas as refeições e ainda margem para um vinho do Dão ao fim da tarde, um fim de semana em Viseu cabe folgadamente em 100€. Não é um fim de semana de sacrifício. É um fim de semana em que a cidade simplesmente não tenta esvaziar-te a carteira. Os valores que indico são estimativas da minha experiência: confirme sempre localmente antes de viajar.

Chegar: o autocarro é a única resposta, e não faz mal

Sem estação de comboio, resta a Rede Expressos e afins. Do Porto são cerca de hora e meia; de Coimbra, menos de hora e meia também; de Lisboa, conte com três horas e pouco. Um bilhete de ida e volta a partir do Porto ou de Coimbra fica normalmente entre 15€ e 25€, dependendo da antecedência com que compra. De Lisboa sobe um pouco, mas continua dentro do orçamento se reservar cedo.

A central de camionagem fica a uns quinze minutos a pé do centro histórico. Não precisa de táxi, não precisa de aplicação nenhuma. Viseu resolve-se toda a pé, e essa é metade da razão pela qual este roteiro funciona: o único transporte que vai pagar é o autocarro para cá chegar.

Sexta à noite: chegar, pousar, comer

Alojamento é a maior fatia do orçamento. Em Viseu, uma guesthouse ou um quarto simples no centro anda entre os 35€ e os 45€ por noite fora da época alta. A exceção é o fim de agosto e o início de setembro, quando a Feira de São Mateus, uma das feiras mais antigas da Península Ibérica, enche a cidade e os preços sobem. Se o objetivo é gastar pouco, evite essas semanas. Qualquer outro fim de semana do ano, Viseu está calma e barata.

Para o jantar de sexta, não complique. Uma sopa, um prato do dia e um copo de Dão numa tasca do centro raramente passa dos 10€ ou 12€. Guarde o jantar a sério para sábado. Está em território de vitela assada à moda de Lafões e de vinhos do Dão servidos sem cerimónia: a comida boa aqui não é um evento, é o normal.

Sábado de manhã: a Sé, o Grão Vasco e um café como deve ser

Comece cedo e comece em cima. A Sé de Viseu domina a colina do centro histórico, e o adro que partilha com a Igreja da Misericórdia é dos melhores cenários urbanos do país: de um lado o granito austero da catedral com as suas duas torres, do outro a fachada clara e rococó da Misericórdia. Entrar na Sé não custa nada, e vale a pena só pelo teto: as abóbadas manuelinas com os famosos nós de pedra, cordas esculpidas em granito a atravessar a nave. Fique um minuto a olhar para cima. É disto que os postais deviam ser feitos.

Ao lado da Sé fica o Museu Nacional Grão Vasco, instalado no antigo Paço dos Três Escalões. Vasco Fernandes, o Grão Vasco, é o pintor renascentista que pôs Viseu no mapa da arte portuguesa, e o museu guarda o essencial da sua obra. A entrada custa poucos euros (confirme o valor e os horários localmente, e note que muitos museus estatais fecham à segunda-feira). Dentro do orçamento dos 100€, é provavelmente o melhor euro-por-minuto do fim de semana.

Depois do museu, desça pela Rua Direita, a artéria comercial medieval que, como manda a tradição portuguesa, é tudo menos direita. Lojas antigas, varandas de ferro, comércio de bairro que resiste. É aqui perto que entra a primeira paragem obrigatória de café: o Café Hermínio, um café de cidade no sentido clássico, onde o balcão ainda é um sítio de conversa e o café custa o que custa um café em Viseu, ou seja, quase nada. Não peça nada elaborado. Peça um café, oiça a sala, e perceba porque é que Viseu aparece sistematicamente nos rankings de melhor cidade portuguesa para viver.

A pausa doce: viriatos e a Confeitaria Amaral

Viseu tem doçaria própria e leva-a a sério. O viriato, um folhado em forma de V em honra do guerreiro lusitano, é o ex-líbris local, e as castanhas de ovos são a herança conventual da região. Para provar, a Confeitaria Amaral é a paragem certa: uma pastelaria clássica onde o doce e o café da manhã ficam por dois ou três euros. No meu roteiro, é aqui que se toma o segundo pequeno-almoço de sábado, porque um fim de semana barato não é um fim de semana sem açúcar.

Sábado à tarde: Viriato, Fontelo e o melhor jantar da viagem

A tarde é para as pernas, e é toda gratuita. Primeiro, a Cava de Viriato, a norte do centro: um recinto octogonal de taludes de terra, enorme, cuja origem exata ainda dá que falar aos historiadores, guardado pela estátua do guerreiro que dá nome ao sítio. É um passeio de meia hora que não custa um cêntimo e que nenhuma outra cidade portuguesa consegue oferecer, porque não existe nada parecido em mais lado nenhum.

Depois, o Parque do Fontelo, a antiga quinta de verão dos bispos de Viseu, hoje um parque de mata a dez minutos do centro. É o pulmão da cidade e o sítio onde os viseenses correm, namoram e passeiam cães. No Paço do Fontelo funciona o Solar do Vinho do Dão, sede da região demarcada; se estiver aberto (confirme horários localmente), é uma boa introdução aos vinhos que vai beber ao jantar.

E o jantar merece o maior investimento do fim de semana. O Armazém do Caffè é a minha escolha para a refeição principal da viagem: cozinha cuidada sem preços de cidade grande. Conte com 15€ a 25€ por pessoa consoante o apetite e o vinho, o que num orçamento de 100€ é perfeitamente absorvível se as outras refeições forem de tasca e pastelaria. Peça vinho do Dão da casa e não se arrependa de nada.

Domingo: mercado, funicular e a tentação de esticar o orçamento

O domingo de manhã pede o Mercado 2 de Maio, o antigo mercado municipal redesenhado por Álvaro Siza Vieira, hoje uma praça aberta no coração da cidade. Mesmo quando não há bancas, o espaço em si justifica a passagem: é raro ver um mercado tradicional transformado com esta elegância. Daqui, se as pernas pedirem tréguas, procure o funicular que liga a parte baixa da cidade à colina da Sé (confirme localmente se está em funcionamento e se é gratuito, como tem sido em vários períodos). Subir a Viseu antiga sem esforço, sem pagar, é o género de luxo discreto que define esta cidade.

Agora, a parte em que sou honesto: há duas formas excelentes de rebentar com o teto dos 100€ em Viseu, e ambas valem a pena se o orçamento tiver folga noutra altura. A primeira é o workshop de pintura de azulejo com o mestre António Cruz, aqui mesmo em Viseu: sai-se de lá com um azulejo pintado pelas próprias mãos, que é uma recordação infinitamente melhor do que qualquer íman de frigorífico. A segunda fica a meia hora de carro, em Penalva do Castelo: o workshop de queijo Serra da Estrela na Casa da Ínsua, onde se aprende a fazer o queijo mais importante do país. Nenhuma das duas cabe nos 100€ deste roteiro. Ambas são razão suficiente para voltar.

As contas, preto no branco

Valores aproximados por pessoa, partindo do Porto ou de Coimbra, uma noite de sábado. Confirme preços atuais antes de reservar:

  • Autocarro ida e volta: 15€ a 25€
  • Uma noite em guesthouse no centro: 35€ a 45€
  • Jantar de sexta em tasca: 10€ a 12€
  • Pequenos-almoços e doces (Café Hermínio, Confeitaria Amaral): 5€ a 7€
  • Museu Grão Vasco: poucos euros, confirme localmente
  • Jantar de sábado no Armazém do Caffè: 15€ a 25€
  • Almoços de sábado e domingo: 8€ a 10€ cada
  • Sé, Cava de Viriato, Fontelo, Mercado 2 de Maio: 0€

Total: entre 88€ e 100€ e poucos, consoante as escolhas. Se vier de Lisboa, corte no jantar de sábado ou escolha alojamento partilhado e continua a fechar a conta abaixo dos 100€.

Quando ir, e para onde ir a seguir

Viseu funciona todo o ano, mas a primavera e o início do outono são o ponto ideal: temperaturas amenas para andar a pé e a cidade no seu ritmo normal. Se gosta de fins de semana com orçamento controlado e alma de província (a alma concreta, a das pastelarias e dos mercados), temos mais roteiros no mesmo espírito: os trilhos de abril em Caldas da Rainha para quem prefere caminhar, ou, para quem quer o oposto do sossego, o nosso guia honesto da Queima das Fitas de Coimbra, que fica a uma curta viagem de autocarro daqui.

Viseu não precisa de campanha de marketing nem de fila para tirar fotografia. Precisa de um bilhete de autocarro, um par de sapatos confortáveis e duas notas de cinquenta. Uma delas volta quase inteira para casa.

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