Caldas da Rainha é uma cidade que se orgulha de ser estranha, e isso é um elogio. Fundada em 1484 porque a Rainha D. Leonor decidiu parar para tomar banho em águas termais que os locais já usavam, a cidade cresceu à volta desse hospital termal que ainda funciona hoje. É provavelmente a única cidade portuguesa cuja existência se deve a um banho.
A cerâmica que não pede desculpa
Se há uma coisa que define Caldas, é a cerâmica. E não a cerâmica bem-comportada de azulejos e santos, falamos das peças de Rafael Bordallo Pinheiro, o caricaturista do século XIX que transformou barro em sátira. O Zé Povinho, figura que toda a gente reconhece mesmo sem saber o nome, nasceu aqui. O Museu de Cerâmica, instalado num pavilhão rodeado de jardim, mostra a tradição inteira, de Bordallo aos contemporâneos. Nas lojas da Rua da Liberdade e à volta da Praça da República, encontram-se ateliers que continuam a tradição, das peças naturalistas com lagostas e folhas de couve às criações mais provocadoras.
O mercado e a Praça da Fruta
A Praça da República, que toda a gente chama Praça da Fruta, é o centro real da cidade. O mercado diário ao ar livre funciona todas as manhãs, com bancas de fruta, legumes, flores e queijos da região. Ao sábado é maior e mais caótico. É aqui que se percebe o ritmo de Caldas: uma cidade de província que não tenta ser Lisboa, com cafés de esplanada onde os velhos discutem futebol e política ao pequeno-almoço.
O que comer e quanto tempo ficar
As cavacas das Caldas, doce seco e crocante, coberto de glacê branco, são obrigatórias. Compram-se em qualquer pastelaria decente, mas a tradição manda comprá-las nas lojas junto à praça. Para refeições, a cozinha aqui é do Oeste: peixe da costa (Foz do Arelho e São Martinho do Porto ficam a minutos), leitão, e sopas fartas.
Um dia inteiro é suficiente para ver a cidade em si. Mas se juntar os miradouros da Foz do Arelho e de Salir do Porto, ambos a menos de 15 minutos de carro, e a Lagoa de Óbidos, vale a pena ficar duas noites. Caldas funciona bem como base para explorar o Oeste sem pagar os preços de Óbidos ou Peniche.
Quando ir
A primavera é ideal: o mercado está farto, a costa ainda não encheu, e a luz sobre a lagoa é impecável. No verão, Caldas aquece a sério, literal e figurativamente, com o festival de cerâmica e as festas populares. O inverno é tranquilo, o que pode ser exactamente o que procura.