Praia Fluvial da Portagem
Portalegre
Bandeira azul, areia trazida, snack-bar honesto e um Tejo largo de 200 metros que se mergulha sem hesitar. A 80 km de Portalegre, no concelho de Gavião, a Praia Fluvial do Alamal é a melhor praia de rio do distrito, desde que se vá preparado.
Antes de qualquer coisa, é preciso esclarecer um equívoco geográfico. A Praia Fluvial do Alamal não fica em Portalegre cidade. Fica no concelho de Gavião, no extremo norte do distrito, a uns 80 km da capital de distrito por estrada. Quem chega a Portalegre à espera de mergulhar no Tejo ao fim da tarde vai apanhar uma desilusão. Quem planeia bem o dia, com gasolina no depósito e sandes na mala, vai apanhar uma das melhores praias fluviais do interior português.
O Alamal está na margem esquerda do Tejo, dentro da Quinta do Alamal, código postal 6040-060, Gavião. Tem bandeira azul, o que no contexto português significa qualidade de água monitorizada e infraestruturas mínimas garantidas. É um daqueles sítios onde o rio se alarga, abranda, e deixa de parecer um rio para passar a parecer uma piscina natural com 200 metros de largura.
De Portalegre, o caminho mais directo é pela A23 até Gavião, depois EN118 até ao desvio para o Alamal, bem sinalizado. Conte com hora e meia, mais se parar em Crato ou Alter do Chão pelo caminho (e deve parar). De Lisboa são duas horas pela A1 e A23. Não há transportes públicos úteis. Sem carro, esqueça.
Se vier do Algarve ou de Lisboa para um fim de semana de praia fluvial, faz todo o sentido combinar o Alamal com uma noite em Portalegre cidade. Para isso, recomendo o Rossio Hotel se quiser ficar no centro histórico, ou a Dona Maria GuestHouse se preferir algo mais íntimo. Use o nosso guia de fim de semana em Portalegre para evitar as ratoeiras turísticas que ainda existem por ali.
É uma praia de rio, com areia de verdade trazida e mantida pelo município, zona balnear delimitada por bóias e nadador-salvador na época. A água do Tejo aqui é mais limpa do que muita gente assume: é a parte ainda alta do rio, antes de Vila Velha de Ródão, longe das poluições industriais a jusante. Mergulha-se sem hesitar.
O complexo inclui zona de relvado para toalhas, parque de merendas com mesas e churrasqueiras, parque de campismo, snack-bar, balneários, casas de banho e o Centro de Actividades Náuticas do Alamal, que aluga canoas, caiaques, kayaks e organiza descidas do Tejo. É o tipo de sítio que funciona tão bem para uma família com miúdos pequenos como para um grupo de vinte-e-tais que quer remar até Belver e voltar de boleia.
Entrada gratuita. O parque de estacionamento é amplo e também gratuito. Em termos de bolso, o Alamal entra na categoria "€": vai gastar dinheiro se quiser alugar canoa ou comer no snack-bar, e pouco mais. Horário de balneário e nadador-salvador segue a época balnear oficial, normalmente de Junho a meados de Setembro. Fora dessa janela, pode entrar à mesma na praia (não há cancelas), mas sem apoio.
O snack-bar é honesto, não é gourmet. Espere sandes de leitão, pregos no pão, gelados industriais, cervejas frescas, refrigerantes. Não é para ali que se vai comer bem; é para ali que se vai não sair da praia para almoçar. A minha sugestão: traga cooler com comida feita em casa, use o parque de merendas (chegue antes das 11h para apanhar uma mesa à sombra) e use o snack-bar só para as cervejas do fim do dia.
O Centro de Actividades é a razão pela qual o Alamal merece mais do que uma tarde. A descida em canoa até à Barragem de Belver, com paragem em praias quase desertas pelo caminho, é uma das melhores experiências de Verão do interior português. Reserve com antecedência por telefone, +351 241 631 221, sobretudo aos fins-de-semana de Julho e Agosto. A descida demora a maior parte do dia. Leve protector solar 50, chinelos que não se importe de molhar, e uma garrafa de água por pessoa que aguente as três horas.
Pico do verão (Julho e Agosto, fins-de-semana): cheio, ruidoso, parque cheio de tendas, snack-bar com fila. Se gosta de ambiente, vá. Se procura sossego, fuja.
Junho e meados de Setembro: o ponto ideal. Água já quente, multidões reduzidas, nadador-salvador ainda presente, snack-bar aberto. É quando eu volto sempre.
Maio e final de Setembro: arrisque-se. Água mais fria do que parece, infraestrutura a abrir ou a fechar, mas dia de semana pode ter a praia quase só para si.
Outono e inverno: vale a pena na mesma para um passeio à beira-rio, fotografia, ou um piquenique sob as oliveiras. Não conte com mais do que isso.
Se vai usar o Alamal como ponto alto de um fim-de-semana, faça uma coisa e outra. Manhã e início de tarde no rio, jantar e noite em Portalegre. A cidade está a uma hora de carro e tem mais para oferecer do que aparenta. Para passeio a pé pelos bairros que valem mesmo o tempo, siga o nosso guia a pé de Portalegre. Para jantar onde os locais comem mesmo (e não nas armadilhas do centro), o guia gastronómico resolve a questão. E se calhar no fim de semana certo de Maio, o Portalegre JazzFest dá-lhe a desculpa perfeita para esticar a estadia.
Última nota: o Alamal não é um sítio para quem procura praia luxuosa, espreguiçadeiras com serviço e cocktails. É uma praia de rio portuguesa a sério, com famílias a fazer churrasco, miúdos a saltar dos pontões, e um Tejo largo e calmo que não pede explicações. Vá, leve gelo a sério na geleira, e fique até o sol baixar atrás dos eucaliptos da margem direita. É isso.