Praia Fluvial da Ribeira da Venda
Portalegre
Capital do Alto Alentejo a 600 metros de altitude, Portalegre surpreende com o seu microclima fresco, tapeçarias artísticas únicas no mundo e uma cozinha de caça e enchidos que justifica a viagem. Dois dias bastam para conhecer a cidade, a Serra de São Mamede e ainda escapar a Marvão.
Quatro tascas familiares em Portalegre que fazem açorda alentejana como deve ser, com poejo da serra de São Mamede, pão alentejano e ovo caseiro. Opiniões honestas, preços a rondar os sete euros, e os erros que vais cometer se não leres isto antes.
O Museu da Tapeçaria Guy Fino é razão suficiente para ir a Portalegre, mas a cidade tem mais para oferecer, e um museu que pode dispensar sem remorsos. Guia honesto aos museus que valem o seu tempo no Alto Alentejo.
Em Portalegre, o menu do dia custa menos de 12 euros e inclui migas de porco preto feitas por quem ainda cria os seus próprios animais. Num Alentejo sem turistas a mais, a mesa é honesta, e isso faz toda a diferença.
Portalegre não tem praia, não tem aeroporto, e o comboio mais próximo pára em Elvas. Mas tem bairros medievais com marcas da antiga judiaria, um museu de tapeçarias que rivaliza com qualquer galeria de Lisboa, e tascas onde o almoço com vinho fica abaixo dos 15 euros.
Portalegre fica no ponto mais alto do Alentejo, encostada à Serra de São Mamede, e isso muda tudo. Enquanto o resto da região se espalha em planícies secas e sobreiros, aqui há altitude, ar fresco e uma vegetação que surpreende quem espera só a paisagem alentejana habitual. A cidade está a pouco mais de duas horas de Lisboa, mas recebe uma fração dos visitantes que vão a Évora, o que, francamente, é parte do interesse.
A manufatura de tapeçarias é o grande cartão de visita. Desde 1946, quando Guy Fino e Manuel do Carmo Peixeiro inventaram o "Ponto de Portalegre", a cidade produz tapeçarias artísticas feitas inteiramente à mão, a partir de pinturas de artistas como Almada Negreiros e Vieira da Silva. O Museu da Tapeçaria Guy Fino mostra uma selecção dessas peças e explica o processo, incluindo a paleta de 7000 cores de fio usadas. É um museu pequeno, mas denso, e vale a visita.
O centro histórico organiza-se à volta da Sé Catedral, começada em 1556, com a sua mistura de Renascimento e Barroco. A poucos minutos a pé, a Casa-Museu José Régio guarda a colecção pessoal do escritor, uma acumulação obsessiva de arte sacra popular que diz tanto sobre o coleccionador como sobre o Alentejo profundo. O Castelo medieval, embora em parte arruinado, oferece das melhores vistas sobre a cidade e a planície em redor.
A cozinha de Portalegre é Alto Alentejo a sério: carnes de caça, migas com carne de porco, lacão assado no forno, sopas de tomate e açordas. Os enchidos locais, chouriço, farinheira, painho, são dos melhores da região. Nos doces, as queijadas de Portalegre e a sericaia com canela são obrigatórias. O queijo e o mel da Serra de São Mamede completam a mesa.
Dois dias chegam para conhecer a cidade com calma e ainda fazer uma caminhada no Parque Natural da Serra de São Mamede. A Primavera é ideal, temperaturas amenas, a serra verde. O Verão pode ser quente, mas a altitude de Portalegre (cerca de 600 metros) torna-o mais suportável do que no resto do Alentejo. Se tiver tempo extra, Marvão fica a 25 minutos de carro e justifica o desvio.