Praia Fluvial do Alamal
Portalegre
Um troço do rio Sever transformado em zona balnear, com três piscinas em alternativa e o castelo de Marvão pendurado num rochedo por cima da sua toalha. Vá cedo, traga sapatilhas de água, e saiba que tecnicamente isto fica em Marvão, não em Portalegre.
A Praia Fluvial da Portagem fica na R. da Ponte Romana 3, 7330 Portagem, no concelho de Marvão, e a primeira coisa a saber é esta: tecnicamente está em Marvão, não em Portalegre cidade. São cerca de 20 minutos de carro desde a capital de distrito, subindo a N359 em direção à serra de São Mamede. Vale a pena dizer-lhe isto já, porque há quem chegue ao GPS a praguejar contra a estrada estreita. Não pragueje. A estrada faz parte do programa.
Não é uma praia no sentido atlântico do termo. É um troço do rio Sever transformado em zona balnear, integrado num complexo de lazer que inclui três piscinas exteriores e balneários. Ou seja: tem o rio para quem gosta de água fria a sério, e tem piscinas para quem prefere fundo de cimento e a certeza de não pisar uma pedra escorregadia. A entrada na zona do rio é gratuita; o acesso às piscinas é pago e a tarifa é simbólica, dentro da categoria €. Leve dinheiro: em zonas rurais do Alentejo, o multibanco nem sempre é amigo.
O cenário é o argumento principal. Está sentado numa toalha, olha para cima, e tem o castelo de Marvão pendurado num rochedo a 800 e tal metros de altitude. É uma daquelas vistas que, em vez de fotografar, dá vontade de mandar uma mensagem a alguém a dizer "estou aqui". Faça isso. As fotos saem sempre mal.
De carro é a única forma sensata. De Portalegre, siga pela N359 em direção a Marvão; a Portagem fica antes de subir a serra propriamente dita, num pequeno aglomerado em torno da ponte romana que dá nome à rua. Sim, a ponte é mesmo de origem romana, e atravessa-se a pé em meio minuto.
O autocarro de carreira existe mas é pouco frequente e não foi pensado para banhistas. Se está sem carro, considere ficar uma noite em Portalegre, no Rossio Hotel ou na Dona Maria GuestHouse, e combinar com um táxi local. Em alternativa, há quem alugue bicicleta, mas avisa-se: o regresso é a subir.
Quanto a quando ir: julho e agosto enchem. Fim de semana de agosto ao meio-dia é a definição de "não vale a pena". Vá em junho, vá em setembro, vá num dia de semana, vá às nove da manhã ou depois das cinco da tarde. A água do Sever é fresca, e há sombra natural debaixo dos freixos e amieiros junto à margem.
Praia de rio é um plano de meio-dia, não de dia inteiro. Aproveite o facto de estar na Portagem para subir a Marvão (a vila, dentro das muralhas) ao fim da tarde, quando os autocarros de turismo já se foram embora e a luz fica cor de tijolo. São dez minutos de carro a subir uma estrada sinuosa que, em si, já é programa.
Se está a montar um fim de semana em condições, leia o nosso guia honesto de Portalegre e o roteiro a pé pelos bairros da cidade. Para jantar a sério no regresso, o guia gastronómico diz onde os locais comem.
A pergunta surge sempre: vale mais a Portagem ou o Alamal, em Gavião? São experiências diferentes. O Alamal é mais largo, tem mais areia, é mais "praia". A Portagem é mais íntima, mais sombra, mais montanha. Se tem miúdos pequenos e quer areia, vá ao Alamal. Se quer cenário de cinema e piscinas em alternativa quando o rio está cheio de gente, fique na Portagem.
Não é uma praia para passar férias de uma semana. É uma paragem certeira para um dia, ou meio dia, num itinerário pelo norte alentejano. A combinação de rio, piscinas e vista do castelo é genuinamente boa, e a categoria de preço (€) torna isto um dos planos mais baratos do verão alentejano. Vá cedo, traga sapatilhas de água, almoce na esplanada, e esteja na Marvão alta às seis da tarde. É o programa.