Praia Fluvial do Alamal
Portalegre
Água de nascente fria mesmo em agosto, parque de merendas com churrasqueiras públicas e um snack-bar onde a sandes custa menos que o estacionamento numa praia algarvia. A Praia Fluvial da Ribeira da Venda, em Comenda, é o plano de verão alentejano que a maioria dos turistas ainda não descobriu, e ainda bem.
A Praia Fluvial da Ribeira da Venda não é Comporta. Não tem bar de cocktails, não tem DJ ao pôr-do-sol, não tem ninguém a vender-te uma toalha de 80€. Tem água de nascente que corre fria mesmo em agosto, uma piscina pequena para crianças, um parque de merendas debaixo de sobreiros e um snack-bar onde uma sandes de queijo custa menos do que o estacionamento de qualquer praia algarvia. Para mim, isto é exatamente o ponto.
O endereço oficial é Ribeira da Venda, Comenda, 6040 Gavião. Estás no concelho de Gavião, no Alto Alentejo, a meio caminho entre Abrantes e Portalegre, perto da fronteira com o distrito de Santarém. Comenda é uma aldeia pequena, daquelas que se atravessam em dois minutos se não estiveres com atenção, e a praia fluvial fica nos arredores, sinalizada a partir do centro.
De carro, vens pela A23 (saída Gavião) ou pela N118 se vieres do lado do Tejo. De Portalegre são cerca de 50 minutos, de Lisboa pouco mais de duas horas. Não há transporte público que sirva o local de forma decente, portanto carro próprio ou boleia. O estacionamento é gratuito e em terra batida, sob as árvores: chega cedo num fim-de-semana de julho ou agosto, porque às 11h00 já está cheio e vais acabar a estacionar a 300 metros, ao sol.
A ribeira é alimentada por nascentes, o que faz toda a diferença. A água é limpa, transparente, e mantém-se fresca mesmo nos dias em que o termómetro em Gavião marca 40 graus. Há uma zona represada para banhos de adultos, com fundo de areia e pedra, e uma piscina infantil mais rasa e controlada para que os miúdos não corram riscos. A profundidade varia, portanto fica de olho se levas crianças pequenas.
À volta da água, o município montou aquilo que verdadeiramente faz deste sítio um plano de dia inteiro: um parque de merendas com mesas de madeira fixas, churrasqueiras públicas (sim, podes grelhar a tua febra), casas de banho, balneários, parque infantil e um snack-bar sazonal. O site da Câmara de Gavião tem o essencial, mas não publica horários do snack-bar nem da época balnear oficial, portanto confirma diretamente antes de ires fora do verão alto.
Se procuras uma praia fluvial para passar o dia com a família, esta bate de longe muitas opções mais badaladas do Alentejo. Comparada com a Praia Fluvial do Alamal, que fica no Tejo e tem zona balnear maior mas também muito mais gente, a Ribeira da Venda é mais íntima, mais sombreada e claramente mais fresca por causa da nascente. Já a Praia Fluvial da Portagem, em Marvão, tem cenário de postal com a ponte romana, mas enche-se de turistas estrangeiros em agosto. A Venda continua a ser, em grande parte, frequentada por gente da zona, que é sempre bom sinal.
Dito isto, não venhas à espera de uma praia tropical. A zona de banhos é pequena, e se chegares depois das 11h num sábado de agosto, vais lutar por sombra. O snack-bar é exatamente isso: snack-bar. Esperar mariscada é não ter percebido a proposta. Vem para uma sandes, uma cerveja, gelados para os miúdos.
Se vais até ao Alto Alentejo, faz da Ribeira da Venda uma paragem de meio-dia e dedica o resto do tempo a Portalegre. Tenho um guia de fim-de-semana sem armadilhas que te poupa as típicas tristezas de turista, e se gostas de andar a pé, o roteiro pelos bairros que valem a caminhada mostra-te a cidade fora do circuito óbvio. Para jantar, salta os restaurantes do centro histórico e vai onde os locais comem, que está tudo no guia gastronómico.
Para dormir na zona, o Rossio Hotel é a aposta urbana mais confortável, e a Dona Maria GuestHouse é boa para quem prefere casa de hóspedes com carácter. Se calhares estar na região em novembro, marca uma noite no 21º Portalegre JazzFest, que é a melhor desculpa fora de época para visitar a cidade.
Categoria de preço: €. É praticamente de graça, e essa é metade da magia. Numa altura em que passar um dia na praia tradicional custa o equivalente a um jantar, levar a família a uma praia fluvial alentejana com nascente fresca, mesas de piquenique, sombra e snack-bar é um dos melhores planos de verão que ainda existem em Portugal. Não vais publicar a foto mais espectacular do Instagram, mas vais sair de lá com a sensação rara de ter passado um dia inteiro ao ar livre sem gastar metade do salário. Para mim, isso vale qualquer postal.