Cocheira Gastro Bar
Mirandela
Capital da alheira e dona de uma das melhores mesas do Trás-os-Montes, Mirandela vive à volta do rio Tua, da ponte medieval iluminada à noite às praias fluviais no verão. Um dia chega para comer bem e subir aos miradouros; dois se quiser explorar a Rota da Oliveira.
A alheira não é um petisco qualquer: é um disfarce sefardita que se tornou património com selo IGP. Onde comê-la, quando ir, e porque é que Mirandela ganhou o título de capital do enchido fumado.
Em julho, Mirandela atinge os 38 graus à sombra e as ruas esvaziam-se ao meio-dia. O segredo não é resistir ao calor, é contorná-lo: madrugar nos miradouros, refugiar-se no Tua ao fim da tarde e jantar alheira só depois das nove.
Quando a chuva aperta em Mirandela, a cidade troca as esplanadas pelo aroma a azeite e alheiras. Descubra como os museus de arte contemporânea e as tabernas tradicionais transformam um dia cinzento numa experiência transmontana inesquecível.
Em Mirandela, o café é um ritual de sobrevivência ao calor. Dos lendários Papos de Anjo da Flor de Aveiro ao folar recheado da Pastelaria Ramos, descubra onde os locais se refugiam.
Mirandela não é o tipo de cidade que aparece nos itinerários apressados pelo norte de Portugal. Fica longe da autoestrada, encaixada no vale do rio Tua, e é precisamente por isso que mantém um ritmo próprio, mais lento, mais honesto, mais interessado em comer bem do que em impressionar quem passa. Se vem ao Trás-os-Montes e não passa por aqui, está a perder uma das melhores mesas da região.
Vamos ao óbvio primeiro: a alheira de Mirandela é uma das 7 Maravilhas da Gastronomia Portuguesa, e a cidade não deixa ninguém esquecer. A Feira da Alheira, em março, enche o Parque do Império e move uma indústria que já ultrapassa os 30 milhões de euros anuais. Mas o cardápio transmontano vai muito além do enchido. Posta de vitela na brasa, cabrito assado, feijoada à transmontana, sopa de agrião, trutas do Tua com azeite da região, a comida aqui é pesada, generosa, feita para invernos sérios. Os queijos de cabra transmontano e o Terrincho, ambos com denominação de origem, fecham qualquer refeição como deve ser.
O Tua define Mirandela. A Ponte Velha, classificada como Monumento Nacional desde 1910, liga as duas margens com arcos que datam provavelmente do final do século XV. À noite, iluminada, é o postal da cidade. O Parque do Império estende-se junto à ponte, com a fonte da Princesa do Tua ao centro e um anfiteatro ao ar livre onde decorrem eventos no verão. Nos dias quentes, a Praia Fluvial da Maravilha, onde o Tuela e o Rabaçal se encontram antes de formar o Tua, é o sítio certo para fugir ao calor transmontano.
O Museu Municipal Armindo Teixeira Lopes, instalado no Centro Cultural, reúne cerca de 500 obras, pintura, gravura, escultura, com nomes como Vieira da Silva, Júlio Pomar, Graça Morais e Almada Negreiros. É uma coleção surpreendentemente forte para uma cidade desta dimensão. Depois, os miradouros: o da Igreja de São Bento, o do Paço dos Távoras e o de Franco oferecem perspetivas diferentes sobre o vale e sobre os telhados da cidade. O próprio Paço dos Távoras, edifício barroco que hoje alberga a Câmara Municipal, vale uma paragem pela fachada e pela história da família que o mandou construir.
Um dia inteiro é suficiente para conhecer o centro, comer sem pressas e subir a um ou dois miradouros. Se quiser explorar a Rota da Oliveira ou as aldeias em redor, reserve dois dias. A melhor altura para visitar é a primavera, março pela Feira da Alheira, abril e maio pelo clima ameno e pelos campos verdes antes do calor seco do verão.