Penafiel fica a menos de uma hora do Porto, mas a maioria dos viajantes passa ao lado. É um erro. Esta cidade de granito, plantada entre os vales do Tâmega e do Douro, tem uma das maiores concentrações de património românico do Norte, e uma cena gastronómica que justifica a viagem por si só.
O que faz de Penafiel diferente
Comece pelo Castro de Monte Mozinho, no alto de um monte com vistas largas sobre o vale. É um dos maiores castros escavados da Península Ibérica, e percorrê-lo ao fim da tarde, quase sempre sem mais ninguém, é uma experiência que nenhum museu substitui. Depois, desça ao Mosteiro de Paço de Sousa, onde está o túmulo de Egas Moniz, o aio de D. Afonso Henriques e uma das figuras fundadoras de Portugal. A igreja é austera, pesada, exactamente como o românico do Norte deve ser.
Para quem colecciona igrejas pequenas, a de São Gens de Boelhe é considerada a mais pequena igreja românica de Portugal. Fica numa colina sobre o Tâmega e não precisa de mais do que quinze minutos de visita, mas o desvio vale a pena.
A mesa como argumento
Penafiel come-se bem e come-se muito. A vitela assada, servida na tábua e cortada à mesa, com arroz de forno e batata assada, é o prato de referência. O cabrito assado com arroz de forno segue logo atrás. Se vier na época certa (Janeiro a Março), há lampreia à bordalesa nos restaurantes ao longo do Tâmega. Nos doces, procure o sarrabulho doce, uma preparação com sangue de porco, mel, canela e vinho do Porto que é mais delicada do que parece, e o pão-de-ló húmido da região.
Quando ir e quanto tempo ficar
Dois dias chegam para ver o essencial. A Feira de São Martinho, entre 10 e 20 de Novembro, é o grande evento do ano: castanhas assadas, vinho novo e uma energia de festa popular genuína que atrai milhares de pessoas. Na Primavera, as Endoenças de Quinta-Feira Santa em Entre-os-Rios, com milhares de velas iluminando a vila, são um espectáculo visual raro. Penafiel é também porta de entrada para a Quinta da Aveleda, que já conhece dos vinhos mas que merece a visita pelo jardim e pela arquitectura.
Estacione no centro, caminhe pela Rua Direita, e deixe que o granito e a mesa façam o trabalho.