Jardim do Sameiro (Parque Zeferino de Oliveira)
Penafiel
Capital do românico e da boa mesa entre os vales do Tâmega e do Douro, Penafiel tem um dos maiores castros escavados da Península Ibérica e uma tradição de vitela assada que vale a viagem. A menos de uma hora do Porto, é uma base estratégica para explorar o Norte sem multidões.
Toda a gente passa por Penafiel a caminho do Douro e quase ninguém calça as botas. Erro. Do passeio plano no Parque da Cidade às descidas duras ao rio Sousa, eis os trilhos da cidade organizados por dificuldade e paisagem, com prova de vinho verde como recompensa.
O Porto despreza Penafiel pela janela do comboio, e está errado. Vinho verde a sério na Quinta da Aveleda, cabras numa torre, românico sob nova luz e um miradouro feito para não fazer nada. 24 horas ao ritmo de quem cá vive.
Esqueça o íman do galo de Barcelos. Em Penafiel, o bom souvenir é uma assadeira de louça preta saída de uma cova de fumo em Galegos da Serra, ou uma garrafa de verde escolhida a dedo na Quinta da Aveleda. Um guia honesto para trazer algo que dure.
Em Penafiel não se bebe café a passear: bebe-se ao balcão, em poucos minutos, com torrada alta e manteiga a escorrer. Um guia honesto sobre o que pedir, a que horas, e como encaixar tudo entre vinhas e jardins.
Penafiel fica a menos de uma hora do Porto, mas a maioria dos viajantes passa ao lado. É um erro. Esta cidade de granito, plantada entre os vales do Tâmega e do Douro, tem uma das maiores concentrações de património românico do Norte, e uma cena gastronómica que justifica a viagem por si só.
Comece pelo Castro de Monte Mozinho, no alto de um monte com vistas largas sobre o vale. É um dos maiores castros escavados da Península Ibérica, e percorrê-lo ao fim da tarde, quase sempre sem mais ninguém, é uma experiência que nenhum museu substitui. Depois, desça ao Mosteiro de Paço de Sousa, onde está o túmulo de Egas Moniz, o aio de D. Afonso Henriques e uma das figuras fundadoras de Portugal. A igreja é austera, pesada, exactamente como o românico do Norte deve ser.
Para quem colecciona igrejas pequenas, a de São Gens de Boelhe é considerada a mais pequena igreja românica de Portugal. Fica numa colina sobre o Tâmega e não precisa de mais do que quinze minutos de visita, mas o desvio vale a pena.
Penafiel come-se bem e come-se muito. A vitela assada, servida na tábua e cortada à mesa, com arroz de forno e batata assada, é o prato de referência. O cabrito assado com arroz de forno segue logo atrás. Se vier na época certa (Janeiro a Março), há lampreia à bordalesa nos restaurantes ao longo do Tâmega. Nos doces, procure o sarrabulho doce, uma preparação com sangue de porco, mel, canela e vinho do Porto que é mais delicada do que parece, e o pão-de-ló húmido da região.
Dois dias chegam para ver o essencial. A Feira de São Martinho, entre 10 e 20 de Novembro, é o grande evento do ano: castanhas assadas, vinho novo e uma energia de festa popular genuína que atrai milhares de pessoas. Na Primavera, as Endoenças de Quinta-Feira Santa em Entre-os-Rios, com milhares de velas iluminando a vila, são um espectáculo visual raro. Penafiel é também porta de entrada para a Quinta da Aveleda, que já conhece dos vinhos mas que merece a visita pelo jardim e pela arquitectura.
Estacione no centro, caminhe pela Rua Direita, e deixe que o granito e a mesa façam o trabalho.