Vila Viçosa: Cinco Escapadelas Que Justificam Ficar Mais Dias
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Vila Viçosa: Cinco Escapadelas Que Justificam Ficar Mais Dias

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Vila Viçosa é uma base perfeita para explorar o Alentejo central. De Borba a 10 minutos até Portalegre a uma hora, estas cinco escapadelas cobrem pedreiras de mármore, mercados centenários, fortalezas UNESCO e a serra mais bonita da região.

O problema de Vila Viçosa é que ninguém fica tempo suficiente. As pessoas vêm, veem o Paço Ducal, almoçam na praça, e seguem para Évora. O que falham é que esta vila no coração do Alentejo central é uma das melhores bases para explorar uma constelação de vilas e paisagens num raio de uma hora de carro. Se ficar três ou quatro noites, por exemplo no Alentejo Marmòris Hotel & Spa, vai perceber rapidamente que cada manhã pode começar com um destino diferente, e que cada um deles merece o dia inteiro.

Aqui ficam cinco escapadelas a partir de Vila Viçosa, organizadas da mais perto à mais longe, com indicações práticas de como lá chegar e o que fazer quando chegar.

Borba: o vinho a 10 minutos de distância

Borba fica a cerca de 8 km de Vila Viçosa. De carro, são literalmente 10 minutos pela N255. É tão perto que quase não conta como escapadela, mas merece um tratamento separado porque a maioria das pessoas passa por Borba a caminho de Estremoz sem parar. Erro.

Borba é uma vila de mármore e vinho, e o vinho é o que a distingue. A Adega Cooperativa de Borba é uma das maiores cooperativas do sul do país, e o vinho tinto DOC Borba, com predominância de Aragonez e Trincadeira, é honesto, encorpado e barato. Pode visitar a adega e provar sem marcação prévia, mas confirme localmente os horários antes de ir. Compre umas garrafas. Os preços aqui são uma fração do que pagaria em Lisboa.

Passeie pelo centro e repare nos detalhes: as ombreiras das portas em mármore, os fontanários, as igrejas. Entre Borba e Vila Viçosa, vai passar por pedreiras enormes de mármore branco. O contraste entre o branco da pedra e o castanho da terra alentejana é quase irreal. Se tiver interesse, a Rota do Mármore do Anticlinal de Estremoz liga Vila Viçosa, Borba, Estremoz e Sousel num circuito dedicado ao património da extração de mármore.

Estremoz: a torre, o mercado e os bonecos de barro

Estremoz fica a cerca de 20 km, uns 20 minutos pela N4. Se puder escolher o dia, vá ao sábado. O mercado de sábado do Rossio é um dos maiores e mais antigos de Portugal. Não é um mercado para turistas. É para gente que vem comprar queijo de ovelha, enchidos, legumes da horta, ervas, e cerâmica local. Chegue cedo, antes das 10h, quando os agricultores ainda estão a montar as bancas e o café do Rossio serve as primeiras bicas.

Depois do mercado, suba à cidade alta. A Torre das Três Coroas, com os seus 28 metros construídos inteiramente em mármore, é um dos torreões mais bonitos do país. A vista lá de cima estende-se pela planície alentejana até se perder. Se gostar de artesanato, procure os Bonecos de Estremoz, figuras de barro pintadas à mão que são Património Cultural Imaterial da UNESCO. Não compre nas lojas de souvenirs genéricos. Procure os artesãos locais, que trabalham em ateliês pequenos na zona histórica.

Para almoçar, peça ensopado de borrego ou açorda alentejana. São os pratos que definem esta zona. Não espere menus elaborados. A cozinha aqui é pão, azeite, alho, coentros, e o que a terra dá.

Sem carro, a Rodoviária do Alentejo tem autocarros de Vila Viçosa a Estremoz, mas os horários são limitados e pouco práticos para uma ida e volta no mesmo dia. Carro é quase obrigatório.

Elvas: a fortaleza que a maioria dos portugueses nunca visitou

Elvas é talvez a escapadela mais impressionante desta lista, e fica a apenas 40 km de Vila Viçosa, cerca de 35 minutos de carro. Desde 2012, as suas fortificações são Património Mundial da UNESCO: o maior sistema de fortificações abaluartadas de fosso seco do mundo. Se isto não lhe diz nada, espere até ver.

Comece pelo Aqueduto da Amoreira, que se avista antes de chegar à cidade. São 8,3 km de extensão, 843 arcos, e até 31 metros de altura. Foi construído entre o final do século XV e 1620, e continua a ser uma das obras de engenharia hidráulica mais impressionantes da Península Ibérica.

No centro histórico, a Praça da República é o ponto de partida. Arcadas, cafés com esplanada, e a antiga Sé, agora Igreja de Nossa Senhora da Assunção, com azulejos notáveis no interior. Mas o verdadeiro espetáculo está nas fortificações. O Forte de Santa Luzia e o Forte da Graça são dois dos melhores exemplos de arquitetura militar europeia. Visite pelo menos um. O Forte da Graça foi recentemente restaurado e é particularmente impressionante.

Para comer, esta é terra de sericaia com ameixas de Elvas. É uma sobremesa de ovos com canela, servida com as famosas ameixas-rainhas em calda. É doce, é pesada, e é exactamente o que se deve comer depois de subir e descer muralhas durante uma manhã. Para prato principal, peça migas com entrecosto ou carne de porco à alentejana.

A Rede Expressos opera autocarros de Estremoz a Elvas, mas a partir de Vila Viçosa a ligação directa é complicada. Mais uma vez, carro.

Serra d'Ossa: o Alentejo que não é plano

Quando se pensa no Alentejo, pensa-se em planícies. A Serra d'Ossa desmente essa ideia. Com o ponto mais alto a 650 metros, é a principal elevação da região central alentejana, e fica a menos de 30 minutos de Vila Viçosa.

Os Passadiços da Serra d'Ossa, inaugurados em 2021 na Aldeia da Serra (município de Redondo), são um percurso de cerca de 1,5 km em passadiços de madeira que serpenteia por prados, passa pelo antigo Jardim dos Monges, e sobe até uma capela no topo. É um percurso fácil, adequado para famílias, e a vista panorâmica de 360 graus no cimo justifica tudo. Num dia limpo, vê-se o castelo de Evoramonte, as planícies até Évora, e a Serra de São Mamede ao longe.

Para quem quer algo mais exigente, os trilhos guiados na Serra d'Ossa são uma excelente opção. Ter alguém local que conhece os caminhos, a flora e a história monástica do lugar transforma uma caminhada numa experiência completamente diferente. Os monges eremitas que aqui se instalaram no século IV escolheram bem: este é um dos sítios mais bonitos e silenciosos do Alentejo.

Leve água, protetor solar, e um piquenique. Não há restaurantes na serra. Volte a Vila Viçosa para jantar.

Portalegre: a cidade que merece mais do que uma tarde

Portalegre é a mais distante destas escapadelas: cerca de 76 km, uma hora de carro. Mas vale cada minuto. É a capital do Alto Alentejo, aninhada no sopé da Serra de São Mamede, e tem uma personalidade completamente diferente das vilas de mármore do sul.

Há muita coisa escrita sobre Portalegre que repete sempre os mesmos clichés. Se quer um guia honesto, leia o nosso roteiro sem armadilhas para turistas. A versão curta: Portalegre é uma cidade de palácios barrocos, fábricas de cortiça reconvertidas, e uma tradição de tapeçaria que poucos conhecem. O Museu da Tapeçaria Guy Fino é único em Portugal e merece uma visita demorada.

Se tiver tempo para caminhar, os bairros de Portalegre a pé revelam uma cidade que vive ao seu próprio ritmo. A zona da Sé, o bairro do Corro, os jardins. Não é monumental como Évora, e é por isso que funciona. Sente-se vivida, não encenada.

E depois há a comida. Os sítios onde os locais realmente comem não são os que aparecem no topo do Google. Portalegre tem uma cozinha serrana que combina influências alentejanas com o clima mais fresco da montanha. Espere borrego, caça, queijo de São Mamede, e doçaria conventual.

Se Portalegre lhe despertar o interesse (e vai despertar), considere ficar dois dias. A Serra de São Mamede, com o seu ponto mais alto a 1025 metros, tem trilhos para todos os níveis, e as vilas de Marvão e Castelo de Vide ficam a menos de 30 minutos.

Notas práticas para todas as escapadelas

Carro é essencial. Os transportes públicos no Alentejo interior existem, mas com horários escassos e pouco flexíveis. Se não trouxe carro, alugue um em Évora e conduza até Vila Viçosa. Algumas empresas de rent-a-car entregam o carro no hotel.

As estradas são boas, com pouco trânsito. A N4 liga Vila Viçosa a Estremoz e de lá acede-se facilmente à A6 para Elvas ou Évora. Para Borba, a N255 é directa. Para a Serra d'Ossa, siga para Redondo e procure indicações para a Aldeia da Serra. Para Portalegre, o caminho mais rápido é pela A6 e depois IP2 para norte.

Gasóleo ou gasolina: atenção que as gasolineiras em vilas pequenas podem fechar ao almoço ou ao fim de semana. Abasteça em Vila Viçosa ou Estremoz antes de partir.

Evite o Alentejo em pleno verão para estas escapadelas. Julho e agosto ultrapassam os 40°C com facilidade, e caminhar na Serra d'Ossa ou subir muralhas em Elvas torna-se um exercício de sobrevivência. Os melhores meses são abril, maio, setembro e outubro. Primavera tem os campos floridos; outono tem a vindima em Borba e temperaturas perfeitas.

Uma última nota: estas cinco escapadelas são apenas o início. Monsaraz, Reguengos de Monsaraz, Evoramonte, Alandroal, tudo fica a menos de uma hora. Vila Viçosa não é só uma vila bonita com um palácio. É o centro de uma região inteira que a maioria dos viajantes atravessa demasiado depressa.

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