Praias de Almada: Onde Ir e Como Fugir das Multidões
Treze quilómetros de praia e metade de Lisboa a disputar os primeiros 500 metros. A Costa da Caparica tem muito mais para oferecer se souberem onde ir. Este guia diz-vos exactamente quando chegar, que praias escolher e o que fazer em Almada quando saem da areia.
Vamos ser directos: a Costa da Caparica é uma das melhores extensões de areia na Europa. Treze quilómetros de praia, ondas consistentes, água fria mas honesta, e um pôr do sol que faz o Atlântico parecer pintado a óleo. Mas entre Junho e Setembro, metade de Lisboa atravessa a Ponte 25 de Abril para se amontoar nos primeiros 500 metros de areia. O truque não é evitar Almada. É saber exactamente onde e quando aparecer.
A geografia que ninguém vos explica
A Costa da Caparica funciona como um corredor. As praias mais a norte, junto ao centro da vila, são as mais acessíveis e, portanto, as mais lotadas. Praia de São João, Praia do CDS, Praia de Santo António: a partir das 11h de um sábado de Julho, boa sorte a encontrar um metro quadrado livre. A solução é simples: andar para sul.
A linha do Transpraia, o comboio turístico que percorre a costa durante o Verão, é a vossa melhor arma. Apanhem-no na paragem junto ao estacionamento principal e saiam nas praias com números mais altos. A Praia da Mata, a Praia da Riviera, a Praia da Bela Vista: quanto mais longe da vila, menos gente. O bilhete custa poucos euros e poupa-vos uma caminhada de meia hora debaixo do sol.
Praia da Fonte da Telha
Se querem a experiência mais afastada das multidões sem precisar de carro, a Fonte da Telha é o destino. Fica no extremo sul da Costa da Caparica, já na Arriba Fóssil, uma formação geológica protegida que impede construção descontrolada. O resultado: menos bares de praia, menos colunas de som portáteis, mais espaço. A areia é mais selvagem, o vento pode ser forte, mas é aqui que os locais vêm quando não aguentam mais o circo das praias centrais. Há estacionamento no topo da arriba e um caminho que desce até à praia. Confirme localmente as condições de acesso, porque a erosão altera os percursos.
Praias do centro: o que valem realmente
Não vou mentir: as praias centrais da Caparica têm méritos. A Praia de São João tem os melhores bares de praia, com esplanadas onde se almoça peixe grelhado com os pés na areia. A zona junto ao mercado da Costa da Caparica fervilha com peixarias e restaurantes sem pretensões. O arroz de marisco nos restaurantes da frente de praia é geralmente bom, mas paga-se o preço turístico. Se quiserem comer bem e gastar menos, entrem uma rua para dentro da vila.
O segredo para aproveitar estas praias sem perder a cabeça: cheguem antes das 9h30 ou depois das 16h30. A meio da manhã, os autocarros da TST começam a despejar gente e o caos instala-se. Ao fim da tarde, a praia esvazia, a luz fica dourada e a temperatura da água até parece mais suportável.
A Praia da CDS e o surf
A Caparica é um dos melhores spots de surf perto de Lisboa, e a Praia do CDS é o epicentro. Várias escolas de surf operam aqui durante todo o ano. Uma aula de grupo de hora e meia custa normalmente entre 25 a 40 euros, equipamento incluído. Mesmo que não façam surf, vale a pena ficar a ver: há um nível surpreendentemente bom entre os locais.
Para os surfistas com alguma experiência, as praias mais a sul, como a Praia da Riviera, oferecem menos crowd na água. Os picos são de beach break, por isso mudam com as marés e os bancos de areia, mas a consistência das ondulações de noroeste garante ondas durante quase todo o ano.
Praia de São João de Caparica: a queridinha
Esta é provavelmente a praia mais popular entre famílias e grupos de amigos. E percebe-se: a infra-estrutura é boa, há vigilância durante o Verão, os restaurantes de praia são acessíveis, e o estacionamento, embora caótico, existe. Mas é exactamente por isso que fica impossível ao fim de semana. A minha recomendação? Venham durante a semana. Uma terça ou quarta-feira de Julho em São João de Caparica é uma experiência completamente diferente de um domingo.
Para lá da areia: o que fazer em Almada quando saem da praia
É aqui que Almada surpreende. A maioria das pessoas trata a Costa da Caparica como uma extensão de Lisboa e ignora tudo o que está entre a praia e a ponte. Erro.
O centro histórico de Almada Velha, no alto da colina, tem uma vista sobre Lisboa que rivaliza com qualquer miradouro da capital. O Castelo de Almada, o que resta dele, é um passeio curto e gratuito que poucas pessoas fazem. E o Cristo Rei, claro, que dispensa apresentações. A subida ao monumento custa poucos euros e a vista dos 80 metros de altura é daquelas que justificam a visita. Confirme o preço actualizado no site oficial.
Noite em Almada: cocktails e vinho
Depois de um dia de praia, a noite em Almada tem mais carácter do que se esperaria. O Ophelia Cocktail Bar é o tipo de sítio onde o bartender sabe o que está a fazer. Cocktails de autor, ambiente cuidado, e uma lista que muda com as estações. Se preferirem vinho, o Carmen Wine Bar é a escolha certa: carta de vinhos portugueses bem seleccionada, petiscos que acompanham bem, e um ambiente descontraído que convida a ficar. E para quem quer simplesmente uma pint e um jogo de futebol na televisão, o The Corkman Irish Pub cumpre sem dramas.
Como chegar e como se mover
De Lisboa, há duas formas principais de chegar à Costa da Caparica. A primeira é de carro, pela Ponte 25 de Abril e depois pela A2/IC20. Demora cerca de 30 minutos sem trânsito, mas ao fim de semana de Verão pode facilmente duplicar. A alternativa, que recomendo, é o barco de Cais do Sodré para Cacilhas, seguido do autocarro 135 da TST até à Costa da Caparica. O percurso total demora cerca de 45 minutos a uma hora, mas evitam o pesadelo do estacionamento.
Outra opção é o autocarro 161 da Praça de Espanha directamente para a Costa da Caparica. É prático, mas ao fim de semana de Verão fica cheio.
Dentro da Costa da Caparica, o Transpraia é essencial para chegar às praias mais a sul. Opera geralmente de Junho a Setembro, mas confirmem localmente os horários e datas de funcionamento.
Quando ir: o calendário honesto
Junho é o mês ideal. Os dias são longos, a temperatura ronda os 25-28°C, e as férias escolares ainda não começaram. Julho é bom durante a semana, caótico ao fim de semana. Agosto é uma loucura completa: evitem os fins de semana a menos que gostem de multidões. Setembro é subestimado: a água está na temperatura mais quente do ano (ainda fresca, mas suportável), as multidões desaparecem, e o tempo costuma aguentar-se até meados do mês.
Para os mais aventureiros, a Costa da Caparica no Inverno tem um charme próprio. As praias ficam desertas, o mar é bravo, e os restaurantes da vila servem caldeiradas e açordas que aquecem qualquer tarde cinzenta.
Merecem o desvio
Se o dia de praia vos deixou com o corpo tenso do sol e da água salgada, considerem um dia de spa na Costa da Caparica para recuperar. E se a Costa da Caparica vos abrir o apetite por mais explorações na região de Lisboa, o nosso guia sobre a cultura local em Lisboa é um bom ponto de partida para perceber o que existe do outro lado do rio. Para quem pensa em estender a viagem, Sintra fica a uma hora de carro e o nosso guia de bairros de Sintra cobre cada recanto que vale a pena.
O resumo prático
- Melhor praia para fugir das multidões: Fonte da Telha ou qualquer praia a sul da Praia 19
- Melhor praia com infra-estrutura: São João de Caparica (mas venham durante a semana)
- Melhor hora para chegar: antes das 9h30 ou depois das 16h30
- Melhor mês: Junho ou segunda metade de Setembro
- Transporte recomendado: barco até Cacilhas + autocarro TST
- Orçamento diário estimado: transporte (5-10€), almoço na praia (12-20€ por pessoa), Transpraia (poucos euros)
Almada não precisa de marketing. Precisa que as pessoas parem de ir todas para o mesmo sítio ao mesmo tempo. Agora já sabem como fazer diferente.