Almada: As Melhores Escapadelas de Um Dia e Como Chegar
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Almada: As Melhores Escapadelas de Um Dia e Como Chegar

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De Almada, chega-se a Lisboa em dez minutos de ferry, a Sintra numa hora e meia, e à Arrábida em quarenta minutos de carro. Aqui está o guia prático para seis escapadelas de um dia, com transportes, custos e sugestões para cada destino.

Almada tem uma posição geográfica que muita gente subestima. Sentada na margem sul do Tejo, a poucos minutos de ferry de Lisboa, serve de base para algumas das melhores excursões de um dia na região. O problema é que a maioria dos visitantes trata Almada como um sítio de passagem, quando devia ser o ponto de partida. Vou explicar porquê.

Lisboa: a travessia mais curta, o dia mais cheio

O ferry de Cacilhas para o Cais do Sodré demora cerca de dez minutos e custa pouco mais de um euro com o cartão Viva Viagem. É, sem exagero, uma das melhores formas de entrar em Lisboa: a cidade aparece de frente, com a Praça do Comércio a crescer à medida que o barco se aproxima. Saia cedo, antes das nove, e aproveite a manhã para percorrer a Baixa sem multidões.

Lisboa num dia é uma proposta impossível se tentar ver tudo. O meu conselho: escolha um bairro e explore-o a fundo. Alfama de manhã, com paragem numa tasca para um prego no pão, ou o Príncipe Real ao almoço, com os seus restaurantes mais contemporâneos. Se quer ir além dos postais, o nosso guia sobre cultura local em Lisboa e os seus bairros dá-lhe um roteiro com substância.

Dica prática: o último ferry de regresso a Cacilhas sai por volta da meia-noite e meia nos dias úteis, mas confirme os horários sazonais. Não fique preso em Alfama a tentar perceber como voltar para casa.

Costa da Caparica: a praia que está ali ao lado

Não é propriamente um "day trip" quando fica a vinte minutos de autocarro, mas a Costa da Caparica merece o destaque porque muita gente em Almada ignora a extensão daquela faixa costeira. São quilómetros de areia, com praias para todos os gostos: as primeiras, junto ao centro, são mais familiares e têm bares e restaurantes ao longo do passeio; as mais afastadas, acessíveis pelo transpraia (um comboio de praia que circula no verão), são mais tranquilas.

O autocarro 124 da Carris Metropolitana liga Almada à Costa da Caparica com frequência razoável. No verão, o trânsito pode ser brutal ao fim de semana, por isso vá de manhã cedo ou, melhor ainda, numa terça ou quarta-feira.

Para quem quer transformar a ida à praia em algo mais sofisticado, vale a pena considerar uma experiência de spa na Costa da Caparica. É um bom contraponto a um dia de sal e vento. Depois de horas de praia, voltar para Almada e tomar um cocktail bem feito no Ophelia Cocktail Bar é a forma certa de acabar o dia.

Sintra: vale o esforço logístico

A partir de Almada, chegar a Sintra requer um pouco mais de planeamento. A rota mais simples: ferry até ao Cais do Sodré, comboio até ao Rossio (ou metro até ao Rossio/Martim Moniz, depois a pé), e apanhar o comboio da linha de Sintra. Conte com cerca de uma hora e meia porta a porta, mas o resultado compensa.

Sintra não precisa de apresentações, mas precisa de estratégia. Esqueça tentar ver o Palácio da Pena, a Quinta da Regaleira e o Castelo dos Mouros no mesmo dia, a não ser que goste de filas e de se sentir exausto. Escolha um ou dois pontos e passeie pelo centro histórico com calma. Coma uma travesseiro de Sintra na Piriquita (a original, na Rua das Padarias) e perca-se pelas ruelas acima do Palácio Nacional.

O nosso guia de bairros de Sintra ajuda a perceber o que fica onde e a evitar as armadilhas de turista. Leve sapatos confortáveis: Sintra é toda em subidas e descidas sobre calçada irregular.

Bilhete de comboio ida e volta Rossio-Sintra: à volta de 4,50€. Entradas nos monumentos variam entre 8€ e 14€, confirme os preços atuais nos sites oficiais.

Setúbal e Arrábida: o sul que pouca gente visita

Se Lisboa e Sintra são destinos óbvios, Setúbal é a recomendação que faço a quem já conhece o básico. A partir de Almada, são cerca de 40 minutos de carro pela A2 e depois A33. Sem carro, a TST tem autocarros diretos, mas os horários não são os mais práticos, por isso verifique antes de sair.

Setúbal é uma cidade portuária que vive do peixe. A Avenida Luísa Todi tem restaurantes onde o choco frito é servido com uma naturalidade que deixaria qualquer lisboeta com inveja. Se só vai pedir uma coisa em Setúbal, que seja choco frito. Não há discussão.

Mas o verdadeiro prémio está nos arredores. A Serra da Arrábida, que se estende entre Setúbal e Sesimbra, tem estradas sinuosas com vistas sobre o Atlântico que rivalizam com qualquer costa mediterrânica. A Praia de Galapinhos (acessível a pé por um trilho de cerca de 20 minutos) já foi eleita uma das melhores praias da Europa, e com razão. No verão, o acesso de carro à estrada junto às praias é condicionado, por isso planeie com antecedência ou vá fora de época.

Mafra: para quem gosta de dimensão

O Palácio Nacional de Mafra é um daqueles monumentos que fazem sentir a pessoa pequena, no bom sentido. É enorme. A biblioteca, com os seus 36 mil volumes do século XVIII, é uma das mais impressionantes que vai encontrar em Portugal. É Património Mundial da UNESCO desde 2019.

A partir de Almada, o caminho mais lógico é ferry até Lisboa e depois autocarro da Mafrense (saída do Campo Grande) ou carro pela A8. Conte com uma hora e meia a duas horas dependendo do trânsito. Se for na época da Páscoa, vale a pena explorar as tradições de doçaria pascal em Mafra, que são mais ricas do que a maioria das pessoas imagina.

A vila de Mafra em si é pequena e percorre-se a pé numa tarde. Reserve duas a três horas para o palácio e convento.

Sesimbra: a alternativa à Costa da Caparica

Quando a Costa da Caparica está a abarrotar, Sesimbra oferece uma alternativa com mais carácter. É uma vila piscatória com uma praia abrigada, um castelo mouro no alto da colina, e restaurantes de peixe grelhado onde o prato do dia depende literalmente do que entrou naquele barco de manhã.

De carro, a partir de Almada, são cerca de 30 minutos pela N378. De transportes públicos é mais complicado: a TST tem o autocarro 207 desde Cacilhas, mas demora mais e os horários são limitados. Para Sesimbra, ter carro faz diferença.

Chegue antes do almoço, coma na zona do porto (peça peixe grelhado, o que houver fresco, e uma garrafa de vinho branco da região), e depois suba ao Castelo de Sesimbra a pé. A vista compensa a subida.

De volta a Almada: a noite é sua

Uma das vantagens de usar Almada como base é que, ao final do dia, pode trocar os sapatos de turista por algo mais descontraído. A cidade tem uma cena de bares que cresce devagar mas com qualidade.

O Carmen Wine Bar é o sítio certo para quem quer um copo de vinho português bem escolhido depois de um dia em Sintra ou Setúbal. Se preferir algo mais informal, com cervejas artesanais e ambiente descontraído, o The Corkman Irish Pub cumpre sem pretensões.

Almada não tenta competir com Lisboa em termos de vida noturna. E ainda bem. É o tipo de sítio onde se termina o dia em sossego, a planear a escapadela do dia seguinte.

Notas práticas para todas as viagens

  • Cartão Viva Viagem: carregue-o na estação de Cacilhas. Funciona em ferries, comboios, metro e autocarros da Carris Metropolitana.
  • Carro: se planeia ir a Arrábida ou Sesimbra, alugue um carro. Os transportes públicos existem, mas limitam muito o que se consegue ver num dia.
  • Horários: confirme sempre os horários dos transportes nos sites oficiais da Fertagus, Transtejo e Carris Metropolitana, especialmente ao fim de semana.
  • Manhãs: saia cedo. Para qualquer um destes destinos, partir antes das 9h faz a diferença entre uma experiência agradável e uma batalha com multidões, especialmente de maio a setembro.
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