Almada: As Melhores Escapadelas de Um Dia e Como Chegar
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Almada: As Melhores Escapadelas de Um Dia e Como Chegar

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Almada é a base perfeita para explorar meia dúzia de destinos a menos de hora e meia: de Sintra a Sesimbra, da Arrábida a Mafra. Ferry para Lisboa em dez minutos, praias da Caparica ao virar da esquina, e bares decentes para fechar a noite quando voltas.

Almada tem uma posição geográfica invejável. Do lado de cá do Tejo, com a ponte 25 de Abril a ligar-te a Lisboa em menos de quinze minutos, e a costa atlântica a começar ali ao lado, na Caparica. Mas o que muita gente não percebe é que Almada é uma base perfeita para explorar meia dúzia de destinos extraordinários, todos a menos de hora e meia. E ao final do dia, voltas para a margem sul, onde os preços são mais simpáticos e a cerveja sabe melhor com vista para o rio.

Aqui vai o roteiro honesto: os sítios que valem mesmo a pena, como lá chegar sem stress, e o que fazer quando voltas a casa.

Lisboa: a travessia mais curta, o dia mais longo

Vamos ao óbvio primeiro. Lisboa está ali, do outro lado. O ferry de Cacilhas para o Cais do Sodré demora cerca de dez minutos e custa pouco mais de um euro com o cartão Navegante. É a melhor forma de chegar: evitas o trânsito da ponte, tens vista para a cidade toda durante a travessia, e desembarcas no centro.

Mas não faças o circuito turístico habitual. Se já viste o Castelo e Belém, mergulha nos bairros com mais personalidade. A Mouraria continua a ser o sítio mais autêntico de Lisboa, com as mercearias indianas na Rua do Benformoso e o fado que se ouve a sair dos restaurantes ao almoço. Alfama ao domingo de manhã, com a Feira da Ladra, é outra coisa. E o nosso guia sobre cultura local em Lisboa dá-te um roteiro completo pelos bairros que escapam ao radar do turista médio.

Dica prática: o primeiro ferry de Cacilhas sai por volta das 5h30, o último regressa perto da meia-noite. Não precisas de carro. Se quiseres jantar em Lisboa e voltar tarde, confirma os horários nesse dia.

Costa da Caparica: o dia que não exige planeamento

Tecnicamente, a Costa da Caparica nem é um day trip, é o quintal de Almada. Mas merece destaque porque há gente que vive em Almada e nunca foi além da praia de São João.

A costa estende-se por quilómetros. As primeiras praias, junto ao centro da Caparica, são as mais acessíveis e as mais cheias no verão. O truque é apanhar o transpraia, o comboio de praia que percorre a costa para sul. Quanto mais longe fores, mais espaço tens. A Praia da Mata e a Praia do Meco já são outra experiência: menos famílias, mais surfistas, bares de praia com grelhados de peixe a sério.

Para um dia diferente, experimenta o spa na Costa da Caparica. Depois de semanas a correr de um lado para o outro, um dia dedicado ao descanso com o som do Atlântico de fundo muda a perspetiva. E não, não é coisa de turista preguiçoso. É estratégico.

Chegar lá: autocarro 135 ou 124 desde Almada, ou o TST desde Cacilhas. De carro, estacionar no verão é um pesadelo. Vai de transportes.

Sintra: sim, vale a pena, mas com regras

Sintra é provavelmente o day trip mais popular a partir de qualquer ponto da Grande Lisboa, e com razão. O Palácio da Pena é absurdo de bonito, a Quinta da Regaleira parece um cenário de filme, e as ruas da vila têm uma energia própria, especialmente fora da época alta.

Mas aqui vai a verdade: entre junho e setembro, Sintra transforma-se num parque temático. Filas de hora e meia para o Palácio da Pena, tuk-tuks a buzinar nas ruas estreitas, e restaurantes a cobrar preços de aeroporto por comida medíocre. Se puderes, vai entre outubro e maio. E vai cedo, tipo 8h30 nos portões.

A partir de Almada, a forma mais prática é apanhar o ferry até ao Cais do Sodré e depois o comboio da Linha de Sintra, diretamente da estação do Rossio. Demora cerca de 40 minutos. Bilhete de ida e volta por volta dos 5 euros. O nosso guia de bairros de Sintra ajuda-te a sair da rota óbvia e descobrir os recantos que os autocarros de turismo não alcançam.

O que não podes perder: os travesseiros de Sintra da Piriquita. Não é cliché, é mesmo bom. Queijadas também, mas os travesseiros são superiores.

Sesimbra: peixe grelhado com os pés quase na areia

Sesimbra é o segredo pior guardado da margem sul, e mesmo assim continua a funcionar. Uma vila piscatória encaixada numa baía protegida, com o Castelo no topo e o porto cheio de barcos de pesca que abastecem os restaurantes da margem.

O peixe em Sesimbra é outra liga. Robalo grelhado, linguado, dourada. Os restaurantes ao longo da Avenida dos Náufragos servem peixe que saiu do mar nessa manhã. Não vou dizer qual é o melhor porque muda conforme o dia e a pesca, mas evita os que têm fotos plastificadas do menu na porta. Entra onde vires portugueses a almoçar.

A partir de Almada, são cerca de 40 minutos de carro pela N378. De transportes públicos, autocarro TST até Sesimbra, com mudança em Cacilhas ou no terminal de Almada. Demora mais, mas é viável.

Bónus: o Cabo Espichel fica a 15 minutos de Sesimbra e é um dos sítios mais dramáticos da costa portuguesa. Um santuário abandonado à beira da falésia, com pegadas de dinossauros fossilizadas na rocha. Vai ao final da tarde, quando a luz é dourada e não há quase ninguém.

Setúbal e Arrábida: a serra que desce até ao mar

Se tiveres carro, este é o melhor day trip que podes fazer a partir de Almada. Ponto final. A Serra da Arrábida é uma das últimas florestas mediterrânicas intactas da Europa, e as praias na base, como a Praia de Galapinhos e a Praia de Creiro, têm água transparente que não parece Portugal.

Começa por Setúbal: mercado do Livramento pela manhã (considerado um dos melhores mercados de peixe da Península Ibérica), choco frito num restaurante do centro. O choco frito é o prato de Setúbal. Não saias de lá sem provar. A Casa Santiago é a referência clássica, embora haja sempre debate local sobre qual é verdadeiramente a melhor.

Depois, segue para a Serra da Arrábida. A estrada que serpenteia pela serra tem vistas que justificam cada curva. No verão, o acesso a algumas praias é restrito e controlado por shuttle. Confirma as condições localmente antes de ir.

De Almada a Setúbal são cerca de 40 minutos pela A2. De comboio, a Fertagus leva-te até ao Fogueteiro e depois mudas para a linha de Setúbal. É mais demorado mas funciona.

Mafra: o palácio que quis ser o Escorial

Mafra é subestimada. O Palácio Nacional de Mafra, que também é convento e basílica, é o maior edifício do século XVIII em Portugal. A biblioteca, com os seus 36 mil volumes e os morcegos residentes que protegem os livros dos insetos, é razão suficiente para a visita. Se leste o Memorial do Convento de Saramago, isto ganha outra dimensão.

A visita demora pelo menos duas horas. O bilhete custa 6 euros (confirma o preço atual). O edifício é enorme e pouco visitado em comparação com Sintra, o que é uma vantagem.

Se fores na altura da Páscoa, não percas o roteiro de doces de Páscoa em Mafra, que mapeia a tradição doceira da região. Fora da época pascal, a Pastelaria O Corcunda, junto ao palácio, tem bolos regionais dignos de paragem.

Para lá chegar a partir de Almada: ferry até Lisboa, comboio ou metro até ao Campo Grande, e autocarro da Mafrense. São cerca de hora e meia no total. De carro, uma hora pela A36 e IC Mafra.

Quando voltares: a noite em Almada

Um dos prazeres de usar Almada como base é que, quando voltas de um dia inteiro a explorar, tens sítios decentes para fechar a noite sem teres de apanhar mais um transporte.

Se quiseres um copo descontraído, o The Corkman Irish Pub é o clássico para uma cerveja sem complicações, especialmente se o dia foi longo e só queres sentar. Para algo mais refinado, o Carmen Wine Bar tem uma seleção de vinhos portugueses que justifica uma paragem com calma. E se o dia foi tão bom que merece um cocktail de celebração, o Ophelia Cocktail Bar é provavelmente o melhor sítio em Almada para isso.

O resumo prático

  • Lisboa: Ferry Cacilhas-Cais do Sodré (10 min, ~1,50€). Ideal para qualquer dia.
  • Costa da Caparica: Autocarro 135/124 desde Almada (20-30 min). Melhor de maio a outubro.
  • Sintra: Ferry + comboio Rossio-Sintra (~1h15 total). Evitar verão se possível.
  • Sesimbra: Carro 40 min ou autocarro TST (~1h). Ir para almoçar peixe.
  • Setúbal/Arrábida: Carro 40 min ou Fertagus + comboio. O melhor day trip com carro.
  • Mafra: Ferry + autocarro Mafrense (~1h30). Para quem gosta de história e doces.

O cartão Navegante Metropolitano, a cerca de 40 euros por mês, cobre praticamente todos estes transportes dentro da Área Metropolitana de Lisboa. Se ficares mais de uma semana, compensa imediatamente.

Almada não é só um dormitório de Lisboa. É um ponto de partida. E um bom ponto de chegada.

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