Caminhada no Vale Glaciar do Zêzere em Manteigas
Experiência

Caminhada no Vale Glaciar do Zêzere em Manteigas

Manteigas · 6h · moderate

A Trans Serrano leva-o a pé pelo vale em U escavado pelo gelo, a partir de Manteigas, desde 20€. Há um circular de 18 km e uma versão curta de 10 km, e o guia faz a diferença entre andar e perceber a paisagem.

Há uma diferença enorme entre ver o Vale Glaciar do Zêzere de carro, a partir da estrada que liga Manteigas a Gouveia, e percorrê-lo a pé com quem conhece cada dobra do terreno. Da estrada é uma fotografia bonita. A pé, com um guia, é geologia que se sente nos joelhos: um vale em U escavado por uma língua de gelo há milhares de anos, com 15 km de comprimento, rebanhos a pastar no fundo e as cortes de pastor encostadas à encosta. Foi por isto que escolhi fazer a caminhada guiada da Trans Serrano, e não improvisar sozinho.

Quem organiza e quanto custa

A Trans Serrano (Trans Serrano Aventura, Lazer e Turismo) é uma agência de turismo de aventura sediada em Góis, na vizinha Serra da Lousã, que opera há anos na zona centro e conhece bem a Serra da Estrela. A caminhada chama-se Caminhada do Vale Glaciar do Zêzere e começa a partir de 20€ por pessoa.

Reservas e contactos:

Confirme diretamente com o operador a data, o número mínimo de participantes e o que está incluído antes de pagar, porque a saída costuma depender de grupo formado.

As duas versões do percurso

Há essencialmente duas opções, e vale a pena perceber a diferença antes de reservar.

O circular completo (cerca de 18 km)

A versão longa é um circular de aproximadamente 18 km, com 6 a 7 horas no terreno. É a que recomendo a quem tem pernas e um dia inteiro livre. Subimos pela encosta, atravessamos o planalto e descemos pelo fundo do vale, o que dá duas perspetivas completamente diferentes da mesma paisagem: primeiro de cima, com o vale aberto por baixo, depois lá em baixo, com as paredes a fecharem-se à nossa volta.

O linear curto (cerca de 10 km)

A versão mais curta tem cerca de 10 km e demora à volta de 3 horas. É a escolha sensata se vier com crianças mais crescidas, se o tempo estiver instável, ou se quiser guardar energia para o resto do fim de semana. Cobre o essencial do vale sem o esforço da subida ao planalto.

A dificuldade está classificada como média em ambos os casos. Não é alpinismo, mas também não é um passeio plano: há desnível, terreno irregular e troços expostos ao sol e ao vento.

Como é o dia, passo a passo

O ponto de encontro é em Manteigas, no fundo do vale. O guia faz uma introdução à formação glaciar antes de arrancar, e este é o detalhe que muda tudo: sem essa explicação, as rochas são só rochas. Com ela, começamos a ler o vale, os blocos erráticos deixados pelo gelo, as estrias na pedra, o Covão da Ametade lá ao fundo como cabeceira do glaciar.

O melhor momento, para mim, é a meio da manhã, quando se sai da zona arborizada e o vale se abre por inteiro à frente. A luz da manhã bate de lado e desenha cada prega da encosta. Por isso peço sempre a saída mais cedo: menos calor na subida e a paisagem com sombra e relevo, em vez do achatamento da luz do meio-dia.

Ao longo do percurso passamos por pastagens, rebanhos de ovelhas e as típicas casas de pastor de pedra. Não tenha pressa nestes troços. É aqui que se percebe que o vale não é só um cenário geológico, é um sítio de trabalho, vivo, com gente que ainda sobe com o gado.

O que levar e o que vestir

  • Botas de caminhada com bom piso. O terreno é pedregoso e há descidas onde o tornozelo agradece a sujeição.
  • Camadas. Mesmo no verão, o vento no planalto arrefece depressa. Leve um corta-vento.
  • Água a sério: pelo menos 1,5 a 2 litros na versão longa. Não conte com fontes garantidas.
  • Chapéu, óculos de sol e protetor solar. Há troços sem qualquer sombra.
  • Snacks ou almoço de mochila para o circular completo.

Quando ir e quando reservar

A melhor altura é da primavera ao início do outono. Maio e junho dão prados verdes e ribeiros cheios; setembro e outubro dão luz dourada e menos gente. No inverno o vale fica espetacular com neve, mas aí a caminhada depende muito das condições e pode não se realizar, por isso confirme sempre. Se vier nessa época, vale a pena ler antes o nosso guia sobre onde dormir em Manteigas quando neva na Estrela.

Reserve com antecedência, sobretudo em fins de semana e feriados, porque a saída depende de haver grupo. Pergunte se há saída garantida na data que quer.

Como chegar e onde ficar

Manteigas chega-se de carro, normalmente pela A23 e depois pela estrada da montanha. Não há transportes públicos práticos para o ponto de partida, por isso conte com viatura própria. Para transformar isto num fim de semana com calma, vale a pena dormir na vila: a Casa da Vila em Manteigas é uma boa base no centro.

Depois da caminhada, o ritual certo é uma refeição sem pressa. O Café Caramelo resolve a fome de quem desceu do vale. E se quiser levar a serra para casa, leia o nosso guia sobre comprar queijo Serra da Estrela direto ao produtor.

Vale a pena?

Vale, e por uma razão simples: o guia faz a diferença entre andar e perceber. Se já caminha bem e só quer pernas ao caminho, o trilho do vale glaciar por conta própria também funciona. Mas se é a primeira vez no Zêzere, ou se quer ler a paisagem em vez de só a olhar, a versão guiada da Trans Serrano é dinheiro bem gasto. Para mais contexto sobre a serra e a vila, fica também o nosso guia sobre os poços de neve e a serra a sério.

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