A Lareira Guesthouse
Aljezur
Uma guesthouse de inspiração bohemian na Rua Major Cunha, na parte alta da vila, a cinco minutos a pé do mercado e a vinte de carro da Arrifana. Faixa €€, reserva por telefone, sem website oficial: o tipo de casa onde o anfitrião sabe o seu nome ao segundo dia.
A Rua Major Cunha sobe a custo a partir do centro de Aljezur, com a vila a desenrolar-se em casas caiadas, varandas com gerânios e o castelo mouro a vigiar lá em cima. É aqui, no 8670-130, que se encontra o Releash Aljezur, uma guesthouse que escolheu não competir com os resorts da costa nem com os hostéis de surf que dominam a Arrifana. Em vez disso, ficou na vila, onde o pão se compra ao quilo, onde o talho fecha à hora do almoço e onde a noite, fora de Agosto, é honestamente silenciosa.
Antes de mais, o essencial: faixa de preço €€, o que em Aljezur significa um quarto duplo confortável sem cair no preço inflacionado dos hotéis de praia. O telefone, +351 963 984 221, é a forma mais directa de tratar de tudo, porque website oficial não existe e os horários de check-in convém combinar pessoalmente, sobretudo se chega depois das nove da noite. Pormenor importante: a casa funciona em regime de guesthouse, não de hotel, e isso muda a forma como se entra e se sai.
O argumento da casa é a decoração de inspiração bohemian-chic, feita com atenção ao detalhe que se nota nos têxteis, na louça antiga reaproveitada e nos pequenos arranjos de canto que não parecem comprados num catálogo sueco. É o tipo de espaço onde apetece tomar o pequeno-almoço sem pressa, com os pés descalços, e onde os hóspedes acabam a conversar uns com os outros na sala comum, em vez de fugirem para o quarto.
Quem procura anonimato de cadeia hoteleira não vai gostar. Quem procura uma casa onde o anfitrião sabe o seu nome ao segundo dia e lhe diz que o nevoeiro vai levantar por volta das onze, vai. É a mesma lógica de outras opções de qualidade na vila, como a A Lareira Guesthouse ou a Muxima Aljezur Guesthouse, ambas vizinhas em filosofia: pequenas, pessoais, com mão de gente local.
Estamos na parte alta da vila, do lado do castelo, a poucos minutos a pé da praça principal e do mercado municipal. De carro, vindo de Lisboa, são cerca de três horas pela A2 e depois pela IC4. Vindo de Faro, conte hora e meia pela N125 e depois pela N120. O autocarro da Rede Expressos serve Aljezur a partir de Lisboa e de Lagos, e a paragem fica a uns dez minutos a pé subindo.
Estacionar na Rua Major Cunha pode ser desporto em pleno Agosto. Conselho prático: deixe o carro no parque gratuito junto à entrada da vila, do lado do rio, e suba a pé com a mala pequena. São cinco minutos. Em Setembro e fora de época não há problema nenhum, encosta à porta.
A grande vantagem de dormir em Aljezur, em vez de directamente na costa, é a flexibilidade. Em vinte minutos de carro está em qualquer praia entre Odeceixe e Carrapateira, sem ter de pagar o prémio de quarto com vista mar. A Praia da Arrifana é a mais próxima, com a sua falésia inclinada e o ponto de surf que funciona quase todo o ano. Para um plano de fim-de-semana mais estruturado, vale a pena seguir o roteiro pelas praias do Algarve selvagem em Junho, antes da época alta empurrar os preços para cima.
Na mesa, Aljezur tem uma identidade própria que se afasta da grelha turística do litoral sul. A batata-doce de Aljezur é IGP, leva-se da feira em Novembro e aparece em quase tudo, do puré ao bolo. No Verão, o ritual local manda comer sardinha assada na brasa, de preferência num tasco sem ementa traduzida. Para um pequeno-almoço ou um café a meio da manhã, o Mioto Pastelaria Snack-Bar é a paragem certa, daquelas onde os pedreiros e os surfistas dividem o mesmo balcão. Se quer explorar a cozinha local com mais método, o roteiro entre as falésias e o barrocal dá um bom mapa.
De Maio a meados de Junho, e depois entre Setembro e Outubro, é quando Aljezur está no seu melhor: tempo estável, mar a aquecer, vila ainda calma. Em Agosto, a vila enche e a costa também, e quem chega sem reserva paga caro a improvisação. Em Novembro, ponha a Prova na Vila na agenda: o festival de vinhos enche a vila com produtores da região e é uma das melhores formas de perceber o que se está a fazer nas vinhas do sudoeste.
O Releash Aljezur não é um destino em si. É uma boa base, escolhida com cuidado, para quem quer estar em Aljezur a sério, e não numa bolha de praia. Se essa é a viagem que procura, é aqui que faz sentido pousar a mala.