A Lareira Guesthouse
Dormir

A Lareira Guesthouse

Seis quartos com varanda, Wi-Fi e casa de banho privativa, por cima do restaurante A Lareira em plena Rua 13 de Janeiro de 1898. A casa de hóspedes mais sensata para usar Aljezur como base, entre a Arrifana e o castelo.

A casa por cima do restaurante

Em Aljezur, a vila branca encavalitada entre o castelo mouro e o ribeiro, há uma regra prática que vale a pena seguir: dormir onde se come bem. A Lareira Guesthouse fica precisamente em cima do restaurante A Lareira, na Rua 13 de Janeiro de 1898, número 8670-088, a dois passos do largo central. Seis quartos, todos com casa de banho privativa, varanda, Wi-Fi e televisão. Não é um boutique hotel, não tenta ser, e é exatamente por isso que funciona.

O conceito aqui é o do antigo quarto de hóspedes português revisitado sem cerimónia: paredes caiadas, mobiliário rústico, lençóis frescos, e o cheiro de pão e café a subir pelas escadas de manhã. A faixa de preço situa-se nos €€, o que em Aljezur, sobretudo no verão, é um pequeno milagre. Quem espera minibar, robe e duche de chuva tropical, fique pelo outro lado da serra. Quem quer dormir bem, acordar perto de tudo e gastar o dinheiro na praia e à mesa, está no sítio certo.

Onde fica e como chegar

Aljezur está na Costa Vicentina, no extremo noroeste do Algarve, a cerca de 1h45 de carro de Faro e 2h30 de Lisboa pela A2 e depois a IC1/N120. A Rua 13 de Janeiro de 1898 é uma das artérias da vila baixa, abaixo da subida para o castelo, e fica perto do mercado municipal e da ponte sobre a ribeira. Não há estação de comboios em Aljezur, mas há autocarros da Rede Expressos a partir de Lisboa e do Algarve. Honestamente: venha de carro. A vila explora-se a pé em vinte minutos, mas vai querer um veículo para as praias, que são a verdadeira razão para aqui estar.

Estacionar no centro pode ser um exercício de paciência em agosto. Há um parque gratuito junto ao mercado e outro mais acima, perto do antigo cinema. Descarregue malas à porta e depois vá procurar lugar com calma.

Os quartos, sem floreados

São seis, e a unidade de medida importa: significa que se enche depressa entre maio e setembro. Reserve com antecedência, sobretudo se vier para o Prova na Vila, o festival de vinhos de Aljezur, ou para os fins de semana de festival de batata-doce em novembro. Cada quarto tem varanda, e as que dão para a rua são animadas de manhã com o vaivém do café lá em baixo. Se for dormir leve, peça um quarto interior, ou nos pisos superiores. As camas são confortáveis, as casas de banho são funcionais e quentes, e a Wi-Fi chega sem drama, o que para uma guesthouse de aldeia já é meio caminho andado.

Não há pequeno-almoço servido em buffet de hotel, e ainda bem. Desça as escadas, vá ao café da esquina, peça uma meia de leite e uma torrada com manteiga. Se quiser algo mais sério, atravesse a vila até à Mioto Pastelaria Snack-Bar, que é onde as pessoas de Aljezur começam o dia.

O restaurante por baixo

A Lareira, o restaurante, é uma instituição local. Não é um sítio de inovação culinária, é um sítio onde se come o que se deve comer no sudoeste algarvio: peixe da lota de Sagres, carnes da serra, sopas que sustentam um dia inteiro de caminhada. Pedir uma reserva ao balcão quando faz o check-in é sensato, sobretudo aos fins de semana. Os pratos do dia são geralmente o melhor negócio. Pague em cartão sem problema, mas é boa ideia ter algum dinheiro para gorjetas e cafés.

O que fazer a partir daqui

Dormir em Aljezur só faz sentido se for usar as praias. A 10 minutos de carro está a Praia da Arrifana, com a sua falésia avermelhada e o mar bom para surfistas intermédios. A norte tem a Bordeira e a Amoreira, esta última com a foz da ribeira que faz uma lagoa baixa, perfeita para crianças e para quem detesta águas geladas. A 20 minutos pela serra está a Praia do Monte Clérigo, mais familiar, com dois ou três restaurantes de praia honestos.

Se vier no início do verão, leia primeiro o nosso roteiro de praias de Aljezur em junho, quando o mar está limpo, a multidão ainda não chegou, e o nevoeiro matinal levanta às onze. Para entender por que razão esta vila se rende ao peixe grelhado entre julho e setembro, há o guia sobre a sardinha assada e o ritual do verão vicentino. E se quiser planear refeições com método, espreite o roteiro do Aljezur à mesa, entre falésias e o barrocal.

O Trilho dos Pescadores, parte da Rota Vicentina, passa a poucos quilómetros. Saia cedo, leve água a sério, e tenha um chapéu. A guesthouse está habituada a caminhantes: pode pedir para guardar mochilas no check-out se quiser fazer uma etapa antes de seguir caminho.

Conselhos práticos

  • Reserve por telefone, +351 282 998 440, ou pelo site oficial da Rota Vicentina. Em alta época, três a quatro semanas de antecedência não é exagero.
  • Horários de receção não estão publicamente fixados: avise hora de chegada, sobretudo se for depois das 20h.
  • Peça um quarto com varanda interior se for sensível ao ruído. A rua é animada e o restaurante em baixo trabalha até tarde.
  • Traga sapatos confortáveis. As ruas de Aljezur são em calçada inclinada, e o castelo lá em cima é uma subida curta mas séria.
  • O código de vestuário em todo o lado é informal. Calções e havaianas ao jantar não chocam ninguém, mas vista uma camisola: as noites de Costa Vicentina arrefecem mesmo em agosto.
  • Cartão multibanco funciona quase em todo o lado, mas leve 30 ou 40 euros em dinheiro para mercados, bilheteiras de praia e pequenos cafés.

Para quem é (e para quem não é)

É para o casal que vem de mochila pela Rota Vicentina, para a família que prefere uma varanda sobre a vila a um resort com piscina aquecida, para o surfista que quer estar a 10 minutos da Arrifana sem pagar preços de Sagres. Não é para quem quer concierge, spa, ou silêncio absoluto. A vida em Aljezur entra pelas janelas, e isso é metade do bilhete.