Paço Ducal de Vila Viçosa
Vila Viçosa
O castelo onde os Braganças viveram antes de decidirem que o mármore lhes ficava melhor. Hoje guarda dois museus, muralhas com vista para olivais e a igreja onde D. João IV depositou a coroa de Portugal em 1646.
O Castelo de Vila Viçosa é o irmão mais velho e menos famoso do Paço Ducal de Vila Viçosa. Foi aqui, dentro destas muralhas no Largo do Castelo, que os Braganças viveram antes de decidirem que precisavam de mais espaço e mais mármore, e construíram o palácio do outro lado da vila. Se chegar primeiro ao Paço Ducal, como faz a maioria, vai sair de lá saturado de retratos reais e tapeçarias. O castelo é o antídoto: mais cru, mais quieto, com vista para olivais em vez de para guias de turismo.
O edifício é do século XIII, classificado como Monumento Nacional, e hoje abriga duas coleções dentro das suas muralhas: o Museu de Caça e o Museu de Arqueologia. O Museu de Caça é uma daquelas instituições que divide opiniões. Há quem ache fascinante a herança cinegética dos duques, há quem prefira não ver tantos troféus empalhados de uma só vez. Não vou fingir neutralidade: é desconfortável e é histórico, ambas as coisas ao mesmo tempo. Os animais foram caçados ao longo de décadas pela família real e ducal, e a montagem é mais museológica do que celebratória, mas ainda assim leve as crianças sensíveis com calma.
O Museu de Arqueologia, esse, é onde recomendo gastar mais tempo. Tem peças romanas e medievais encontradas na região, e dá contexto àquilo que não se vê do lado do Paço: que esta zona já era importante muito antes dos Braganças aparecerem. Vá com calma, leia as legendas, é genuinamente bem feito para um museu de vila pequena.
Vila Viçosa fica no Alto Alentejo, a cerca de duas horas de carro de Lisboa pela A6, saída para Borba/Vila Viçosa. De comboio é complicado, não chega lá comboio direto. Autocarro da Rede Expressos sim, mas com horários limitados. Sinceramente, carro é a única forma sensata, até porque vai querer combinar a visita com as adegas da rota dos vinhos.
Já dentro da vila, o castelo está no extremo oposto do Paço Ducal, separado pelo Terreiro do Paço. A pé são cinco minutos entre os dois. Estacione perto do Terreiro, é gratuito e central. O bairro à volta do castelo é a parte mais antiga de Vila Viçosa, com ruas estreitas calcetadas, casas baixas caiadas, e poucos negócios para turistas. É aqui que ainda vê pessoas a sentar-se à porta de casa ao fim da tarde.
Bilhete na faixa dos €, ou seja, baratíssimo comparado com qualquer castelo equivalente em Portugal. Os horários de funcionamento não estão publicados de forma fiável, e mudam consoante a época, por isso ligue antes para o +351 268 980 128 ou consulte o site oficial da Fundação Casa de Bragança em fcbraganca.pt. Não saia de Lisboa para encontrar a porta fechada porque é dia de descanso semanal ou porque mudaram os horários de verão.
A morada formal é Largo do Castelo, 7160-251 Vila Viçosa. Não há restaurante nem cafetaria dentro do castelo, e a casa de banho é pequena, portanto resolva isso antes ou no café do largo. Roupa confortável e sapatos de sola firme: o pavimento das muralhas é irregular e há escadas em pedra. Não há elevadores, e a acessibilidade para cadeira de rodas é muito limitada, infelizmente. Reservas não são necessárias para visitantes individuais. Para grupos, ligue com antecedência.
Suba às muralhas. Esta é a melhor coisa do castelo, e a maioria dos visitantes apressados nem se apercebe que pode fazê-lo. Lá de cima vê-se o Paço Ducal a branco e mármore, a planície alentejana a perder-se na bruma, e os olivais que ainda hoje pertencem em parte à Fundação da Casa de Bragança. Vá ao fim da tarde, por volta das cinco ou seis da tarde, quando a luz fica baixa e dourada. Não há melhor sítio em Vila Viçosa para ver o pôr do sol.
Dentro das muralhas há também a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, com o famoso quadro da padroeira de Portugal. D. João IV depositou aqui a coroa de Portugal aos pés desta imagem em 1646, e desde então nenhum rei português voltou a usar coroa. Pormenor histórico que merece ser contado dentro da igreja, com calma.
Não venha a Vila Viçosa só para o castelo. Combine com o Paço Ducal de manhã (mais cedo é melhor, está menos cheio), almoço numa tasca da vila, e o castelo a meio da tarde. Se vai pernoitar, recomendo a Pousada Convento Vila Viçosa instalada no antigo Convento das Chagas, ou, se quer algo mais luxuoso, o Alentejo Marmòris Hotel & Spa. Para esticar a estada um dia mais, vale a pena explorar a rota de vinhos entre Vila Viçosa e Borba, ou consultar o calendário de festas locais antes de marcar a viagem. Quem prefere o Alentejo profundo a praia, leia também porque é que Vila Viçosa não ter praia é uma bênção.
Sim, mas com expectativas calibradas. Se vem à espera de um castelo de conto, com torres altíssimas e drama medieval, vai ficar desiludido. O Castelo de Vila Viçosa é compacto, sóbrio, mais administrativo do que defensivo. O valor está em perceber que foi daqui que saiu uma dinastia inteira, e em subir às muralhas para ver o Alentejo do alto. Pelo preço do bilhete, é dos melhores negócios culturais do país.