Vila Viçosa é uma daquelas terras alentejanas que se medem em mármore. Está no chão que se pisa, nas fachadas das casas, nos bancos de jardim, nos cunhais das igrejas. A região entre Vila Viçosa, Borba e Estremoz produz mármore de qualidade mundial, e aqui não é uma curiosidade geológica, é o material de construção do dia-a-dia. Passear por Vila Viçosa é entender como uma pedra moldou uma vila inteira.
O Terreiro do Paço e o Paço Ducal
O centro da vida em Vila Viçosa é o Terreiro do Paço, uma praça com cerca de dezasseis mil metros quadrados onde se ergue o Paço Ducal dos Bragança. A fachada de 110 metros em mármore rosa de Estremoz impõe-se sem cerimónia, é o maior palácio real de Portugal que não está em Lisboa. Lá dentro, a Sala das Tapeçarias, a Sala do Gigante com os seus frescos e a Sala de Medusa justificam a visita. Do lado oposto da praça, a Porta dos Nós marca a antiga entrada na vila e é um dos seus ex-líbris.
O Castelo e a Vila Antiga
Acima do centro, o castelo construído por D. Dinis no século XIII domina a paisagem. Foi reforçado com baluartes no século XVII e é um caso raro na arquitectura militar portuguesa: a cerca medieval, as torres e as portas coexistem com a fortificação renascentista. Vale subir pela vista sobre os telhados e as pedreiras ao longe.
Onde as Rainhas Ficavam
O antigo Convento das Chagas, mandado construir no século XVI como panteão das senhoras da Casa de Bragança, é hoje uma Pousada. Mesmo no centro, junto ao Paço Ducal, mantém uma atmosfera recolhida que contrasta com a escala monumental da praça.
Comer e Beber
A mesa de Vila Viçosa é alentejana sem pedir desculpa: migas com entrecosto, ensopado de borrego, açordas com coentros frescos. Os vinhos da região, estamos em plena rota de vinhos do Alentejo, com Borba a poucos minutos, acompanham tudo isto sem esforço. O Alentejo Marmòris Hotel & Spa tem o restaurante Narcisus para quem procura uma leitura contemporânea destes sabores.
Quando Ir
A Primavera é a melhor altura: temperaturas amenas, campos verdes e a vila sem multidões. O Verão é quente a sério, estamos no interior alentejano. Um dia inteiro chega para ver o essencial, mas dois dias permitem incluir Borba e Estremoz numa rota de mármore e vinho que faz sentido como conjunto.