Safari de Jipe perto de Vila Viçosa: Serra d'Ossa em 4x4
Experiência

Safari de Jipe perto de Vila Viçosa: Serra d'Ossa em 4x4

Vila Viçosa · 2h · easy

O Corktrekking, em Redondo a quinze minutos de Vila Viçosa, leva-o em Land Rover Defender clássico pelos sobreirais da Serra d'Ossa e até ao muro de 500 anos da Tapada Real. Duas horas, 35€, e o melhor momento são os cinco minutos parados no miradouro improvisado.

Vou ser honesto consigo: não há propriamente uma empresa de jipes com sede em Vila Viçosa. O que há, e é melhor do que isso, é o Corktrekking, sediado a quinze minutos de carro, em Redondo, na Zona Industrial. A propriedade deles encosta à Serra d'Ossa, a mesma serra que se vê do alto da muralha do castelo de Vila Viçosa, e o passeio entra pelos sobreirais que a maioria dos visitantes só vê de longe quando passam de carro entre Estremoz e Borba. É a melhor forma de perceber o que é o montado alentejano sem ter de andar quatro horas a pé com o sol a bater na cabeça.

O que é o passeio, em concreto

O Corktrekking opera com Land Rovers Defender clássicos, daqueles velhos, com banco corrido atrás e janelas que se abrem à manivela. Não esperem um jipe novo de série, nem é isso que querem: parte do encanto é ir aos solavancos por caminhos de terra batida com um motor a diesel a fazer barulho a sério. O passeio standard dura duas horas e custa a partir de 35€ por pessoa. Há pacotes mais longos com almoço de três pratos em restaurante típico, prova de três vinhos da gama Dez Tostões e prova de presunto e queijo de porco preto.

O guia é, na maior parte das vezes, alguém da família que faz o vinho na Maroteira, a quinta deles. Isso muda tudo. Em vez de um discurso decorado sobre cortiça, tem-se uma conversa real sobre quanto tempo demora a primeira casca a chegar (vinte e cinco anos), porque é que os sobreiros têm números pintados a branco no tronco (o ano da última extração), e porque é que aquele javali atravessou o caminho à frente do jipe (porque é fim do dia e ele anda à procura de bolota). Não é o tipo de informação que se aprende num museu.

O melhor momento, e o que pode saltar

O melhor momento, sem dúvida nenhuma, é a paragem no meio da serra para ver a Tapada Real do lado de fora do muro. Aquele muro tem mais de quinhentos anos, fechou 1500 hectares para os duques de Bragança caçarem javalis, e ainda hoje delimita a maior propriedade murada do país. Vê-se o muro a serpentear pelo monte abaixo e percebe-se a escala daquilo a que reis e duques chamavam "jardim de fim-de-semana". O guia normalmente para o jipe num miradouro improvisado e deixa-vos ali cinco minutos. Esses cinco minutos valem o passeio.

A parte que pode saltar, se andar com pouco tempo, é o pacote com prova de vinhos no fim. Os vinhos da Dez Tostões são corretos, fazem o trabalho deles, mas se já andou pela rota de vinhos de Vila Viçosa e Borba não vai descobrir aqui nada de novo. Faça o passeio simples de duas horas e guarde a tarde para almoçar em Borba ou para subir ao Paço Ducal.

Como reservar e a quem ligar

O Corktrekking pede para reservar com pelo menos um a dois dias de antecedência. Não é um daqueles operadores em que se aparece à porta e arranca um jipe na hora. O contacto direto é +351 915 967 567 ou [email protected]. Têm também reserva online através do site, em corktrekking.com/4x4-tours-alentejo. Estão registados como operador de turismo de natureza com o RNAAT 699/2016, o que significa que têm seguros em ordem.

O ponto de encontro é Maroteira Vinhos, na Zona Industrial de Redondo, Rua Aldeias de Montoito lote 77. Quem vem de Vila Viçosa demora cerca de quinze a vinte minutos a chegar, pela N255 via Borba. Se não tiver carro, pedem um suplemento para fazer pickup no hotel, e vale o dinheiro se ficar nos sítios bons da zona. Aliás, se está a planear a estadia, leia o guia onde ficar em Vila Viçosa conforme o seu estilo, porque tanto a Pousada Convento como o Alentejo Marmòris tratam do transfer sem stress.

O que vestir, o que levar

  • Calçado fechado. Sapatilhas chegam, ténis de trail é melhor. Há sempre um momento em que se desce do jipe para olhar uma cortiça ao perto e o chão é terra com pedrinhas e bocados de cortiça já cortada.
  • Manga comprida fina, mesmo no verão. Os ramos dos sobreiros baixos roçam o jipe e às vezes o braço de quem vai à beira. Não magoa, mas pica.
  • Chapéu ou boné. As Defender velhas têm cobertura, mas o sol entra pelas laterais. Em julho e agosto é a sério.
  • Água. Levam, mas leve a sua também. Duas horas de pó e calor pedem mais do que um copo.
  • Máquina fotográfica ou telemóvel carregado. Os javalis aparecem nas paragens, e os porcos pretos a comer bolota são uma cena que ninguém esquece.

Quando ir

Outubro a novembro é a época mágica. Os sobreiros já não estão a ser descortiçados (isso é maio a agosto), há bolota no chão, os porcos pretos andam à solta, e a temperatura permite andar de manga curta sem suar. Maio é a segunda melhor opção, com a serra ainda verde da chuva da primavera. Agosto evite, se puder, a não ser que reserve a primeira sessão da manhã, às nove da manhã. A meio da tarde, com 38°C, o passeio perde graça.

Domingo costuma ser o dia mais cheio porque é quando os hóspedes das pousadas da zona reservam. Quarta e quinta há mais probabilidade de fazer o passeio quase em privado, com o guia só para si e o seu grupo. Pergunte na reserva se conseguem garantir grupo pequeno, eles costumam ser flexíveis.

Para quem vale a pena

Vale a pena para quem nunca andou em terreno alentejano fora de estrada e quer perceber porque é que esta região é diferente do resto do país. Vale a pena para quem viaja com miúdos a partir dos sete anos, que andam meio doidos com o jipe a saltar e os porcos a aparecer (crianças até aos seis anos não pagam, dos sete aos doze pagam metade). Vale a pena combinar com uma das cinco escapadelas de um dia a partir de Vila Viçosa para fazer da viagem um dia completo: jipe de manhã, almoço em Borba, tarde em Évora.

Não vale tanto a pena se procura adrenalina pura. Isto não é off-road de competição, é montado alentejano levado com calma, com paragens para o guia explicar coisas. Se quer adrenalina, vá para o Algarve fazer canyoning. Se quer perceber o Alentejo, marque com o Corktrekking.

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