Sahida
Comer

Sahida

Num edifício do século XV no ponto mais alto de Monsaraz, o Sahida tem um terraço coberto com vista sobre os telhados da vila e a albufeira do Alqueva. A reserva é essencial, o telefone é o caminho mais seguro para confirmar mesa e horário.

No topo de Monsaraz, um restaurante que não precisa de fingir nada

Sahida ocupa um edifício do século XV no ponto mais alto de Monsaraz, o que já diz muito sobre a experiência antes sequer de ver a ementa. Não é um exagero de marketing: a vila é pequena, o castelo fica ali perto, e quando se sobe a rua José Fernandes Caeiro percebe-se rapidamente que este não é um espaço qualquer reaproveitado para turistas. É uma casa antiga, com paredes grossas e um piso superior que abre para um terraço coberto, e é esse terraço que faz o Sahida valer a pena.

A vista dali é do tipo que faz parar a conversa: os telhados da vila lá em baixo, depois a albufeira do Alqueva a espraiar-se pela paisagem, e o campo alentejano a perder-se no horizonte. Não há outra maneira de o dizer, é a razão pela qual se reserva mesa com antecedência em vez de aparecer e esperar por lugar.

O que esperar da comida

O Sahida posiciona-se na faixa de preço €€, ou seja, nem é o sítio mais barato de Monsaraz nem é dos caros da região. É cozinha alentejana com a abordagem que se espera de um lugar com esta vista: pratos pensados para acompanhar uma tarde longa, sem pressa. Não vou inventar nomes de pratos que não confirmei, mas se procura o registo típico da região, açorda, migas, borrego, queijos de Serpa ou de Nisa, é essa a linha que faz sentido pedir aqui. A recomendação prática é simples: pergunte ao pessoal de sala quais são as sugestões do dia antes de decidir, porque numa casa deste tipo a ementa fixa costuma ser complementada por especialidades sazonais.

Reservas, horários e como chegar

Não há horário de funcionamento publicado que se possa confirmar, por isso o mais sensato é telefonar antes de subir até lá: +351 968 808 075. O site oficial, sahida.res-menu.net, também permite verificar disponibilidade. Dado o lugar único na vila e a fama do terraço, recomendo vivamente reserva antecipada, sobretudo ao fim de semana e em datas de maior movimento turístico, como a época da floração das amendoeiras descrita no guia sobre o inverno florido em Monsaraz.

Chegar até lá é simples se já está dentro das muralhas de Monsaraz: a vila é pequena e percorre-se toda a pé em poucos minutos. Quem vem de fora deve estacionar junto à entrada da vila, já que o interior tem ruas estreitas de calçada pouco amigas de carros, e subir a pé até à Rua José Fernandes Caeiro. Não é um percurso longo, mas as ladeiras de Monsaraz não perdoam sapatos inadequados.

O ambiente e para quem é

Este não é o tipo de sítio onde se janta depressa. O ambiente pede tempo: uma refeição longa, vinho alentejano, e a luz a mudar sobre o Alqueva enquanto a tarde avança. Funciona bem para um almoço tranquilo depois de uma manhã a visitar o Cromeleque do Xerez ou o Parque Megafauna, dois pontos históricos que ficam a curta distância de carro da vila. Para quem prefere um dia mais lento, com paragem à beira de água antes ou depois da refeição, o parque de merendas junto à praia fluvial é uma opção próxima para descomprimir.

Não há indicação de código de vestuário rígido, e a informalidade elegante costuma ser a norma neste tipo de casa alentejana: nada de calções de praia, mas também nada de gravata. Quanto a pagamentos, na dúvida sobre se aceitam apenas dinheiro ou também cartão, o mais seguro é confirmar diretamente por telefone antes da visita, sobretudo se planeia pagar com cartão.

Vale a pena?

Sim, mas pelo motivo certo. Não é o Sahida que se visita por uma revolução gastronómica; visita-se pela combinação rara de edifício histórico, cozinha regional séria e uma das melhores vistas de mesa em toda a região do Alqueva. Se está a planear um fim de semana em Monsaraz sem se limitar aos pontos mais óbvios, vale a pena ler o guia sobre como viver Monsaraz sem filtros, que ajuda a organizar melhor o tempo entre a vila e os arredores. E se a viagem calhar em maio, aproveite também para conhecer as tradições descritas no guia sobre as Cruzes e os Maios, que ainda se celebram na vila.

Resumindo: suba a Rua José Fernandes Caeiro no fim da tarde, peça mesa no terraço, telefone antes para confirmar reserva, e deixe a luz sobre o Alqueva fazer o resto do trabalho.