Taverna Os Templários
Monsaraz
Da fase da Lua à previsão do IPMA, um plano prático para escolher observatório, preparar luz vermelha e salvar a noite quando o céu fica encoberto.
O Alentejo não tem oceano, mas Monsaraz tem uma praia fluvial escondida na base da colina do castelo, com água quente e quase ninguém antes das dez da manhã. Entre um mergulho no Alqueva e um jantar de cozinha alentejana, sobra ainda tempo para dormir debaixo de um dos céus mais escuros da Europa.
Uma rua com menos de trezentos metros, um castelo com uma praça de touros lá dentro, e cinco mil anos de pedra alinhada de propósito. Este roteiro caminha por Monsaraz da forma como ela foi construída: devagar, e sem desperdiçar espaço.
Dentro das muralhas de Monsaraz há um fresco do século XV que ficou escondido atrás de tijolo durante quatrocentos anos, uma arena taurina dentro de um castelo medieval e uma vista sobre o maior lago artificial da Europa Ocidental. Uma rota a pé, sem carro, das portas da vila até ao topo.
Monsaraz ocupa o topo de uma colina no Alentejo central, rodeada por muralhas medievais e com vista para a barragem de Alqueva, o maior lago artificial da Europa. A vila inteira cabe numa rua principal, a Rua Direita, que liga a Porta da Vila à torre do castelo. Dá para percorrê-la em vinte minutos. E no entanto, há quem fique dias.
Monsaraz foi disputada entre Portugal e Castela durante a Idade Média, fortificada pelos Templários e depois pela Ordem de Avis. O castelo, no extremo sul, é hoje uma praça de touros improvisada, um anfiteatro aberto com vista para a planície alentejana. Ao longo da Rua Direita, casas caiadas com barras de cal amarela ou azul alinham-se em silêncio. A Igreja Matriz, do século XIII, e o antigo Tribunal com os seus frescos do século XV do Bom e Mau Juiz merecem uma paragem.
A barragem mudou a paisagem de Monsaraz. O que antes era planície seca é agora uma enorme massa de água que, ao final da tarde, reflecte o céu em tons de laranja e rosa. A zona envolvente tem praias fluviais, o Parque de Merendas da Praia Fluvial é um ponto de paragem prático para quem viaja com família. Monsaraz faz parte da Reserva Dark Sky Alqueva, uma das poucas certificadas na Europa, o que torna as noites sem lua particularmente espectaculares para observação de estrelas.
A cozinha é alentejana sem floreados: açorda, migas de pão com carne de porco, ensopado de borrego e queijo de Serpa. Os vinhos da região, DOC Alentejo, muitos de produtores locais como a Herdade do Esporão ou a Ervideira, acompanham tudo bem. Os restaurantes dentro das muralhas são poucos, o que ajuda: a oferta é curta mas honesta.
A melhor altura para visitar é entre Março e Junho ou em Setembro e Outubro, o Verão alentejano ultrapassa facilmente os 40°C e a vila, sem sombra, castiga. Em Fevereiro, as amendoeiras florescem na paisagem em redor, cobrindo os campos de branco e rosa. Meio dia é suficiente para ver a vila em si; um fim-de-semana permite explorar o Cromeleque do Xerez, o Parque Megafauna e a margem do Alqueva com calma.
Monsaraz não precisa de dois dias de roteiro. Precisa de um final de tarde com um copo de vinho na muralha, a olhar para o Alqueva enquanto o sol desce. É uma vila que funciona melhor quando se lhe tira a pressão de ser uma atracção.