Termas das Caldeiras da Ribeira Grande
Ribeira Grande
Segunda cidade de São Miguel e capital da costa norte, Ribeira Grande combina surf em areia negra em Santa Bárbara, termas do século XVII e um centro histórico que ainda não foi engolido pelo turismo. Dois dias chegam para o essencial, mais se quiseres explorar cascatas e plantações de chá.
Em Ribeira Grande come-se como há trinta anos: queijadas da Vila ao pequeno-almoço, alcatra e lapas ao almoço, chá da única plantação da Europa à tarde. Um roteiro sem menus turísticos, com o que pedir e o que ignorar.
A segunda cidade de São Miguel tem o melhor barroco dos Açores e quase nenhuma fila. Da Ponte dos Oito Arcos às águas quentes da Caldeira Velha e à areia negra de Santa Bárbara, eis o lado de Ribeira Grande que os autocarros turísticos ignoram.
Ribeira Grande não é destino, é quartel-general. A meia hora de carro tens caldeiras a ferver, plantações de chá, areais negros e termas. E se tiveres um dia a mais, salta para a Horta antes do jantar.
Na Ribeira Grande, o café é um pretexto para abrandar. Um guia honesto sobre o que pedir ao balcão: bolo lêvedo na chapa, confeitos de funcho, chá da Gorreana e o galão que sabe melhor depois do surf.
Ribeira Grande é a segunda maior cidade de São Miguel e a porta de entrada para a costa norte da ilha, a mais crua, a mais verde, a menos domesticada pelo turismo de cruzeiro. Enquanto Ponta Delgada concentra a maioria dos visitantes, Ribeira Grande vive ao ritmo do Atlântico que lhe bate à porta, com ondas que chegam sem aviso e nevoeiros que se levantam em minutos.
O centro histórico organiza-se à volta da ribeira que dá nome à cidade. A Ponte dos Oito Arcos, em pedra, é o ex-líbris, construída para atravessar o vale que divide a cidade em dois. Ao redor, igrejas como a Nossa Senhora da Estrela (uma das mais antigas da ilha) e casas senhoriais que contam mais sobre a história dos Açores do que qualquer museu. Aliás, o Museu Municipal, instalado no Solar de São Vicente Ferreira, vale a visita pelo presépio ambulante mais antigo da Europa, uma peça que raramente aparece nos roteiros.
Santa Bárbara é o nome que qualquer surfista nos Açores conhece. São 1,2 km de areia negra vulcânica virados para o Atlântico Norte aberto, com ondulação consistente e vários picos ao longo da praia. A infraestrutura é simples, estacionamento, duches, uma escola de surf e um bar, mas ninguém vem aqui pelo conforto. A melhor janela para banhos é entre maio e setembro; o surf funciona quase o ano todo, com os meses de inverno a trazer as ondas maiores.
O concelho estende-se para o interior com surpresas: o Salto do Cabrito, uma cascata de cerca de 20 metros acessível por trilho, e as Caldeiras da Ribeira Grande, um complexo termal do século XVII rodeado de vegetação laurissilva. As plantações de chá da Gorreana ficam tecnicamente no limite do concelho e merecem uma paragem, é a única fábrica de chá da Europa, e o chá preto deles é melhor do que qualquer souvenir.
Dois dias completos são suficientes para cobrir o centro, a praia e uma das cascatas. Se vieres em junho, as Cavalhadas de São Pedro, uma encenação da batalha entre cristãos e mouros que se repete há séculos, transformam a cidade. Para comer, o peixe fresco da costa norte é o ponto de partida; procura restaurantes no centro que trabalhem com pesca do dia. A Merenda, que já temos listada, é uma referência local que vale conhecer.