Ribeira Grande: As Melhores Excursões de Um Dia
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Ribeira Grande: As Melhores Excursões de Um Dia

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Ribeira Grande não é destino, é quartel-general. A meia hora de carro tens caldeiras a ferver, plantações de chá, areais negros e termas. E se tiveres um dia a mais, salta para a Horta antes do jantar.

Ribeira Grande é o tipo de sítio que te engana. Passas pela ponte de oito arcos, vês as fachadas barrocas pretas e brancas, almoças bem e pensas que viste a cidade. Erro. O verdadeiro talento de Ribeira Grande é ser uma base de operações. Estás a meia hora de praticamente tudo o que torna São Miguel a ilha mais variada dos Açores: caldeiras a ferver, plantações de chá com mais de cento e cinquenta anos, areais negros varridos pelo Atlântico e, se quiseres esticar a coisa, um aeroporto e um porto que te levam a outras ilhas antes do jantar.

Este guia não é uma lista de postais. É um plano de fuga, com horas, custos aproximados e opiniões fortes sobre o que vale a pena e o que podes saltar. Faz a tua reserva de carro com antecedência: em São Miguel, sem carro, ficas refém de horários de autocarro que foram desenhados por alguém com sentido de humor cruel.

Antes de partires: ancora-te na cidade

Não saias em jejum. Começa o dia no centro, numa volta lenta pelo Jardim Municipal de Ribeira Grande, com os seus canteiros geométricos e a fonte central, o sítio certo para beber um café e decidir o rumo do dia. Para travar a fome antes da estrada, A Merenda resolve-te a vida com comida açoriana sem firulas: peixe fresco, carne bem feita e porções que justificam não voltares a parar até ao fim da tarde. Come, abastece o depósito, e arranca.

Excursão 1: Caldeira Velha e o vale geotérmico (15 minutos)

A subida pela estrada regional 1-1A em direção às Furnas leva-te, em menos de um quarto de hora, ao coração vulcânico da ilha. O primeiro paragem obrigatória é o Centro de Interpretação Ambiental da Caldeira Velha, encravado na vertente norte do Fogo, no meio de fetos arbóreos que parecem saídos do Jurássico. Há uma cascata de água quente que cai sobre piscinas naturais de tons ferruginosos. O acesso é controlado e pago, e em época alta enche, por isso vai cedo, idealmente logo à abertura. Leva calçado que possa molhar-se e toalha: as poças ferruginosas mancham roupa de cor clara, fica avisado.

O conselho honesto: se odeias multidões, escolhe um dia de semana e a primeira hora. Em agosto ao meio-dia parece uma piscina municipal com vista para a selva. Não é o crime do século, mas tira metade da magia.

Como chegar

  • De carro: cerca de 15 minutos desde o centro de Ribeira Grande, sentido Furnas. Há parque de estacionamento à entrada.
  • Confirme localmente os horários e o valor de entrada, que variam conforme a época e podem exigir marcação prévia.

Excursão 2: A fronteira do chá na Europa (15-20 minutos)

A costa norte de São Miguel guarda algo que não existe em mais nenhum lado da Europa em escala comercial: plantações de chá ativas. As encostas de Gorreana e Porto Formoso são um mar de verde alinhado, e percorrê-las é uma das experiências mais singulares da ilha. Reservei uma manhã inteira para isto através da experiência mergulho nas plantações da Gorreana e Porto Formoso, e não me arrependi.

O ritual é simples e civilizado: passeias por entre as fileiras de chá, percebes como se apanha a folha à mão e como as velhas máquinas inglesas continuam a roncar como há um século, e terminas com uma chávena de chá preto ou verde, muitas vezes sem custo de prova. Leva um casaco: a costa norte apanha vento e nuvem com facilidade, mesmo quando o sul está de sol.

Como chegar

  • De carro: 15 a 20 minutos desde Ribeira Grande pela costa, sentido Maia/Nordeste.
  • Dica: combina a visita ao chá com a praia ou o surf abaixo descritos, porque ficam todos na mesma faixa de costa.

Excursão 3: Areal negro e ondas em Santa Bárbara (10 minutos)

Se há uma praia que define a costa norte, é Santa Bárbara: areia vulcânica escura, ondas consistentes e uma das melhores escolas de surf da ilha. Mesmo que nunca tenhas posto os pés numa prancha, vale a pena experimentar a sessão de surf ao nascer do sol. A luz às seis e meia da manhã sobre a areia preta, com a montanha atrás ainda meio adormecida, vale o sacrifício de pôr o despertador.

Não és pessoa de neoprene? Não faz mal. Senta-te no areal com um café da roulote e vê os surfistas. O Atlântico aqui não é para nadadores distraídos: as correntes são reais, por isso respeita as bandeiras e o bom senso.

Como chegar

  • De carro: cerca de 10 minutos a oeste do centro de Ribeira Grande.
  • Há estacionamento junto à praia e apoio de praia na época balnear.

Excursão 4: O ritual termal das Caldeiras (10 minutos)

Para o fim de tarde, nada bate água quente. A poucos minutos da cidade, as Termas das Caldeiras da Ribeira Grande são o segredo mal guardado dos locais: fumarolas a borbulhar, cheiro a enxofre no ar e tanques de água termal onde se mergulham os músculos cansados depois de um dia de estrada e de mar. É o contraponto perfeito ao surf da manhã.

Vai ao fim do dia, quando a luz se torna dourada e os autocarros de excursão já partiram. Confirme localmente o horário e o valor, e leva chinelos: o pavimento à volta dos tanques fica escorregadio.

Como chegar

  • De carro: menos de 10 minutos desde o centro, na zona das Caldeiras.
  • Combina bem como último ponto do dia, antes de regressar para jantar na cidade.

Esticar a viagem: a gastronomia de Ponta Delgada (35 minutos)

Se um dia for de comer e não de natureza, vira para sul. Ponta Delgada está a pouco mais de meia hora e tem a maior densidade de boas mesas da ilha. Antes de ires, lê o guia gastronómico de Ponta Delgada para não desperdiçares refeições com escolhas medianas. Procura o cozido das Furnas cozinhado no calor da terra, o atum fresco, as lapas grelhadas com alho e limão, e termina com uma queijada da Vila Franca. É um dia inteiro de garfo na mão, e não há melhor maneira de o passar.

O salto para outra ilha: Horta, no Faial

Aqui é que a coisa fica séria. Se tiveres um dia extra e o estômago para um voo curto ou uma travessia de barco, salta para o Faial. A cidade da Horta é o ponto de encontro mítico dos navegadores que atravessam o Atlântico, e tem uma energia cosmopolita que não esperas numa ilha tão pequena. Para um plano apertado, segue o roteiro de 24 horas na Horta, que te leva da marina pintada por veleiros de meio mundo ao gin tónico obrigatório no Peter Café Sport.

E se há coisa que a Horta faz bem é a vista. A baía, o vulcão dos Capelinhos ao longe, o Pico a flutuar sobre as nuvens do outro lado do canal. Para apanhares as melhores panorâmicas, vale a pena consultar o guia dos melhores rooftops e panorâmicas da Horta antes de partires. Avisos práticos: voos entre ilhas são curtos mas mexem com horários, e a meteorologia dos Açores muda de ideias depressa. Confirme as ligações com antecedência e não marques nada com margem apertada para o regresso.

O plano de dois dias que eu faria

Se só tens fim de semana, faz assim. No primeiro dia, manhã de surf ou de praia em Santa Bárbara, almoço n'A Merenda, tarde nas plantações de chá da Gorreana, e fim de tarde a derreter nas Termas das Caldeiras. No segundo, sobe cedo à Caldeira Velha antes das multidões, desce a Ponta Delgada para um almoço longo, e guarda o jantar para a Rua de São Vicente, em Ribeira Grande, onde a cidade volta a ganhar vida.

Conselhos práticos finais

  • Carro: imprescindível. Reserva com semanas de antecedência no verão. Os custos de combustível são mais altos que no continente.
  • Tempo: a costa norte é mais ventosa e nublada que o sul. Leva sempre um casaco impermeável, mesmo em agosto.
  • Multidões: as atrações de água (Caldeira Velha, termas) enchem entre as 11h e as 16h. Vai cedo ou ao fim do dia.
  • Dinheiro: leva algum em numerário para pequenas entradas, provas de chá e roulotes de praia, embora a maioria já aceite cartão. Confirme valores localmente.

Ribeira Grande não te pede que fiques quieto. Pede-te um depósito cheio, calçado que se molhe e vontade de andar. O resto, a ilha trata.

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