Jardim do Pátio do Museu
Gouveia
Gouveia é a porta ocidental da Serra da Estrela, com bairros históricos, um museu de arte moderna surpreendente e o Mercado do Queijo entre fevereiro e abril. Merece pelo menos meio dia, sobretudo na primavera, quando a serra floresce e as mesas enchem de cabrito e queijo amanteigado.
Gouveia é a cidade que toda a gente atravessa a caminho da Torre sem nunca parar. Tem um museu de arte moderna inesperado, um miradouro com história que remonta ao terramoto de 1755, e o melhor queijo da Serra a poucos passos do centro.
Em Gouveia, come-se cabrito com míscaros a preços de há 20 anos, queijo Serra da Estrela à colher e rodízios serranos a 20 euros em Folgosinho. Este é o guia para comer onde comem os locais na vertente norte da Serra da Estrela.
Gouveia não tem discotecas, e ainda bem. A vida nocturna desta vila serrana faz-se de esplanadas com cerveja a 1,50€, festas de São Pedro com música na rua, e noites de Verão em que a Serra da Estrela é o melhor cenário possível.
Em Gouveia não há discotecas nem filas à porta. O que há são bares de bairro com vinho do Dão a preço honesto, noites de música que surgem sem aviso, e um céu estrelado que faz parte do programa. Este guia mostra-lhe onde encontrar tudo isso.
Gouveia fica na encosta ocidental da Serra da Estrela, virada para o vale do Mondego. Não é uma cidade que se atravesse por acaso, fica fora das rotas mais óbvias, longe da corrida turística à Torre ou a Manteigas. E é precisamente isso que faz dela um ponto de paragem honesto: uma vila com peso próprio, que não precisa de se vender a ninguém.
O centro de Gouveia organiza-se em torno de bairros com identidades próprias. O Bairro do Castelo é considerado o berço da vila. O Bairro da Biqueira foi o bairro judeu no século XIV. O Bairro do Toural preserva casas manuelinas que ainda contam a história de uma vila que já teve importância comercial e administrativa. A Igreja de São Pedro, no centro, destaca-se pelo revestimento exterior de azulejos azuis e brancos, o tipo de detalhe que se nota sem precisar de guia turístico.
Na Rua Direita, o Museu Municipal de Arte Moderna Abel Manta ocupa um edifício barroco do século XVII, antigo solar dos Condes de Caria. Abel Manta, pintor modernista nascido em Gouveia em 1888, dá nome ao espaço, que reúne 108 obras de 72 pintores contemporâneos. O pátio do museu abre para um jardim com mós antigas, janelas manuelinas e a Fonte de São Lázaro, de 1779. É o tipo de museu que se visita em menos de uma hora e que muda a impressão que se tinha da vila.
Gouveia é terra de Queijo Serra da Estrela DOP. Não é apenas um produto regional, é uma instituição, com produção artesanal que envolve leite cru de ovelha, sal e flor de cardo. O Mercado do Queijo, que acontece entre fevereiro e abril, transforma o Mercado Municipal num palco dedicado ao queijo e aos sabores da montanha, com provas, demonstrações de fabrico artesanal e harmonizações com vinhos do Dão. Fora da época das feiras, o queijo aparece em qualquer mesa que se preze, amanteigado, cortado ao meio, comido à colher com pão de centeio.
A gastronomia de Gouveia é de montanha: sopa de castanhas, ensopado de míscaro (o cogumelo da serra), cabrito à serrana, feijões à pastor e arroz de carqueja. Para sobremesa, requeijão com doce de abóbora ou arroz doce. O Restaurante O Júlio, numa rua lateral discreta, é uma referência local para quem quer provar cabrito sem pretensões. A cozinha aqui é directa e pesada, exactamente o que se quer depois de uma manhã na serra.
Gouveia merece pelo menos meio dia dedicado, mais se a visita coincidir com o Mercado do Queijo. A primavera é a melhor altura: a serra floresce, as temperaturas são amenas e os trilhos estão transitáveis. No inverno, a vila ganha um silêncio que pode ser reconfortante ou solitário, conforme o temperamento.