Jardim do Lago
Inaugurado em 2005 na parte baixa da cidade, o Jardim do Lago é o maior espaço verde da Covilhã: um lago com barcos de recreio, percursos pedonais e a Serra da Estrela inteira como pano de fundo. Vá ao fim da tarde, dê a volta completa ao lago e não gaste um cêntimo.
A Covilhã é uma cidade construída a pique. Quem sobe as ruas do centro histórico sabe do que falo: escadas, rampas, mais escadas. Por isso é que o Jardim do Lago, inaugurado em 2005 na parte baixa da cidade, entre a Rua Irmãos Bonina e a Alameda da Europa, funciona como uma espécie de compensação urbana. Depois de uma cidade inteira em declive, finalmente um sítio plano, largo, com espaço para respirar. É o maior espaço verde da Covilhã e, sejamos honestos, durante muito tempo foi também o único com dimensão suficiente para merecer o nome de parque.
O que lá está, sem rodeios
O centro de tudo é o espelho de água. Um lago artificial de bom tamanho, com barcos de recreio para quem quiser remar um bocado, rodeado de percursos pedonais que servem tanto para a caminhada séria da manhã como para o passeio de domingo com gelado na mão. À volta, relvados, um parque infantil que enche ao fim da tarde e um parque de desportos radicais onde a juventude local gasta energia em skates e trotinetes. Não é um jardim romântico de buxo aparado. É um parque urbano funcional, do género que as cidades médias portuguesas aprenderam a fazer bem nos anos 2000, e a Covilhã fez este com mão generosa.
O trunfo verdadeiro, no entanto, não está dentro do parque. Está por cima dele. Levantem os olhos do lago e têm a Serra da Estrela inteira em pano de fundo. No inverno, com neve nos cumes, a vista é daquelas que justificam parar a meio da volta ao lago só para olhar. No verão, ao fim da tarde, a luz bate na encosta e a cidade sobe pela montanha como um anfiteatro. É este contraste, água em baixo, granito lá em cima, que faz do Jardim do Lago mais do que um parque de bairro.
Quando ir e o que fazer
A minha recomendação é clara: fim da tarde, qualquer estação. De manhã o parque é dos caminhantes e dos reformados, o que tem o seu encanto, mas é ao entardecer que o sítio ganha vida, com famílias, estudantes da universidade e o pessoal dos desportos radicais todos a partilhar o mesmo espaço sem se atropelarem. No verão, evitem o meio do dia. Há sombra, mas não chega para toda a gente, e o calor da Cova da Beira não perdoa.
- Deem a volta completa ao lago pelos percursos pedonais. É a melhor forma de apanhar todos os ângulos da serra.
- Se forem com crianças, o parque infantil resolve uma hora inteira sem esforço.
- Os barcos de recreio funcionam consoante a época e as condições. Não há horário fiável publicado, por isso confirmem no local antes de prometer o passeio aos miúdos.
- Levem camisola mesmo no verão. A Covilhã está a mais de 600 metros e o ar da serra desce ao fim do dia.
Como chegar e o que fazer à volta
De carro é simples: o parque fica junto à Alameda da Europa, na zona de expansão da cidade, com estacionamento nas imediações. A pé a partir do centro histórico é uma descida agradável. O regresso é outra conversa, porque a subida da Covilhã não é para amadores, portanto contem com isso ou combinem transporte para a volta.
Para completar a tarde, o passo lógico é subir ao centro. Se o objetivo for café e um bolo com vista de jardim, o Café Bar Covilhã Jardim é a paragem natural, e o Café Primor resolve a merenda clássica de cidade beirã. Se a ideia for esticar o dia até à noite, temos um roteiro de vinho e petiscos pela Covilhã ao anoitecer que emenda bem com uma tarde de parque. E se o tempo virar, coisa frequente numa cidade de montanha, o nosso guia da Covilhã à chuva tem alternativas que não envolvem ficar a olhar para o lago debaixo de um guarda-chuva.
Dinheiro, regras e avisos
A entrada é livre, como deve ser num parque público. O único gasto possível são os barcos e o que comerem por perto, portanto isto é território de preço €, no sentido mais literal. Não há reservas, não há dress code, não há telefone para ligar. Há um parque, um lago e uma montanha. Em julho, atenção ao calendário: a Feira de São Tiago agita a cidade e o parque enche em conformidade, o que pode ser exatamente o que procuram ou exatamente o que querem evitar.
Veredicto
O Jardim do Lago não é uma atração no sentido turístico do termo, e ainda bem. É o sítio onde a Covilhã vai quando quer estar ao ar livre sem subir a serra, e é precisamente por isso que vale a visita: vê-se a cidade a viver. Se estão na Covilhã de passagem, dediquem-lhe uma hora ao fim da tarde antes do jantar. Se estão a usar a cidade como base para explorar a região, é o sítio ideal para esticar as pernas antes de meter ao caminho, por exemplo, no nosso roteiro de um dia da Covilhã às Aldeias de Xisto. Água à frente, serra ao fundo, zero euros gastos. Há programas piores.