Confeitaria da Ponte
Aberta em 1930 à beira do Tâmega, com o Mosteiro de São Gonçalo de frente, faz doçaria conventual de ovos e amêndoa. Peça papos de anjo e foguetes, acompanhe com café simples e vá cedo se quiser a mesa com vista.
Confeitaria da Ponte: doçaria conventual à beira do Tâmega
Há cafés que se visitam pela montra e há cafés que se visitam pela história. A Confeitaria da Ponte, em Amarante, é dos dois. Está na R. 31 de Janeiro, 186, a poucos passos da ponte de São Gonçalo, e abriu portas em 1930. Quase um século depois, continua a fazer o que fazia: doces de ovos e amêndoa, herança das receitas de convento que deram fama a esta cidade do Norte.
Sente-se à mesa virada para o rio e percebe-se logo porque é que o lugar não precisa de truques. Do outro lado da água está o Mosteiro de São Gonçalo, com a sua igreja e a fachada que toda a gente de Amarante conhece de cor. A vista é o melhor acompanhamento que estes doces podem ter, e é de graça.
O que pedir
Aqui manda a doçaria conventual. Os papos de anjo são o clássico da casa: pequenas bolas de gema cozidas em calda, doces até ao limite, do tipo que se come um e se pensa duas vezes antes do segundo (e depois pede-se o segundo na mesma). Os foguetes, longos e estaladiços, são o outro nome que vale a pena conhecer antes de entrar. São doces de assumir: feitos com ovos e amêndoa, não pedem desculpa por serem ricos.
O meu conselho prático: acompanhe com um café simples, não com algo açucarado. Estes doces já trazem açúcar que chegue, e um bica forte equilibra a coisa. Se for em grupo, peça uma variedade e partilhem, porque comer três papos de anjo seguidos é um desporto de alto rendimento.
O bairro e como chegar
Amarante é compacta e faz-se a pé. A confeitaria fica no centro histórico, do lado da margem onde está o mosteiro, e quem chega de carro deve estacionar perto do centro e fazer o resto a pé, porque as ruas junto à ponte são estreitas e nem sempre fáceis de circular. Vir de comboio é possível, mas a estação de Amarante há muito que não tem serviço regular de passageiros, por isso a forma mais prática continua a ser carro ou autocarro a partir do Porto, a cerca de uma hora.
Uma vez na cidade, a Confeitaria da Ponte encaixa naturalmente num passeio a pé. Se quiser fazer as coisas com método, há um percurso que liga o mosteiro à doçaria e que descrevemos no guia da ponte romântica e da rota dos doces de Amarante. É a melhor forma de perceber porque é que esta cidade e os seus doces andam de mãos dadas.
Preço, horário e o que esperar
A casa situa-se na faixa dos €€: não é um café de pastel a um euro, mas também não é luxo. Paga-se pela qualidade da doçaria e pela localização, e vale a pena. Sobre o horário, não temos informação fixa para partilhar, por isso confirme diretamente pelo telefone +351 255 432 034 antes de planear uma visita à hora do fecho, sobretudo fora de época.
Não é preciso reserva para um café e uns doces. É um sítio para entrar, sentar e comer sem cerimónia. Se quiser a mesa com vista para o rio, vá mais cedo: ao fim da manhã e ao início da tarde o movimento aperta, sobretudo aos fins de semana e nos dias de festa. A esplanada apanha sol e gente; quem prefere sossego pode pedir um lugar mais para dentro.
Encaixar na viagem
A Confeitaria da Ponte é uma paragem de dia, não de noite. Funciona bem como pausa doce a meio de um passeio por Amarante, e combina lindamente com um almoço por perto. Se procura onde comer a sério, o Pobre Tolo é uma boa aposta na cidade.
Para quem fica até mais tarde, Amarante tem vida quando o sol baixa. Um copo no Torre Jardim Bar ou no Spark Bar fecha bem o dia, e o guia de Amarante ao entardecer, com vinho e petiscos dá pistas para isso. Se a ideia é usar a cidade como ponto de partida para explorar o Norte, veja também as nossas sugestões em Amarante como base para escapadelas de um dia.
Vale a pena?
Vale. Não pela modernidade, que não tem, mas pela continuidade: um sítio que faz doces de ovos desde 1930, à beira do Tâmega, com o mosteiro de frente. Vá com fome moderada e curiosidade alta, peça papos de anjo e foguetes, e deixe a vista fazer o resto. É das experiências mais honestas que Amarante oferece a quem é guloso.