Amarante é uma daquelas cidades que se medem pelo ritmo do rio. O Tâmega corre lento sob a Ponte de São Gonçalo e, com ele, o tempo parece abrandar, nas esplanadas junto à margem, nas pastelarias que ainda vendem doces de receitas conventuais do séc. XVII, nas ruas de pedra onde a vida se faz sem pressa.
Uma cidade que se come antes de se ver
Se há argumento forte para vir a Amarante, é a doçaria. Os doces conventuais, com receitas que remontam ao Convento de Santa Clara, são uma tradição levada a sério: Papos de Anjo, Foguetes envoltos em hóstia, Lérias, Brisas do Tâmega e os próprios São Gonçalos. Não são souvenirs turísticos; são peças de pastelaria fina à base de ovo, amêndoa e calda de açúcar. A Confeitaria da Ponte, aberta desde 1930, continua a ser o sítio óbvio para provar tudo isto com vista para o rio. Para quem quer ir além do doce, a gastronomia local apoia-se no cabrito assado, na vitela barrosã, no arroz de cabidela e num vinho verde da sub-região que raramente chega às prateleiras de Lisboa.
O que fazer com um dia (ou dois)
Amarante não precisa de mais do que um dia inteiro, mas dois permitem respirar. A Ponte de São Gonçalo, monumento nacional de 1790, onde os amarantinos travaram a resistência contra as tropas de Soult em 1809, é o ponto de partida natural. Ao lado, a Igreja de São Gonçalo com a sua fachada renascentista e barroca. O Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, dedicado ao pintor modernista nascido aqui em 1887, é uma surpresa para quem não espera encontrar arte de vanguarda numa cidade de 12 mil habitantes. O claustro do convento anexo recebe em maio a Feira dos Doces Conventuais, um dos melhores eventos gastronómicos do Norte.
Quando ir e o que saber
O primeiro fim de semana de junho traz as Festas de São Gonçalo, uma romaria que mistura o religioso e o profano com uma energia difícil de encontrar noutro lado. Fora das festas, a primavera e o início do outono são ideais: temperaturas suaves, cidade tranquila, vinhas verdes nas encostas em redor. Amarante funciona bem como paragem entre o Porto (a uma hora de carro) e o Douro vinhateiro. Mas tratá-la apenas como paragem é subestimá-la.