Snack-Bar Ilhéu Mole
Comer

Snack-Bar Ilhéu Mole

Na Rua dos Alfarrobeiras, longe das esplanadas que cobram pela vista, este snack-bar serve empanadas, poncha tradicional e contas honestas. Peça ao almoço, beba a poncha devagar e leve dinheiro por precaução.

Há uma certa honestidade nos snack-bares da Madeira que os restaurantes com toalha branca nunca conseguem fingir. O Snack-Bar Ilhéu Mole, na Rua dos Alfarrobeiras 4, em Porto Moniz, é exatamente isso: um sítio onde se come depressa, se paga pouco e se sai satisfeito sem ter de pensar muito. O símbolo de preço é um só euro (€), e isso não é eufemismo. É das paragens mais baratas que vai encontrar numa vila onde os restaurantes de frente para as piscinas naturais sabem perfeitamente o que valem as vistas.

Onde fica e como chegar

Porto Moniz é a ponta noroeste da Madeira, o fim da estrada para quem vem do Funchal pela costa norte ou desce a serra desde Santana. A Rua dos Alfarrobeiras fica ligeiramente afastada da zona ribeirinha mais turística, o que já é meio caminho andado para perceber porque é que o Ilhéu Mole é mais frequentado por gente da terra do que por autocarros de excursão. Se vier de carro, há estacionamento na vila, mas em dias de verão e em época de eventos como a Semana do Mar de Porto Moniz convém chegar cedo. A pé, está a poucos minutos do centro e das famosas piscinas vulcânicas.

Para situar: estamos a falar de uma das vilas mais bonitas do norte da ilha, onde a lava solidificada formou piscinas naturais que dão para nadar com o Atlântico a rebentar a metros. Se ainda não conhece a geologia disto tudo, vale a pena ler sobre a arquitetura vulcânica das piscinas do Porto Moniz antes de ir. E se gosta de caminhar, a Levada das 25 Fontes ao amanhecer é um bom argumento para aparecer com fome ao almoço.

O que esperar

Não venha à procura de teatro. O Ilhéu Mole é um snack-bar de bairro, daqueles com balcão, cafés a sair a toda a hora e conversa em volume madeirense. A cozinha é simples e direta: petiscos, pratos rápidos, comida do dia. A casa tem fama pelas empanadas e pela poncha tradicional, e é por aí que eu começaria. A poncha de Porto Moniz, feita com aguardente de cana, mel e limão (a clássica) ou com frutas da época, é o tipo de bebida que se pede uma e fica logo a pensar na segunda. Beba com calma: é mais traiçoeira do que parece.

O preço é o grande trunfo. Num sítio onde tantas esplanadas inflacionam a conta por causa da vista, este é um endereço que premeia quem procura comer bem por pouco. É o género de almoço de meio da semana, sem cerimónia, em que ninguém olha para o que tem vestido. Roupa de praia depois de um mergulho nas piscinas? Sem problema.

O que pedir, o que saltar

Comece pelas empanadas e por uma poncha. Se houver prato do dia, pergunte qual é, porque é quase sempre a aposta mais segura e mais barata. Para o resto, confie no clássico madeirense: peixe fresco quando há, e o omnipresente bolo do caco com manteiga de alho, que aqui na ilha é quase um direito adquirido. Se vier acompanhado e quiser variar, vale a pena cruzar com outras casas da zona, como o Conchinha Bar, para comparar ponchas e ambientes.

Um conselho honesto: este não é o sítio para um jantar romântico nem para uma refeição demorada de várias horas. É rápido, é prático, é bom. Trate-o por isso e vai sair contente.

Dicas práticas

  • Horário: não temos confirmação do horário de funcionamento. Como é hábito nos snack-bares da vila, conta-se que esteja aberto à hora de almoço; mesmo assim, ligue antes para o +351 291 852 060 a confirmar diretamente, sobretudo fora de época.
  • Reservas: num snack-bar deste tipo não costumam ser necessárias. Chega-se, senta-se, pede-se.
  • Pagamento: sítios assim funcionam muitas vezes a dinheiro. Leve algum, por precaução, e confirme se aceitam multibanco.
  • Quando ir: ao almoço, depois de uma manhã nas piscinas ou de uma caminhada. É quando a casa está mais viva e a comida mais fresca.
  • Código de vestuário: nenhum. Venha como está.

Vale a pena?

Vale, e por uma razão simples: é genuíno e não custa quase nada. Numa vila que aprendeu a cobrar pelas vistas, encontrar um balcão onde a poncha é boa e a conta é honesta é mais raro do que devia. Faça dele a sua paragem de meio-dia, prove as empanadas, beba a poncha devagar e guarde a câmara para depois, talvez quando for fotografar a luz de Porto Moniz ao fim da tarde. Se calhar no fim de junho, com a vila em festa pelo Arraial de São Pedro em Lamaceiros, esta é exatamente a refeição descomplicada de que vai precisar antes de mergulhar na noite.