Praia da Adraga
Sintra
Às 8h da manhã no Caldeirão Verde, a 880 metros, a temperatura anda pelos 15 graus enquanto o Funchal ferve lá em baixo. Guia honesto às melhores levadas da Madeira para o verão, com horários, logística do Rabaçal e a alternativa continental: os trilhos frescos da costa de Sintra.
Há uma teoria que ninguém diz aos turistas: Sintra é melhor à chuva. Um roteiro de interiores pelos palácios, quintas e pastelarias onde o vidro embacia e a queijada custa um euro.
Em Maio, Sintra tem palácios sem filas, jardins em flor e uma costa atlântica que se partilha com meia dúzia de surfistas. A janela perfeita para visitar dura quatro semanas. Aqui está o roteiro para a aproveitar.
Maio é a janela perfeita para visitar Sintra: bilhetes sem filas, jardins em flor e luz dourada nos palácios. Um roteiro de dois dias que inclui Pena, Regaleira, Monserrate e as praias da costa, com estratégias para fugir às multidões.
Sintra é daqueles sítios que toda a gente conhece de nome, mas que poucos visitam com calma suficiente para perceber o que realmente vale a pena. Os autocarros despejam multidões no Palácio da Pena, as filas estendem-se pela Volta do Duche, e ao final do dia toda essa gente volta para Lisboa com fotos bonitas e pés doridos. Há outra forma de fazer isto.
O centro histórico de Sintra organiza-se em torno da São Pedro de Penaferrim e da zona da Vila Velha, com a sua estação de comboios a cerca de quinze minutos a pé do Palácio Nacional. Esse percurso, pela Volta do Duche, é uma introdução decente, mas a verdadeira recompensa está em subir pela Calçada dos Clérigos ou perder-se nos caminhos que serpenteiam pela Serra. Os jardins da Quinta da Regaleira merecem a visita, mas de manhã cedo, antes das dez, quando ainda se consegue descer ao Poço Iniciático sem fila.
O Palácio da Pena é inevitável e, honestamente, justifica a fama. As cores exageradas, a mistura de estilos, os terraços com vista para o Atlântico, funciona. Mas reserve pelo menos duas horas e compre bilhete online com antecedência. O Castelo dos Mouros, logo ali ao lado, oferece vistas igualmente impressionantes com metade das pessoas.
A travesseiro de Sintra, massa folhada recheada com creme de amêndoa e ovos, é obrigatória. A Piriquita, na Rua das Padarias, é o sítio clássico, e a queijada de Sintra também não desilude. Para almoçar com calma, a Tasca do Manel na zona de São Pedro tem cozinha portuguesa honesta a preços razoáveis, longe do markup turístico do centro.
Um dia chega para o essencial, mas dois dias permitem explorar sem stress, e incluir a costa. A Praia da Adraga e a Praia Grande ficam a menos de vinte minutos de carro e são das melhores praias da região de Lisboa, com falésias dramáticas e mar forte. Fora de época, são quase desertas.
A melhor altura para visitar é entre março e maio ou em setembro e outubro. O verão traz calor, multidões e filas intermináveis. O inverno é húmido, mas a serra coberta de nevoeiro tem um carácter próprio, e os palácios ficam praticamente vazios.
A linha de comboio de Sintra, desde o Rossio, demora cerca de quarenta minutos e custa pouco mais de dois euros. É a forma mais sensata de chegar. Esqueça o carro no centro, o estacionamento é um pesadelo.