Sintra

Sintra pede pelo menos dois dias: um para os palácios da serra, outro para as praias selvagens da costa. Chegue de comboio desde o Rossio, comece pelas travesseiros da Piriquita e evite o verão se puder.

Sintra é daqueles sítios que toda a gente conhece de nome, mas que poucos visitam com calma suficiente para perceber o que realmente vale a pena. Os autocarros despejam multidões no Palácio da Pena, as filas estendem-se pela Volta do Duche, e ao final do dia toda essa gente volta para Lisboa com fotos bonitas e pés doridos. Há outra forma de fazer isto.

Fugir ao óbvio sem perder o essencial

O centro histórico de Sintra organiza-se em torno da São Pedro de Penaferrim e da zona da Vila Velha, com a sua estação de comboios a cerca de quinze minutos a pé do Palácio Nacional. Esse percurso, pela Volta do Duche, é uma introdução decente, mas a verdadeira recompensa está em subir pela Calçada dos Clérigos ou perder-se nos caminhos que serpenteiam pela Serra. Os jardins da Quinta da Regaleira merecem a visita, mas de manhã cedo, antes das dez, quando ainda se consegue descer ao Poço Iniciático sem fila.

O Palácio da Pena é inevitável e, honestamente, justifica a fama. As cores exageradas, a mistura de estilos, os terraços com vista para o Atlântico, funciona. Mas reserve pelo menos duas horas e compre bilhete online com antecedência. O Castelo dos Mouros, logo ali ao lado, oferece vistas igualmente impressionantes com metade das pessoas.

Onde e o que comer

A travesseiro de Sintra, massa folhada recheada com creme de amêndoa e ovos, é obrigatória. A Piriquita, na Rua das Padarias, é o sítio clássico, e a queijada de Sintra também não desilude. Para almoçar com calma, a Tasca do Manel na zona de São Pedro tem cozinha portuguesa honesta a preços razoáveis, longe do markup turístico do centro.

Quanto tempo ficar

Um dia chega para o essencial, mas dois dias permitem explorar sem stress, e incluir a costa. A Praia da Adraga e a Praia Grande ficam a menos de vinte minutos de carro e são das melhores praias da região de Lisboa, com falésias dramáticas e mar forte. Fora de época, são quase desertas.

A melhor altura para visitar é entre março e maio ou em setembro e outubro. O verão traz calor, multidões e filas intermináveis. O inverno é húmido, mas a serra coberta de nevoeiro tem um carácter próprio, e os palácios ficam praticamente vazios.

A linha de comboio de Sintra, desde o Rossio, demora cerca de quarenta minutos e custa pouco mais de dois euros. É a forma mais sensata de chegar. Esqueça o carro no centro, o estacionamento é um pesadelo.