Miradouro da Senhora do Monte
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Miradouro da Senhora do Monte

Mais alto e menos turístico do que o Miradouro da Graça, a Senhora do Monte tem a melhor vista de 180 graus sobre o Castelo e o Tejo. Vá às nove da manhã ou em fevereiro ao fim da tarde: aí a vista é sua.

Há miradouros em Lisboa que toda a gente conhece, e há o Miradouro da Senhora do Monte. Fica na Graça, mais acima do que o Miradouro da Graça, mais difícil de encontrar do que o de Santa Catarina, e por isso mesmo continua a ser o sítio onde os lisboetas vão quando querem ver a cidade sem cotovelos estrangeiros no caminho. A morada é simples: R. da Senhora do Monte, 1170-108. Chegar lá é que dá trabalho, e essa é metade da graça.

Onde fica, e porque é que se chama assim

O miradouro está colado a uma capela pequena, dedicada a Nossa Senhora do Monte, no topo de uma das sete colinas. É um dos pontos mais altos da cidade, e a vista abre-se 180 graus sobre o casco antigo: o Castelo de São Jorge aparece à esquerda, o Tejo corre ao fundo, e numa boa tarde de inverno vê-se até à outra margem com uma nitidez que o Miradouro de Santa Luzia, mais turístico, nunca consegue.

A capela, segundo a tradição, é um sítio onde grávidas vinham (e ainda vêm) pedir um parto fácil. Por isso, se houver alguém de joelhos lá dentro, baixe a voz. Não é um museu, é uma capela a funcionar, e a Senhora do Monte não está aqui para servir de cenário a fotografias de casamento.

Como chegar sem se passar dos carris

A opção mais romântica é apanhar o elétrico 28 até à Graça e subir a pé pela Rua da Graça e depois pela Rua da Senhora do Monte. São cerca de dez minutos a subir, e a subida é a sério. Quem tem joelhos cansados deve preferir o autocarro 734, que pára mesmo ali ao lado. De táxi ou Uber, peça para o deixarem no Largo da Senhora do Monte, não no Miradouro da Graça, são coisas diferentes e ficam a uns bons quatrocentos metros uma da outra. Esqueça o carro próprio: o estacionamento na Graça é uma forma de penitência.

Quando ir, e quando não ir

A boa hora é o pôr do sol, mas com uma ressalva: entre maio e setembro, das 19h30 às 21h, o miradouro enche de gente com tripés, garrafas de Super Bock e altifalantes portáteis. Se gosta de pôr do sol em silêncio, vá em fevereiro ou em novembro, com casaco grosso, depois das cinco da tarde. O céu de inverno em Lisboa tem uma qualidade de luz que justifica a subida sozinho.

Outra hora subestimada: as nove da manhã. A luz vem por detrás e ilumina o Castelo de frente, o miradouro está vazio, e os pinheiros mansos que dão sombra à esplanada cheiram a resina aquecida. É o momento em que se percebe porque é que esta cidade nunca se cansa de si própria.

O que esperar no local

Não há bilheteira, não há horário, não há entrada. É um espaço público, aberto vinte e quatro horas, e a única coisa que paga é o esforço de lá chegar. Há um quiosque pequeno na esplanada, do tipo que vende cerveja, água, ginjinha em copo de chocolate e pouco mais. Os preços são honestos para Lisboa (à volta de dois ou três euros por bebida, o símbolo € faz justiça), mas confirme diretamente no momento porque os quiosques mudam de concessionário.

Casas de banho públicas: não. Planeie em conformidade, sobretudo se vier com crianças. Bancos para sentar: alguns, debaixo dos pinheiros, mas em noite de verão estão todos ocupados às sete da tarde.

O que ver da varanda

Da esquerda para a direita, e isto vale a pena saber: o Castelo de São Jorge, depois o casario branco e rosado da Mouraria a descer para a Baixa, a torre dos Jerónimos ao fundo num dia limpo, a ponte 25 de Abril, o Cristo Rei, e à direita o Bairro Alto a subir para a Estrela. Em primeiro plano, telhados de telha cor de barro cozido, antenas, roupa a secar, e gaivotas que decidiram há muito que Lisboa lhes pertence.

Há um painel de azulejo no muro do miradouro que identifica os monumentos visíveis. Está rachado num canto, mas ainda se lê. Use-o em vez do telemóvel: é mais bonito e mais rápido.

O que fazer antes ou depois

O miradouro é um destino de uma hora, no máximo. Encadeie com a Graça propriamente dita: a Igreja de São Vicente de Fora fica a uns quinze minutos a pé, e a Feira da Ladra acontece nas terças e sábados no Campo de Santa Clara, ali ao lado. Para almoço ou jantar a sério, desça até ao centro e considere As Bifanas do Afonso para uma refeição rápida e honesta, ou reserve O Faia para uma noite de fado no Bairro Alto.

Se a Senhora do Monte abrir o apetite para mais Lisboa, vale a pena cruzar este passeio com o nosso guia das dez coisas para fazer em Lisboa, ou aprofundar a parte cultural com o ensaio sobre cultura local em Lisboa. Para quem precisa de uma pastelaria à descida, consulte o roteiro de pastéis de nata.

Dicas práticas, sem rodeios

  • Não precisa de reserva. É um miradouro, não um restaurante.
  • Leve dinheiro vivo para o quiosque. Multibanco nem sempre funciona.
  • Calçado confortável, e sem saltos altos: a calçada portuguesa entre a Graça e o miradouro é íngreme e escorregadia com chuva.
  • Em agosto, leve repelente. Os pinheiros são bonitos, os mosquitos também acham.
  • Site oficial para confirmar acessos e eventos pontuais: visitlisboa.com.
  • Telefone, horário fixo e classificação: não se aplicam. É público e está sempre aberto.

É um miradouro. Não tem cozinha de chef, não tem código de etiqueta, não pede para si nada além de subir uma rua íngreme num bairro que ainda é bairro. Em troca, dá-lhe Lisboa inteira ao colo, e na maioria dos dias, dá-lha sem fila.