As Bifanas do Afonso
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As Bifanas do Afonso

Anthony Bourdain chamou-lhes "the glory of Lisbon". Na Rua da Madalena, a dois passos da Sé, o balcão do Afonso serve bifanas de carne tenra com molho picante e pão fresco por tostões. Come-se de pé, depressa, e repete-se sem pensar duas vezes.

As Bifanas do Afonso: O Balcão que Bourdain Pôs no Mapa

Há sítios em Lisboa onde se come bem sentado, com toalha de linho e vista para o Tejo. E depois há sítios onde se come de pé, encostado a um balcão, com o molho a escorrer pelo pulso, e onde a refeição dura exactamente o tempo que demora a mastigar. As Bifanas do Afonso, na Rua da Madalena 146, pertencem firmemente à segunda categoria. E ainda bem.

Estamos na Baixa de Lisboa, a poucos metros da Sé. A zona é de passagem obrigatória para quem desce do Castelo ou sobe do Terreiro do Paço, e é fácil passar pela porta sem reparar. O espaço é mínimo: um balcão, uns bancos, o cheiro a carne grelhada que se sente antes de se ver a porta. Não há reservas, não há ementa plastificada com fotografias, não há Wi-Fi. Há bifanas.

A bifana, explicada

Para quem não conhece, a bifana é uma das grandes invenções da cozinha popular portuguesa: carne de porco fina, marinada e cozinhada num molho de alho, pimentão e especiarias, servida dentro de um pão (papo-seco ou bijou, conforme a região). É comida de feira, de tasca, de estádio de futebol. E quando é bem feita, é das coisas mais satisfatórias que se podem comer por pouco dinheiro em Portugal.

No Afonso, a receita funciona porque os três elementos estão no ponto: a carne é tenra, cortada fina e sem nervos; o molho tem o picante na medida certa, suficiente para acordar o palato sem o destruir; e o pão é sempre fresco, com côdea que segura o molho sem se desfazer. Peça a bifana, peça uma imperial (ou fino, estamos em Lisboa), e não complique.

O efeito Bourdain

O Afonso já era conhecido entre lisboetas antes de aparecer na televisão americana. Mas foi a visita de Anthony Bourdain que o transformou em ponto de peregrinação. Bourdain, que tinha um talento raro para encontrar os sítios onde a comida é honesta, chamou às bifanas "the glory of Lisbon". Desde então, é comum ver turistas com o telemóvel em riste, misturados com trabalhadores da zona que vêm almoçar em dez minutos. A mistura funciona. Ninguém se demora, todos comem a mesma coisa, o balcão é democrático.

Se está a explorar a cultura dos bairros tradicionais de Lisboa, este é exactamente o tipo de sítio que lhe dá o pulso real da cidade. Sem filtros.

Dicas práticas

  • O preço é baixo (€). Leve dinheiro trocado, confirme diretamente se aceitam cartão.
  • Não há horário disponível online. Passe de manhã ou à hora de almoço, que são as horas mais prováveis. Evite ir muito tarde.
  • A morada é Rua da Madalena 146, 1100-318 Lisboa, entre a Baixa e a Sé. A estação de metro mais próxima é o Terreiro do Paço (linha azul) ou a Baixa-Chiado (linhas azul e verde). De eléctrico, o 28 passa ali perto.
  • Não há mesas para grupos. Se vão quatro pessoas, comam ao balcão e aceitem a situação.
  • Não há código de vestuário. Venham como estão.

O que fazer antes e depois

Uma bifana no Afonso encaixa-se perfeitamente num passeio pela zona histórica. Suba à Sé, desça até à Baixa, passe pelo Afonso a meio do caminho. Se depois quiser um café digno desse nome, a A Brasileira no Chiado é um clássico que fica a quinze minutos a pé. E se quiser fechar a noite com fado a sério, o O Faia no Bairro Alto é aposta segura.

Para quem quer continuar a explorar a cidade com o estômago cheio, o nosso guia definitivo de Lisboa cobre o essencial sem rodeios.

O veredicto

As Bifanas do Afonso não são um restaurante. São um balcão com uma especialidade, feita bem, servida depressa, a um preço justo. É o oposto de tudo o que a restauração turística de Lisboa se tornou, e é por isso que continua a funcionar. Vá. Coma de pé. Limpe o molho com o pão. Repita se necessário.