Praia do Portinho da Arrábida
Arrábida
A Figueirinha é a maior e mais acessível praia da Arrábida, famosa pelo banco de areia que transforma o mar numa lagoa calma durante a maré baixa. Esqueça o isolamento: venha pela conveniência, pelo azul turquesa gélido e pela vista imbatível da serra.
Se procura um areal onde possa fingir que é a única pessoa no mundo, a Praia da Figueirinha não é o seu lugar. Mas se procura a Arrábida na sua forma mais generosa, acessível e, de certa forma, honesta, então esta é a paragem obrigatória. Localizada na Estrada da Rasca, 2900-633 Setúbal, a Figueirinha é a maior praia da região e a que melhor acolhe quem não quer passar três horas a descer uma ravina com uma geleira às costas. Aqui, a serra não se limita a emoldurar o mar; ela mergulha nele com uma confiança que intimida as praias vizinhas.
O que torna este pedaço de costa especial não é apenas a sua escala, mas o fenómeno que acontece quando a maré decide recuar. Surge um banco de areia longo, uma língua dourada que se estende mar adentro, criando uma lagoa de águas paradas e baixas. É o paraíso para as famílias de Setúbal e de Lisboa, mas também para quem, como eu, aprecia um mergulho sem ter de lutar contra a rebentação atlântica. Enquanto a Praia do Portinho da Arrábida mantém o seu estatuto de postal de elite e a Praia do Creiro atrai os amantes da arqueologia e das vistas panorâmicas, a Figueirinha é onde a vida acontece. É barulhenta em agosto, é vívida e é, acima de tudo, o sítio onde o azul do Sado e o verde da serra melhor se entendem.
Não vamos dourar a pílula: chegar aqui num domingo de julho exige uma estratégia militar. O programa "Arrábida sem Carros" impõe restrições severas ao trânsito entre a Figueirinha e o Creiro durante o verão. O meu conselho é simples: se quer estacionar perto do areal, chegue antes das 8h30. Se falhar esta janela, deixe o carro em Setúbal e apanhe os autocarros circulares que partem da cidade. É menos romântico? Talvez. Mas poupa-lhe quarenta minutos a circular à procura de um lugar que não existe. A estrada de acesso é a Estrada da Rasca, uma via que serpenteia entre as árvores e oferece vislumbres do oceano que o vão fazer querer parar o carro a cada curva, não o faça, o trânsito local não perdoa.
A classificação de 4.5 estrelas, baseada em mais de 11.500 avaliações, não mente. A infraestrutura é sólida. Temos nadadores-salvadores, casas de banho funcionais e um apoio de praia que serve o básico sem grandes pretensões. Se tiver dúvidas sobre as condições do mar ou acessos, pode tentar o contacto telefónico oficial +351 265 228 136, embora a melhor fonte de informação seja quase sempre o site oficial da Visit Setúbal.
Enquanto está deitado na areia, olhe para cima. Verá as encostas íngremes da Serra da Arrábida, um ecossistema que parece pertencer mais ao Mediterrâneo do que à costa leste do Atlântico. Se o calor apertar demasiado, recomendo uma pausa cultural. A curta distância, mas num mundo espiritual completamente diferente, encontra-se o trilho que leva a O Silêncio Franciscano: Uma Caminhada Espiritual ao Convento da Arrábida. É o contraste perfeito: o burburinho da praia lá em baixo e o recolhimento absoluto dos frades alcantarinos lá em cima.
Quanto aos preços, a Figueirinha é classificada como €, o que é uma benção numa região onde o turismo de luxo tem ganho terreno. O aluguer de toldos e espreguiçadeiras é razoável, mas a maioria dos frequentadores prefere a liberdade do guarda-sol próprio. Para almoçar, há quem jure pelos snacks do bar da praia, mas a minha recomendação é outra: aguente a fome e regresse a Setúbal a meio da tarde para um choco frito. É o ritual completo e a única forma de terminar um dia na Figueirinha com a dignidade que o estômago merece.
Em resumo, a Figueirinha é a Arrábida para todos. É o ponto de entrada para quem quer sentir a água gélida (sim, é muito fria, não se deixe enganar pelo azul turquesa) sem ter de fazer um curso de escalada. Vá pela lagoa, fique pela vista de Tróia no horizonte e volte sempre que precisar de se lembrar que o melhor de Portugal ainda é público e democrático.