Cruzeiro Régua-Pinhão-Régua: O Douro de Barco no Verão
O cruzeiro de dia inteiro da Cruzeiros Douro sobe o rio da Régua ao Pinhão por cerca de 76 euros, com almoço e aperitivo incluídos. A surpresa? A barragem da Bagaúste, onde o barco sobe 27 metros dentro de uma eclusa.
Há uma forma certa e uma forma errada de ver o Douro. A errada é de carro, a suar nas curvas da N222 atrás de um autocarro turístico. A certa é do meio do rio, num convés, com um copo de vinho do Porto na mão antes do almoço, a ver os socalcos subirem dos dois lados como uma escadaria gigante. O cruzeiro Régua-Pinhão-Régua da Cruzeiros Douro faz exatamente isto, e no verão é provavelmente a melhor maneira de passar um dia inteiro na região sem fazer um único quilómetro ao volante.
O que é, ao certo
É um cruzeiro de dia inteiro, ida e volta, entre o cais de Peso da Régua e o Pinhão. Sai de manhã, sobe o rio contra a corrente, passa pela barragem da Bagaúste (uma eclusa de 27 metros que é, sinceramente, a parte que mais surpreende quem vai pela primeira vez), faz paragem no Pinhão e regressa à tarde. Pelo meio serve-se um aperitivo a bordo e um almoço preparado pela equipa do barco. Tudo isto demora cerca de seis horas.
A barragem é o momento que ninguém espera. O barco entra na eclusa, as portas fecham-se atrás, e a água começa a subir lentamente até o nível mudar 27 metros. Vê-se a parede de betão a passar diante dos olhos, devagar, e de repente está-se vários andares mais acima. As crianças adoram. Os adultos fingem que não, mas tiram fotografias na mesma.
Operador, preço e como reservar
A Cruzeiros Douro opera este percurso e é uma das empresas mais antigas a fazer cruzeiros no Douro. O preço ronda os 76 euros por adulto, com 50% de desconto para crianças dos 4 aos 11 anos e gratuito para menores de 3. O almoço e o aperitivo estão incluídos no valor.
- Reservas e informações: cruzeiros-douro.pt
- Telefone: +351 226 191 090
- Ponto de partida: Cais de Peso da Régua, junto à Avenida João Franco
Há vários horários de partida, normalmente entre as 11h00 e o meio-dia, com regresso ao final da tarde. A opção que inclui paragem no Pinhão é a que vale a pena escolher: dá tempo para sair do barco, esticar as pernas e ver a estação de comboios do Pinhão, famosa pelos painéis de azulejos. Há também opções de só ida (Régua-Pinhão) mais baratas se preferir voltar de comboio, mas confirme diretamente com o operador os horários e preços dessas alternativas, porque variam com a época.
Quando ir, e porquê o verão é traiçoeiro
Os cruzeiros funcionam de abril a outubro, porque fora dessa janela as barragens fecham para manutenção. No pico do verão, julho e agosto, o Douro é dos sítios mais quentes de Portugal: temperaturas de 38 ou 40 graus não são raras. A boa notícia é que no rio sente-se sempre uma brisa e há sombra no convés. Mesmo assim, a minha sugestão é escolher uma partida o mais cedo possível. A luz da manhã sobre a água é diferente, mais suave, e o calor do meio-dia apanha-o já a almoçar, à sombra.
Reserve com antecedência no verão. Os lugares esgotam, sobretudo nos fins de semana e quando há grupos. Idealmente, reserve com uma semana de avanço para os meses de julho e agosto.
O que levar
- Chapéu e protetor solar. Não há discussão. O sol no Douro reflete na água e queima a dobrar.
- Óculos de sol e uma garrafa de água. Serve-se vinho, mas precisa de água também.
- Um casaco leve. Pode parecer absurdo com 38 graus, mas de manhã cedo no rio e na sombra do convés agradece-se.
- Calçado confortável e plano para a paragem no Pinhão e para entrar e sair do barco.
Como chegar à Régua
A forma mais bonita de chegar a Peso da Régua é de comboio, na linha do Douro a partir do Porto. O troço final, junto ao rio, é um espetáculo por si só. O cais fica a poucos minutos a pé da estação. Se vier de carro, há estacionamento perto da zona ribeirinha, mas chegue cedo no verão porque enche.
Antes ou depois: onde comer e o que ver
O almoço está incluído no cruzeiro, por isso o dia da viagem está resolvido. Mas se ficar mais tempo na Régua, vale a pena planear uma refeição em condições. A Castas e Pratos é a aposta mais ambiciosa da cidade, instalada num antigo armazém ferroviário, enquanto a Tasca da Quinta serve cozinha duriense mais despretensiosa e honesta. Para perceber o que são afinal aqueles armazéns gigantes que se veem da margem, leia o nosso guia sobre a arquitetura do vinho do Porto na Régua.
Se estiver a contar trocados, o cruzeiro não é a opção mais barata do Douro, mas é das que mais rende em experiência por euro. Para o resto do dia, o nosso guia de Peso da Régua com pouco dinheiro ajuda a equilibrar as contas. E se quiser estender a viagem para lá da Régua, veja as melhores saídas de bate-e-volta no Douro.
Vale a pena?
Vale. O melhor momento não é o almoço nem a chegada ao Pinhão, é a meia hora antes da barragem, quando o barco abranda e o vale se fecha à volta. Vê-se o trabalho de gerações nos socalcos, percebe-se porque é que este é o vinhateiro mais antigo demarcado do mundo, e tudo isto sem fazer esforço nenhum a não ser estender o braço para o copo. Para um dia de verão no Douro, é difícil arranjar melhor.