Prova de Vinhos na Quinta do Vallado, Peso da Régua
A Quinta do Vallado fica a quatro quilómetros da estação da Régua, a dez minutos de táxi, e faz visitas guiadas com prova de cinco vinhos a partir de 35 euros. No verão, escolha a sessão da manhã: a adega está a 17 graus enquanto lá fora se passam os 35.
Uma quinta a quatro quilómetros da estação
O Douro em julho e agosto tem um problema de horário. Entre as duas e as cinco da tarde, as encostas viradas a sul acumulam calor como a parede de um forno, e qualquer visita a uma quinta feita a essa hora vira um exercício de resistência com copo na mão. A Quinta do Vallado resolve isto de forma simples: tem sessões às 11h e as caves são frescas. É o sítio para onde mando sempre quem me pergunta onde provar vinho em Peso da Régua sem entrar num circuito de autocarro com quarenta pessoas.
O Vallado fica em Vilarinho dos Freires, junto à foz do rio Corgo, a cerca de quatro quilómetros da estação da Régua. Isso não é um detalhe menor: é das poucas quintas de nome grande que se alcança em dez minutos de táxi, sem carro alugado e sem excursão organizada. A propriedade existe desde 1716 e esteve ligada à família de Dona Antónia Adelaide Ferreira, a mulher que praticamente desenhou o Douro moderno. Quem quiser perceber melhor como esta região se organizou à volta do vinho, das casas de guarda e dos armazéns junto ao rio, vale a pena ler antes o nosso guia sobre os armazéns do Douro na Régua. A visita ganha outra espessura.
Como é a visita, passo a passo
A visita padrão dura cerca de uma hora e um quarto e segue sempre a mesma lógica, o que é bom sinal: significa que pensaram nela.
- Receção e história: começa na casa antiga, com o enquadramento da família, das vinhas do Corgo e das vinhas do Douro Superior, no Orgal, que é a outra propriedade da casa.
- Volta pelo exterior: a parte que separa o Vallado de muita quinta genérica. Explica-se o sistema de socalcos, a diferença entre a vinha velha em field blend e a plantação moderna, e vê-se a confluência do Corgo com o Douro lá em baixo.
- Adega: a construção nova, de betão, encaixada na encosta, com lagares e cubas. É aqui que se percebe o calendário do vinho e por que razão em agosto está tudo em silêncio à espera de setembro.
- Prova: cinco vinhos, sentado, com tempo. A lista varia consoante o ano e o stock, por isso confirme diretamente com o operador se quiser garantir um vinho específico.
O melhor momento, para mim, não é a prova. É a paragem no exterior, ainda com o copo vazio, quando o guia aponta para uma parcela concreta e explica porque aquela encosta dá um vinho diferente da encosta ao lado, à distância de duzentos metros. Depois disso, os cinco copos deixam de ser cinco copos e passam a fazer sentido como conjunto.
A segunda surpresa é a competência dos guias. Muitos têm formação em enologia e respondem a perguntas técnicas sem despachar o assunto com frases de folheto. Se perguntar sobre percentagem de aguardente na fortificação, sobre a diferença entre um tawny de 10 e de 20 anos ou sobre rega em anos secos, vai ter resposta. Faça perguntas. É o que distingue uma visita boa de uma visita esquecível.
Horários, preços e o que reservar
As visitas em inglês são às 11h, 14h30 e 16h30. Em português, às 12h, 15h30 e 17h30. A visita guiada com prova de cinco vinhos começa nos 35 euros por pessoa. Há também provas privadas e temáticas de duas horas, com vinhos icónicos ou Portos velhos, que chegam aos 200 a 250 euros por pessoa, com grupos pequenos e reserva antecipada obrigatória. Existem ainda workshops de duas horas, com mínimo de quatro participantes, e almoços e jantares vínicos mediante marcação.
Reserve. No verão as sessões enchem, sobretudo as de inglês do meio da manhã, e aparecer sem marcação em agosto é pedir para ficar à porta. As reservas fazem-se pelo site quintadovallado.com, por email para [email protected] ou por telefone para +351 254 323 147.
A minha escolha no verão é a sessão das 12h em português. Sai-se por volta das 13h15, com fome, à hora certa para almoçar na Régua e sem ter apanhado o pico de calor a pé no meio da vinha.
Como chegar
De comboio: a linha do Douro deixa-o na estação da Régua e, à saída, há praça de táxis. A corrida até ao Vallado ronda os 15 a 20 euros por sentido e demora cerca de dez minutos. Combine com o taxista a hora do regresso ou peça na quinta que chamem um, porque a apanhar táxi na estrada ali fora não conta.
De carro: a quinta está sinalizada no Google Maps e no Waze e tem estacionamento. Aqui entra o aviso óbvio: cinco vinhos e estradas de curva não combinam. Ou cospe (há cuspidores e ninguém acha estranho), ou leva alguém que não prove.
A pé é possível, cerca de 45 minutos, mas em agosto, com 38 graus e sem sombra, é má ideia. Se anda a fazer contas ao orçamento, o guia da Régua com pouco dinheiro ajuda a decidir onde vale a pena gastar e onde não.
O que levar e o que vestir
- Sapatos fechados. O chão da adega é lavado com frequência e há degraus e mangueiras. Sandálias de dedo são um erro.
- Uma camada leve. Lá fora estão 35 graus, dentro da adega estão 17. O contraste apanha muita gente desprevenida.
- Chapéu e água. A parte exterior da visita é ao sol, sem exceção.
- Nada de perfume forte. Estraga a prova a si e a quem está ao lado.
- Espaço na mala. A loja tem referências que não chegam facilmente ao supermercado, e os preços à porta da adega compensam.
Antes e depois
De manhã, antes da visita, dê uma volta pelo mercado da Régua: fruta da estação, queijo e presunto para o carro. Depois da prova, o almoço decide-se entre dois registos. Para uma refeição com vista e carta de vinhos séria, Castas e Pratos, instalado nos antigos armazéns ferroviários. Para comida franca, sem encenação e com conta simpática, Tasca da Quinta. Se ainda tiver tarde pela frente e vontade de andar, veja as melhores saídas de bate-e-volta a partir da Régua, porque Pinhão fica a meia hora de comboio e o percurso vale por si.
Um último conselho: não encaixe o Vallado entre outras duas quintas no mesmo dia. Três provas em oito horas é excesso e no fim ninguém se lembra de nada. Uma visita bem feita de manhã, um almoço demorado e uma tarde a não fazer grande coisa junto ao rio é, honestamente, o melhor programa de verão que a Régua tem para dar.