Caminhadas Guiadas no Gerês com RB Hiking, Terras de Bouro
Maio e início de junho são a melhor altura para caminhar no Gerês: ribeiros cheios, urzes em flor e temperaturas ainda abaixo dos 22 ºC. O guia local Rui Barbosa, da RB Hiking & Trekking em Campo do Gerês, leva grupos de até dez pessoas em rotas como a Escaleira, o Lago Marinho e a Corga da Fecha.
Maio e início de junho são, de longe, a melhor altura para caminhar no Parque Nacional da Peneda-Gerês. Os ribeiros ainda vão cheios da chuva de inverno, as urzes estão floridas, e o termómetro raramente passa dos 22 ºC ao meio-dia. Em julho, os mesmos trilhos transformam-se num forno seco e os parques de estacionamento de Vilarinho da Furna e da Portela do Homem ficam impossíveis a partir das nove da manhã. Por isso, se está a planear conhecer o Gerês a pé, marque a viagem agora, antes do calor.
Quem é o RB Hiking & Trekking
O Rui Barbosa é guia de montanha em Campo do Gerês, Terras de Bouro, e opera com a licença RNAAT 624/2020. A empresa chama-se RB Hiking & Trekking e a base fica na Rua da Fonte da Portela, 80, a poucos minutos do centro de interpretação de Vilarinho da Furna. O Rui tem o calendário publicado no site barbosa-trekking.pt com datas concretas, e limita os grupos a dez pessoas. Esta regra dos dez é o que faz a diferença: quem já fez caminhada em fila indiana com vinte estranhos sabe exatamente do que estou a falar.
Os trilhos típicos de maio e junho
O programa de primavera muda todos os anos, mas há rotas que se repetem porque funcionam bem com o caudal alto desta época:
- Escaleira e Lago Marinho: subida exigente até uma das lagoas glaciares mais bonitas do parque. É a minha preferida do mês de maio.
- Corga da Fecha: cascata espetacular acima de Ermida, com piscinas naturais que ainda estão geladas em maio (motivo extra para ir antes de a água ficar morna).
- Cume do Redondelo: vistas sobre a serra do Soajo, dia inteiro, ritmo desportivo.
- Travessia Xertelo, Fafião: dura, com passagens técnicas. Não é para iniciantes.
- Etapas da GR 50: a Grande Rota do Parque, em formato de fim-de-semana.
Algumas destas datas esgotam com semanas de antecedência. A Travessia da Portela do Homem, por exemplo, costuma fechar inscrições em abril.
Como funciona o dia
O encontro é quase sempre em Campo do Gerês, junto ao parque de estacionamento do Centro de Interpretação da Serra do Gerês, às 9h00. Quem fica em alojamentos parceiros pode ser apanhado pelo guia. O Rui faz o briefing à frente do mapa: distância, desnível, pontos de água, plano B se o tempo virar. Depois vai-se para os carros e começa-se a caminhar entre as 9h30 e as 10h00.
O ritmo é honesto. Não é um passeio dominical, mas também não é uma corrida. Em rotas de média dificuldade fazem-se 12 a 15 km com cerca de 600 metros de desnível positivo, e há sempre uma paragem para almoço junto a um ribeiro. O melhor momento, para mim, é quando se chega ao primeiro miradouro alto do dia, normalmente por volta das onze da manhã. A serra ainda tem aquela neblina baixa nos vales, e ouvem-se os garranos (os cavalos selvagens do Gerês) lá em baixo. Não é cliché. É mesmo assim.
O que levar
- Calçado: botas de caminhada com sola Vibram. Ténis de corrida não chegam, há muita pedra solta e troços molhados.
- Mochila: 20 a 25 litros. Capa de chuva à parte, mesmo em maio. O Gerês é a região mais chuvosa de Portugal, e uma trovoada de tarde não é raro.
- Água: dois litros por pessoa. Há fontes ao longo do percurso, mas confirme com o guia antes de beber.
- Almoço: sandes ou marmita. Em Campo do Gerês há a Padaria do Gerês (sandes de presunto da casa) e o Mercearia do Tó para fruta.
- Protetor solar e chapéu: a altitude engana, e as cumeadas não têm sombra.
- Fato de banho: as cascatas estão a tiro em maio, e o banho de cinco segundos no Lago Marinho é uma medalha de honra.
Reservas e preços
O preço varia conforme o trilho e a duração. Caminhadas de meio-dia em grupo aberto ficam mais em conta do que travessias técnicas de dia inteiro ou saídas privadas. Como os valores não estão fixos no site para todas as datas, confirme diretamente com o operador por WhatsApp ou e-mail antes de reservar.
- Telefone, WhatsApp: +351 938 450 305
- E-mail: [email protected]
- Site: barbosa-trekking.pt
Existe também o Programa Anual de Caminhadas Guiadas da associação Gerês Viver Turismo, que é gratuito para hóspedes de alojamentos aderentes (e cobra cerca de 7,50 € por pessoa para não hóspedes), com inscrição obrigatória 48 horas antes via [email protected]. Boa alternativa se já está alojado em Vilarinho ou Campo do Gerês, mas os grupos são maiores.
Como chegar a Campo do Gerês
De Braga, são 50 minutos de carro pela N103 e depois pela N308. Não há combóio, e os autocarros da Empresa Hoteleira do Gerês fazem ligação em horários limitados. Quem vem do Porto demora cerca de 1h30. O parque de estacionamento de Campo do Gerês é gratuito e raramente enche, ao contrário do que acontece na zona das Caldas do Gerês.
Onde ficar para sair de manhã cedo
Para uma caminhada que arranca às 9h00, ficar em Braga é viável mas cansativo. Recomendo dormir mesmo em Campo do Gerês ou em São João do Campo. O Pousada da Juventude do Gerês é simples e barato. O Parque de Cerdeira tem bungalows e fica a cinco minutos do ponto de encontro. Reserve com antecedência: a partir de meados de maio, os fins-de-semana esgotam.
Um conselho final
Não tente fazer estes trilhos por conta própria com base num post de blogue. A sinalética dentro do parque é boa nas Grandes Rotas, mas péssima nos atalhos antigos, e há pelo menos um resgate por mês de gente que se perdeu na Mata da Albergaria. Pagar por um guia local, especialmente alguém que cresceu naquela serra, é a melhor decisão que pode tomar para o primeiro contacto com o Gerês. Da segunda vez já sabe onde quer voltar sozinho.