Restaurante Pizzaria O Constantino
Em São Martinho de Antas, a terra de Miguel Torga, O Constantino é a coisa mais próxima de street food que o concelho de Sabrosa tem: pizzas baratas, para comer lá ou levar, a dez minutos da vila. Ligue antes, leve dinheiro, e agradeça a existência de takeaway no Douro rural.
Vamos ser honestos sobre uma coisa: ninguém vem ao Douro à procura de pizza. Vem-se pela posta, pelo cabrito assado, pelo Moscatel servido sem cerimónia. E ainda bem. Mas há um momento, normalmente ao terceiro dia de refeições transmontanas de duas horas, em que o corpo pede outra coisa. Algo rápido, sem toalha de linho, que se possa comer com as mãos. É aí que entra o Restaurante Pizzaria O Constantino, em São Martinho de Antas, e é exatamente por isso que merece este texto.
Uma pizzaria numa aldeia do Douro, e ainda bem
São Martinho de Antas é uma freguesia do concelho de Sabrosa, a uns dez minutos de carro da vila. É terra pequena, de gente que se conhece toda, e é conhecida sobretudo por ser a terra de Miguel Torga, o que já lhe dá mais peso literário do que gastronómico. Não é sítio onde se espere encontrar uma pizzaria. E no entanto, na Rua do Fundo do Povo, número 23, lá está O Constantino: pizzas para comer no local ou levar para casa, mais alguns pratos regionais para quem não abdica do garfo e faca.
Isto importa mais do que parece. No concelho de Sabrosa, a oferta de comida rápida e informal é praticamente inexistente. Não há cadeias, não há kebabs abertos até às três da manhã, não há food trucks. O Constantino é, na prática, a coisa mais próxima de street food que este canto do Douro tem. Se está alojado numa quinta na zona, ou se seguiu o nosso guia sobre onde ficar em Sabrosa e escolheu a opção rural, guarde este contacto: +351 259 939 133. Numa noite de inverno em que não apetece cozinhar nem conduzir até Vila Real, uma pizza de takeaway vale ouro.
O que esperar (e o que não esperar)
Sejamos claros: isto é uma casa de aldeia, casual, de preços de aldeia. Estamos a falar de um escalão de preço de um único símbolo de euro, o que no Douro turístico de 2026 é cada vez mais raro. Não venha à espera de forno a lenha napolitano com massa de fermentação lenta e certificado de Nápoles. Venha à espera de pizza honesta, feita para alimentar, do tipo que sabe melhor porque custou pouco e chegou quente.
A carta divide-se entre as pizzas e os pratos regionais portugueses, e essa dupla identidade é típica destas casas de freguesia: ao almoço servem os trabalhadores da zona com comida de tacho, à noite fazem pizzas para as famílias. O nosso conselho é simples: se quer comer a sério à transmontana, com posta e cabrito, siga antes o nosso roteiro gastronómico de Sabrosa, onde essa cozinha é o prato principal e não o acompanhamento. Ao Constantino venha quando quer pizza, ou quando quer uma refeição rápida e barata sem complicações.
Como chegar
De carro, sem discussão. São Martinho de Antas fica a norte da vila de Sabrosa, e a Rua do Fundo do Povo está no núcleo da aldeia. De Sabrosa são cerca de dez minutos; de Vila Real, uns vinte. Transportes públicos existem mas são escassos e pensados para os horários da escola, não para o jantar. Se está sem carro, o takeaway não é opção e convém confirmar tudo por telefone antes de se meter à estrada, ou nesse caso à boleia.
Dicas práticas
- Ligue antes. Os horários não estão publicados online e, como em quase todas as casas de aldeia no Douro, podem variar com a época e com o dia de descanso semanal. O +351 259 939 133 resolve tudo em trinta segundos.
- Leve dinheiro. Não conseguimos confirmar se aceitam cartão, e em freguesias pequenas o multibanco nem sempre é garantido. Notas na carteira poupam constrangimentos.
- Reservas? Numa casa deste tipo, raramente são necessárias. Mas se for grupo grande num fim de semana, um telefonema é boa educação e boa estratégia.
- Dress code: zero. Venha como está, de preferência com fome.
- Takeaway é o trunfo. Se está alojado perto, encomendar e levar é o movimento inteligente, sobretudo com crianças.
Onde encaixa no seu roteiro
O Constantino funciona melhor como peça de apoio num plano maior. Sabrosa é, como já defendemos, uma base excelente para explorar o Douro: está entre Vila Real e Pinhão, tem vinho por todo o lado e não tem os preços nem as multidões da beira-rio. Um dia bem passado por aqui pode incluir a visita à Casa Solar de Fernão de Magalhães, o solar ligado à família do navegador que dá fama à vila, uma tarde entre vinhas, e depois uma pizza sem pretensões ao jantar. Se ainda tiver energia, a vila tem onde beber um copo: o Lagoa Bar serve para esticar a noite à moda local.
Em São Martinho de Antas propriamente dito, o programa é curto e é esse o encanto: passear pelas ruas da aldeia de Torga, comer no Constantino, e perceber que o Douro não é só quintas de luxo e provas de vinho a quarenta euros. Também é isto: uma pizzaria de aldeia onde o telefone fixo ainda é a melhor forma de reservar.
Veredicto
O Constantino não é destino, é recurso. E os bons recursos, no interior de Portugal, valem tanto como os destinos. Num concelho onde jantar fora quase sempre significa refeição completa e demorada, ter uma pizzaria barata, descomplicada e com takeaway é um pequeno luxo logístico. Se vier a Sabrosa em época de festa, como o Sabrosa Summer Fest 2026, ainda mais: quando os restaurantes da vila enchem, saber que há pizza a dez minutos é informação que vale a pena ter no bolso. Ligue antes, leve dinheiro, e não peça fermentação de 72 horas. Peça uma pizza, coma-a feliz, e volte no dia seguinte à posta.