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Coimbra
São cerca de uma dúzia, têm nomes como Pra-Kys-Tão e Bota-Abaixo, e funcionam como pequenas repúblicas independentes onde se cozinha em panela comum e se canta fado à sobremesa. Um guia honesto às casas onde a Praxe ainda paga renda.
Oito noites, dezenas de milhares de pessoas e a Sé Velha em silêncio absoluto à meia-noite: um guia honesto da maior festa académica da Europa, com conselhos práticos sobre onde ficar, o que comer e onde escapar quando precisares de respirar.
Entre a Sé Velha e a Universidade, as paredes da Alta de Coimbra contam histórias que os guias tradicionais ignoram. Um roteiro prático pela arte urbana e pelas galerias independentes de uma cidade que está a reinventar-se sem pedir licença.
A coruja de Bordalo II já não está no Colégio das Artes, mas as paredes de Coimbra continuam a falar. Das escadas do Quebra Costas às fachadas das repúblicas estudantis, este é o roteiro de street art que nenhum guia convencional te dá.
Coimbra é uma cidade que se trepa. As ruas sobem íngremes desde o Mondego até à Universidade, e quem as percorre acaba por entender o esforço físico que marca a vida aqui, estudantes a subir a Rua da Matemática com mochilas às costas, velhos a parar a meio da Quebra-Costas para recuperar o fôlego. Esta verticalidade não é metáfora: é o exercício diário de quem vive na cidade.
A Universidade de Coimbra, fundada em 1290, domina a Alta e define o ritmo da cidade. A Biblioteca Joanina merece a visita, sim, mas o mais interessante talvez seja percorrer a Rua Larga e observar como tudo gravita em torno da instituição, as repúblicas de estudantes com as suas fachadas pintadas, os cafés onde se discute e se perde tempo, a Sé Velha a poucos metros, robusta e sem floreados. O período lectivo transforma Coimbra; fora dele, a cidade recolhe-se.
A chanfana, cabra estufada em vinho tinto da Bairrada, é o prato que define a cozinha da região. Encontra-se nos restaurantes mais tradicionais, sobretudo na margem esquerda do rio e nas aldeias próximas. Na cidade, o Pátio da Inquisição e a zona do Largo da Portagem oferecem opções honestas. Os pastéis de Tentúgal, originários de uma vila próxima, são a sobremesa certa, massa folhada finíssima com doce de ovos. Quem prefere algo mais simples, as leitarias ainda existem e servem o básico sem cerimónia.
O Mondego dá a Coimbra uma escala que outras cidades universitárias portuguesas não têm. A travessia pela Ponte de Santa Clara abre a vista para o Convento de Santa Clara-a-Nova e para o Portugal dos Pequenitos, um parque temático de 1940 que divide opiniões mas que faz parte da identidade local. Do lado de lá, o Parque Verde do Mondego é onde os coimbrenses correm, passeiam cães e se sentam ao fim da tarde.
Dois dias chegam para cobrir o essencial. Maio é o mês mais intenso, com a Queima das Fitas a tomar conta da cidade durante uma semana, bom para quem quer festa, mau para quem quer sossego. O início do outono, com os estudantes de volta e a luz ainda quente, é provavelmente a melhor altura. Coimbra funciona bem como base para visitar Conímbriga, as ruínas romanas a 15 km, ou a Mata Nacional do Buçaco.